
Desimportâncias
O Ícaro pousou num fio de alta tensão e encontrou o nirvana
As paredes têm ofídios
Poeta é procurar ovos em pelos e ser salvo pelas metáforas
Em cada porto há um pedaço de eternidade
A agulha do poeta longe de Itararé, toca um vinil de pirillâmpadas
Quem não chora não se arma
Existir é colocar pingos em dáblios
Enterros são plantações der arquivos
Encontrou o amor no farol fechado. Nunca teve filhos. Deveria obedecer aos sinais.
A morte não manda e-mail
Brincanças
Os endereços são estercos
Técnica de aproximação comigo mesmo: lesmo
A morte é uma desaceleração de partículas
A civilização humana às vezes é um pé no sacro
Fui atropelado pela existência
Quem nasce morto não nasce
A terra é o aterro sanitário do espaço, onde estão depositados todos os vermes
Sou estrangeiro em meu próprio corpo
Silêncios cumplices têm gerador próprio
Quando o mundo acabar eu volto para Itararé
Agulhas
A morte me deu um saxofone e disse, vá tocar tambor em Nova York
Minha vida é um livro aberto de mim sem mim
O sorvete sorriu para a groselheira seca, se derretendo todo
Escrever é voar com remos
Durante a TPM, converso com a minha esposa de mulher para mulher
O livro era bom, mas tão bom, que o leitor orria no final
Uma vez achei uma bolinha de gude no miolo de uma jabuticaba vesga
Colabore com as autoridades: cometa um crime perfeito
Uma vez fui a um baile de fantasmas: eles ficaram com medo porque eu era o único
Cheguei cedo para não ser surpreendido. No entanto, o meu rabo, de alguma espécie de dinossauro, ainda balançava no cipó de Darwin
-Silas Correa Leite
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Silas Correa Leite
ResponderExcluirBeleza pura, obrigada pelo convite para conhecer este recanto literário,
Efigenia Coutinho