"Artistas de Itararé, Cidade Poema"

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Capital Artístico-Cultural Boêmica do Sul de São paulo

BLOGUE ARTISTAS DE ITARARÉ CHÃO DE ESTRELAS

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Clã dos Fanáticos Por Itararé, Cidade Poema

Palco Iluminado de Andorinhas Sem Breque

Os Dez Maiores Artistas de Itararé, Ano 2011

Dez Maiores Artistas de Itararé















01)-Maestro Gaya







02)-Jorge Chuéri







03)-Irmãs Pagãs







04)-Paulo Rolim







05)-Silas Correa Leite







06)-Paschoal Melillo







07)-Rogéria Holtz







08)-Dorothy Janson Moretti







09)-Regina Tatit







10)-Armando Merege







Itararé, Bonita Pela Própria Natureza

Itararé, Bonita Pela Própria Natureza
Nosso Amor já Tem Cem Anos

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Gilberto Pinguim Santana de Itararé, Fará Ônibus Espacial




O Artista Popular e Artesão, Pinguim Santana, no seu Polo Industrial Santa Terezinha de Criação, de Itararé-SP, Fabricará Ônibus Espacial

Itarareenses andorinhas devem chegar em Marte nos próximos 5 anos, porque em Sengés-City já aportaram de mala, cuia e poesia via Sergio Carriel de Lara. Agora é oficial. Já se sabia que a tecnologia espacial estava bem avançada na República Etílico-Rural da Estância de Santa Itararé das Artes, mas agora o projeto vai deslanchar. Segundo a Agência Espacial Ita-Star, o Artista Popular Pinguim, irmão do Choko, assinou um contrato com o Governo do Palácio Tico e Palácio Vadico, para construir a primeira Nave-Nau Itarareense. A espaçonave terá lugar para 10 boêmios carnavalescos e contará com churrasqueira, fogão de campanha, cambona para aquentar a água pro chimarrão, despensa com 14 tulhas, bagageiro, quarto de banho, uma latrina de assento e duas de se cagar acrocado. Já estão confirmados na viagem o gaiteiro Santos Galdino (estagiando numa bodega em Jaguariaiva), o tocador de violão Jaquelin, o tocador de bumbo Paulinho AgitaSom, e outros que tem os nomes preservados por razões de segurança nacional Itarareeense não podemos regatiar de dar o nome assim sem mais nem menos. As tulhas de mantimentos estarão sortidas com de tudo um pouco: erva-mate, bergamota, rapadura, charque, linguiça, torresmo, arroz, feijão preto e de cor, bolacha e, principalmente, canha e vinho, além de tubaínas e cervejas, e uns gibis velhos. Segundo o chefe do cerimonial de lançamento e responsável pelos estudos, Odair Barreira, um cara muito inteligente, "crânio" em matemática, física e exímio no jogo-do-osso, os americanos jogaram a toalha na corrida espacial, porque não tinham a tecnologia para revestimento da nave, já que esta é uma patente do Aneor Peres Gusmão descoberta em Santa Cruz dos Lopes. Trata-se de uma combinação de casca-de-cana, gordura de capivara, barro vermelho do Lageado e pedra moura moída (aquela lá das quebradas do Rio da Vaca) que, segundo os cientistas, gera um material resistente a altíssimas temperaturas, além de também servir para curar bicheira, sarar cobreiro e tirar furunculo.
A propulsão do foguete será à base de uma mistura de cachaça marisqueira de Pedra Branca com graspa de Riversul, que os pesquisadores internacionais afirmam ser dezenas de vezes mais potente do que o combustível atualmente utilizado pela NASA em estado de falência. E é combustível renovável.
Há décadas que esta tecnologia vem sendo desenvolvida - em segredo - na Estância de Itararé. Dizem que o único momento tenso do projeto foi quando uma bugraiada andou por lá para espionar, mas foram corridos no laço pelo capataz da estância e 4 cachorros vira-latas. Os americanos - que tentavam desenvolver um trabalho parecido na Área 51 - foram convidados a visitar o projeto. Foram recebidos com um assado de costela no fogo de chão (daquelas que levam 8 horas para assar), tomaram uns rabos-de-galo e gostaram do que viram, mas saíram mais quietos que guri cagado nas calças. Em nota à imprensa os nossos cientistas disseram: "Mostramos tudo a eles, mas desde o começo ficaram desacorçoados, de boca-aberta. Não entenderam bosta nenhuma. É uma tecnologia anos-luz na frente da deles, os obrahmas deles." Zé Maria dos Contos acrescentou: "Estamos a passos largos para a conquista de Marte, que Itapeva já tá nas algibeiras. Não vai 5 anos e teremos gente apeando por lá e começando a fazer cercas e criar invernadas, contando causos, tomando pinga, levando mudas de Itarareenses sem breques para brotar por lá. Pelo menos uma guria pedaçuda já vai junto, na missão, para organizar o primeiro Bar Fecha Nunca espacial, lar doce Bar extraterrestre... Vamos em paz, mas, pelo sim, pelo não, levaremos na mala de garupa uma carneadeira coqueiro deitado, um trançado de 8 e uma espingarda de cano duplo Boito (Boito, tiro dado, bicho deitado), e um penico verde-palmeiras. Vai que lá também tem marciano ruins dos Amados, Fadéis ou Perúcios...

Mas nunca te esqueça! Somos tão modestos porque:

Deus é carioca mas Jesus é de Itararé;

São Pedro é o capataz e Conceição nossa Padroeira;

O Sol é um fogo-de-chão que se alastrou depois para virar um baita Sonrisal bem alto;

O Atlânticoé salgado porque a indiada de Itararé em viagens extraterrestres daqui batia os espetos perto dos rios;

O Saara é um deserto porque foi das árvores de lá que vieram os espetos para Itararé;

A maior churrascada que se fez, resultou na extinção dos dinossauros;

A 2ª Guerra se deu por causa de queumo Turco de Itararé queria tomar conta dos bordéis perto do Mar Morto;

Itararé é muito amada porque é o único Estado que faz divisa com 3 cantos inter-espaciais: Paraná, Riversul e Vale do Ribeira;

Esses terremotos, que andam ocorrendo por aí, são decorrência de uns concursos de Blocos de Carnaval no Clube Fronteira...

E por aí se vai essa porção de terras ao redor de Itararé, chamada MUNDO SEM PORTEIRA!

Ser Itarareense acima de tudo...
- é tratar o interlocutor de tu és um caipora (na 2ª pessoa), para estar mais perto que ele (3ª pessoa);
- é saber que nossa característica é a bravura e serestas e não o jeitinho de escamotear tranqueira levado da breca;
- é ser franco e direto, nem que isso cause inimizades porque quem gosta de paz é Mané inhantã;
- é ser humilde em ambições, mas exagerado em ideais e paixões, Sempre Haverá Itararé!
Por isso eu tenho orgulho de ser chamado de "ANDORINHA DE ITARARÉ "

Bem CAPAZ que eu transvire Astronauta só para ver o Planeta Itararé em Forfé Carnavalesco lá de Marte...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Itararé Para Quem Ama Itararé






Já pensou, ITARARÉ, termos políticos competentes
que prezem valores elevados?

Já pensou, ITARAREENSE: nossa querida ITARARÉ, a cidade que amamos, ter uma câmara municipal com vereadores inteligentes, sérios, firmes, democráticos, trabalhadores, honestos, afinados com os interesses da coletividade, capazes de bem representar, e em alto nível, nossa querida Estância Boêmia de Santa Itararé das Artes em qualquer parte do país? Já pensou que força tremenda seria um legislativo vigoroso, com políticos cumpridores da função, que não troquem o mandato por cargos na prefeitura, que não se ajoelhem diante do prefeito?
Já pensou, ITARAREENSE ANDORINHA: nossa querida Itararé, celeiro de Artistas, cidade histórica, bonita pela própria natureza, ter um prefeito competente, democrático, amigo dos livros, da lei, que preze valores cristãos elevados, com discernimento para se cercar de talentosos trabalhadores de alta qualidade ético-humanitária, com capacidade para conduzir ITARARÉ no rumo do progresso social, econômico e cultural? Já pensou que ótimo seria ter um prefeito assim, que trabalhe corretamente e com transparência, sem precisar se valer da publicidade enganosa para tentar se manter no poder, se valer de insanas brechas jurídicas, envergonhando o historial todo de ITARARÉ, trincheira da legalidade?.
ITARARÉ – Nossa amada urbe, merece políticos capazes no comando. Candidatos bons em 2012, pois, e que a Santa Urbe abençoe essa cidade abandonada, envergonhada, destratada, sempre com noticias ruins sobre sua condução em total dezelo público.
Publicado por Itarareense que querem políticos que representem bem nossa cidade, não que a envergonhem.
Fanáticos Por Itararé – Sempre Haverá Itararé – A Batalha é Nossa, o Povo é a Razão
WWW.artistasdeitarare.blogspot.com.br

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

No Natal - Crônica de Silas Correa Leite









No Natal – Crônica de Dezembro de 2011




01)-No Natal... ficamos mais sensibilizados, vemos estrelas diferenciadas e luzes elétricas coloridas com maior ternura, como se nosso coração se abrisse e nossos sentimentos revisitassem atitudes, gestos, mãos estendidas e olhares acima e sobre todas as coisas...
02)-No Natal... tornamo-nos crianças de novo – nossa infância, nosso maior tesouro – doces memórias voltam, e nossa alma alumbrada audita o que fomos, o que evoluímos, o que somos, em conquistas, momentos e canções...
03)-No Natal... além das festas, do amigo secreto tradicional, das trocas de presentes, lembramos pessoas queridas que partiram primeiro, somamos as crianças que nasceram, festas, perdas, lucros, congraçamentos, e verificamos que crescemos na dor, evoluímos no amor... saldo positivo...
04)-No Natal... o pinheirinho novo nos traz a lembrança antiga da família reunida; estávamos todos vivos, então de novo colocamos lembranças no quarador das idéias, e vemos que o tempo passa, o que somos permanece, a família é nosso reduto de paz e de sustentabilidade espiritual...
05)-No Natal... damos prioridade a verdades puras, questões importantes, sabemos que é o fechamento de um ciclo, mas, também, é data de se comemorar o amor, a esperança, a consciência tranquila, a paz de espírito, os abraços apertados, porque, afinal, temos um berço, um clã, e, mais importante, temos um rol maravilhoso de grandes amigos...
06)-No Natal... voltamos para nós mesmos, conseguimos união, carinho; voltamos para casa, temos uma casa, somos essa casa em nós, tudo nos ampara, redime e conforta, o amor Cristão nos sustenta nas obras e na fé, porque, sabemos, afinal, como diria o poeta, que o importante é que a emoção sobreviva...
07)-No Natal... somos a comemoração que edifica, somos a música que soa, readquirimos brilho nos olhos, temos afetos explícitos, o bem-querer se manifesta em atitudes e conciliações, a família se fortifica, os separados se reconciliam, o perdão sustenta e o panetone diz quão doce é a data, o momento, o aconchego de abraços apertados de pessoas especiais que nos rodeiam...
08)-No Natal... não nos cabemos em nós, porque não somos sozinhos, somos plurais, comunitários, sabemos que somos elos de uma corrente da vida, que tudo que nos cerca nos diz respeito, que tudo que nos rodeia é semeadura, que tudo o que nos sustenta são os abraços das crianças, e a grandeza dos mais velhos escancara em nós o que deles herdamos em qualidades e conquistas...
09)-No Natal... o dezembro cintila, clarificamos emoções, contabilizamos o que criamos e o que aprendemos, o que tiramos de letra nas dores que nos fortificaram o caráter, nos aprimoramos enquanto seres e enquanto humanos, até porque, sendo Natal, a esperança se renova sabendo que, o ciclo novo que se inicia, anuncia também a boa-nova de um novo tempo melhor, um ano novo frutífero, em que daremos testemunho de resistência e fibra, de camaradagem e luz... de aprimoramento e evolução...
10)-No Natal... recebemos presentes, entregamos cartões de Natal, tudo cheira gostosamente a festa, tudo é doce e frugal, e, afinal, sobreviventes sempre para melhor de um ano que se encerra, notamos que, sim estamos realizando nossos sonhos, fomos testados e passamos no teste, até abraçarmos cada um de cada elo que fundamos, e, afinal, dizendo, FELIZ NATAL, estamos reafirmando a soma, somos parte dela, e então o Natal verdadeiro se concretiza na comemoração, numa soma edificante e naquilo tudo que nos fará ainda mais verdadeiros Cristãos.
-Boas Festas, Feliz Tudo – Feliz 2012
Poeta Silas Correa Leite – Musa Rosangela Silva
Estância de Santa Itararé das Artes, Cidade Poema, Sampa, Brasil 2011
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: WWW.itarare.com.br
Blog: WWW.portas-lapsos.zip.net
(Crônica da Série “Eu Era Feliz Quando Era Natal”)




sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Estatuto de Poeta em Francês, Edição Bilingue, Silas Correa Leite



ESTATUTO DE POETA EM FRANCÊS


Edição Bílingue Português e Francês
Autor Silas Correa Leite, Estância Boêmia de Santa Itararé das

Letras, São Paulo, Brasil – In, Porta-Lapsos, Poemas, All-Print Editora


Tradução para o idioma francês: JOSÉ BARBOSA LEITE


Artigo Um
Todo Poeta tem direito de ser feliz para sempre,
mesmo até muito além do para sempre, ou quando
eventualmente o "para sempre" tenha algum fim.
Artigo Dois
Todo Poeta poderá dividir sua loucura, paixão e
sensibilidade com mil amores, pois a todos realmente
amará com o mesmo prelúdio nos olhos, algumas asas
nas algibeiras e muitas cítaras encantadas na alma,
ainda assim, sem lenço e sem documento.

Statut de Poète (Premier Brouillon Pour un Croquis de Projet
Suffisant, Total et Sans quelque restriction)
Article Un
Tout Poète a droit d'être heureux pour toujours, même jusqu'à bien
au-delá de pour toujours, ou quand éventuellement la " ; pour
toujours " ; il ait quelque fin.
Article Deux
Tout Poète pourra diviser sa folie, passion et sensibilité avec mille
amours, donc à tous réellement il aimera avec le même prélude
dans les yeux, quelques ailes dans les poches et beaucoup de
cithares enchantées dans l'âme, encore ainsi, sans mouchoir et
sans document.
Parágrafo Único
Nenhum Poeta poderá ser traído, a não ser para que a
pobre ex-Musa seja infeliz para todo o resto dos dias
que lhe caibam na tábua de carne desse Planeta Água.
Artigo Três
Nenhum Poeta padecerá de fome, de tristeza ou de
solidão, até porque a tristeza é a identidade do Poeta,
a solidão a sua Pátria, sendo que, a fome pode muito
bem ser substituída num abismo terminal por rifle ou
cianureto. E depois, um poeta não precisa de solidão
para ser sozinho. É sozinho de si mesmo, pela própria
natureza, com seus encantários, santerias, ninhais,
mundo-sombra e baladas de incêndio.
Artigo Quatro
A Mãe do Poeta será o magno santuário terreal de seus
dias de lutas e sonhos contra moinhos e erranças de
gracezas e iluminuras.
Filho de Poeta será como caule ao vento, cálice de
liturgia, enchente em rio: deverá adaptar-se ao Pai
chamado de louco por falta de lucidez de comuns
mortais ou velado elogio em tácita inveja espúria.
Paragraphe Unique
Aucun Poète pourra être trahi, excepté pour que le pauvre ex-Musa
soit malheureux pour tout le reste des jours qui lui contiennent dans
la table panneau de viande de cette Planète de l’eau.
Article Trois
Aucun Poète souffrira de faim, de tristesse ou de solitude, même
parce que la tristesse est l'identité du Poète, la solitude sa Patrie, en
étant que, la faim peut très bien être substituée dans un abîme
terminal par fusil ou cyanure. Et ensuite, un poète non précis de
solitude pour être seul. C'est seul de lui même, par la nature elle-
même, avec leurs enchants, santerias, bers des oiseaux, brune-
monde et ballades d'incendie.
Article Quatre
La Mère du Poète sera le grand sanctuaire terreal de leurs jours de
luttes et rêves contre des moulins et grand erreurs de graces et
iluminures.
Fils de Poète sera mange tige au vent, calice de liturgie, inondation
dans fleuve : devra s'adapter au Père appel de fou faute de lucidité
de communs mortels ou veillé compliment dans tacite envie fausse
et spurie.

Artigo Quinto
Nenhum Poeta será maior que seu país, nenhuma
fronteira ou divisa haverá para o Poeta, pois sua
bandeira de luz-cor será a justiça social, pão, vinho,
maná, leite e mel, além de pétalas e salmos aos que
passaram em brancas nuvens pela vida. E depois, uns
são, uns não, uns vão, uns hão, uns grão, uns drão – e
ainda existem outros.
Artigo Sexto
A todo Poeta será dado pão, cerveja, amante e paixão
impossível, o que naturalmente o sustentará mental e
fisiológicamente em tempos tenebrosos ou de vacas
magras, de muito ouro e pouco pão.
Artigo Sétimo
Nenhum Poeta será preso, pois sempre existirá, se
defenderá e escreverá em legítima defesa da honra da
Legião Estrangeira do Abandono, à qual se sabe
pertencer, com seu butim de acontecências, ou seu
não-lugar de, criando, Ser, estar, permanecer,
continuar, feito uma letargia, um onirismo, uma
catarse, ou um surto psicótico que os anjos chamam
alumbramento terçã.

Article Cinquième
Aucun Poète sera plus grand que son pays, aucune frontière ou
devise aura pour le Poète, donc son drapeau de lumière-couleur
sera la justice sociale, le pain, le vin, la manne, le lait et le miel,
outre des pétales et des psaumes auxils lesquels ont passé dans de
blancs nuages par la vie. Et ensuite, ils sont, non, vont, uns ont, un
grain, une moulin - et ils encore existent autres.
Article Sixième
Pour tout les Poètes sera donné du pain, de la bière, en aimant et
de la passion impossible, ce qui naturellement le soutiendra mental
et physiologiquement dans des temps ténébreux ou de vaches
maigres, de beaucoup d'or et de peu de pain.
Article Septième
Aucun Poète sera prisonnier, donc toujours il existera, se défendra
et écrira dans légitime défense de l'honneur de la Légion Étrangère
de Abandonement, auquel il se sait appartenir, avec sien butim
d'acontecências, ou sa place de, en créant, Être, être plus um fois,
rester, continuer, fait une léthargie, une onirisme, une catharsis, ou
un foyer psychotique que les anges appellent Le tierce alumbrament
Artigo Oitavo
A infinital solidão do espaço sempre atrairá os Poetas.
Artigo Nono
Caso o Poeta "viaje fora do combinado", tome licor de
ausência ou vá morar no sol, nunca será pranteado o
suficiente, nem lhe colocarão tulipas de néon, dálias
aurorais, estrelícias de leite ou dente-de-leão sob o
corpo que combateu o bom combate. Será servido às
carpideiras, amigos, parentes, anjonautas e guardiões,
vinho de boa safra por atacado, cerveja preta mais
bolinhos de arroz, pão de minuto e cuque de fubá
salgado.

Article Huitième À infinital solitude de l'espace toujours il attirera les
Poètes.
Article Neuvième
Cas le Poète " ; il voyage excepté de combination",qu’ il prenne de
la liqueur d'absence ou aille vivre dans le soleil, jamais ne sera pas
pleuré assez, ni lui ne placeront pas de tulipes de néon, lês dálies
de l’ aurore, estrelícies de lait ou pissenlit sous le corps qui a
combattu le bon combat. Il sera servi aux carpideirèes, à amis, à
parents, à des voyzgeurs d’espace et à gardiens, à vin de bonne
récolte en gros, à bière noire plus petits gâteaux de riz, à pain de
minute et cuque de fubá salée.

Artigo Décimo
Poeta não precisará mais do que o radar de seus olhos,
as suas mãos de artesão sensorial no traquejo do
cinzel interior, criativo, mais sua aura abençoada e seu
halo com tintas de luz timbral para despojar
polimentos íntimos em verso e prosa, como
pertencimentos-quireras, questionários e renúncias.
Artigo Décimo-Primeiro

Poeta poderá andar vestido como quiser, lutar contra
as misérias e mentiras do cotidiano (riquezas impunes,
lucros injustos, propriedades roubos), sempre
buscando pela paz social, ou ainda mamando na utopia
de uma justiça ético-plural-comunitária. Quem gosta
de revolução de boteco é janota boçal metido a
erudição alcoólica e pseudo-intelectual seboso e
burguês. Poeta gosta mesmo de humanismo de
resultados. De pegar no breu. A luta continua! Saravá,
Brecht!

Article Dixième
Poète dont n'aura besoin plus le radar de leurs yeux, leurs mains
d'artisan sensoriel dans la experience artesanal de cinzel intérieur,
créatif, plus leur dorée bénie et leur halo avec des encres de lumière
timbral pour dépouiller des polissages intimes dans vers et causent,
mange des pertenciments de rêve, questionnaires et résignations.
Article Onzième
Poète pourra marcher tenue comment vouloir, combattre les
misères et les mensonges du quotidien (richesses impunis, profits
injustes, propriétés vols), toujours en cherchant par la paix sociale,
ou encore téter dans l'utopie d'une justice étic-plural-comunitère.
Qui aime révolution fait em petit bar est un janote embout mis
l'erudição alcoolique et la pseudo intlectuèlle grasse de les le
bourgeois. Poète aime même l’ humanisme de vrai e eftives
résultats. De recueillir dans le brai. La lutte continue ! Saravá,
Brecht !

Artigo Décimo-Segundo
Poeta pode ser Professor, Torneiro-Mecânico,
Operário, Ourives, Jardineiro, Fabricante de Bonecas,
Vigia-Noturno, Engolidor de Fogo, Entregador de
Raposas, Dono de Bar ou Encantador de Freiras
Indecisas. Poeta só não poderá ser passional,
insensível, frio ou interesseiro. Ao poeta cabe apenas
o favo de Criar. O poeta escreve torto por linhas tortas
(um gauche), poesilhas (poesia rueira e descalça) e
ficção-angústia. Escreve (despoja-se) para não ficar
louco...para livrar do que sente. O Poeta, afinal, é um
"Sentidor" com sua angústia-vívere
Artigo Décimo-Terceiro
Se algum Poeta for acusado levianamente de alguma
eventual infração ou crime, a dúvida o livrará de ser
apenado. E se o Poeta dizer-se inocente isso superará
palavras acima de todos e sua fala será sentença e lei
sagracial. A ótica do Poeta está acima de qualquer
suspeita, e ele sempre é de per-si mesmo o local do
crime da viagem de existir. Mas pode colaborar com as
autoridades, cometendo um crime perfeito. Afinal, só
os imbecis são felizes.

Article Douzième
Poète peut être Enseignant, Tournièr - mécanique, Ouvrier, Orfèvre,
Jardinier, Fabricant de Poupées, guard dans La nuit, avaleteur de
feu,transporteur de renards, Propriétaire de Barre ou Charmeur
fascinateur de Soeurs Indecises. Poète ne pourra seulement pas
être passionnel, insensible, froid ou intéressé. Au poète contient
seulement l'alvéole De créer. Le poète écrit tors par des lignes des
tourtes (un gauche), poesilhas (poésie de las rues ouvertes et
déchausses et la ficcion - angustie. Il écrit (il se dépouille) pour que
ne soient pas fou… pour exempter dont il sent. Le Poète, après tout,
est une " ; Sentidor" ; avec sien “angústia-vívere”
Article Treizième
Si quelque Poète soit accusé frivolement de quelque éventuelle
infraction ou de crime, le doute l'exemptera d'être puni. Et si le
Poète se dit innocent cela dépassera des mots au-dessus de tous et
sa parole sera jugement et loi sagracial. L'optique du Poète est au-
dessus de quelconque soupçonne, et il toujours est de per-si même
le lieu du crime du voyage de d'exister. Mais il peut collaborer avec
les autorités, en commettant un crime parfait. Après tout, seulement
les imbéciles sont heureux.
Parágrafo Único
Poeta não erra. Refaz percursos. Poeta não mente.
Inventa o inexistente, traduz o impossível, delata o
devir. Poeta não morre. Estréia no céu. Poeta padece
fibra por fibra no ser-se de si mesmo
Artigo Décimo-Quarto
Aos Poetas serão abertas todas as portas, até as
invisíveis aos olhos vesgos e comuns dos mortais
anônimos, serão abertos todos os olhos, todas as
almas, todos os caminhos, todas as chamas, todos os
cântaros de lágrimas e desejos, todos os segredos
dessa dimensão ou fora dela, num desespelho de
matizes, feito insofrência do desmundo.
Artigo Décimo-Quinto
A primeira flor da primeira aurora de cada dia novo,
será declarada de propriedade do Poeta da rua, do
bairro, do país ou de qualquer próximo Poeta a
confeitar como louco, como ermitão ou pioneiro, de
vanguarda. Em caso de naufrágio ou incêndio, poetas e
grávidas primeiro
Artigo Décimo-Sexto
Não existe Poeta moderno, clássico, quadrado,
matemático como pelotão de isolamento, ou só
aleijado por dentro, pois as flores e os rios não nascem
nunca iguais aos outros, sósias, nem os poemas são
tijolos formais de reboques arcaicos. Nenhum Poeta
poderá produzir só por estética, rima ou lucro fóssil.
Poesia não é para ser vendida, mas para ser dada de
graça. Um troco, um soneto, uma gorjeta, um haikai,
um fiado pago, uns versos brancos, um salário do
pecado, um mantra-banzo-blues-lundu. E todo
alumbramento é uma meia viagem pra Pasárgada.

Paragraphe unique
Poète ne manque pas. Il refait des parcours. Poète non esprit. Il
invente l'inexistant, traduit l'impossible, dénonce le devenir. Poète
ne meurt pas. Il étrenne dans le ciel. Poète souffre fibre par fibre
dans l'être de lui même
Article Quatorzième
Aux Poètes seront ouvertes toutes les portes, jusqu'aux invisibles
aux yeux louches et communs des mortels anonymes, seront
ouvertes tous les yeux, toutes les âmes, tous les chemins, toutes les
flammes, tous les cruches de larmes et les désirs, tous les secrets
de cette dimension ou excepté d'elle, dans une non reflexion de
nuances, de fait insondable de la nouvelle desfiguration Du monde.
Article Quinzième
Première fleur de première aube de chaque jour nouveau, sera
déclarée de propriété du Poète de la rue, du quartier, du pays ou de
tout proche Poète à confire comme fou, comme ermite ou pionnier,
d'avant-garde. Dans le cas de naufrage ou d'incendie, poètes et
femmes enceintes premier
Article Seizième
N'existe pas Poète moderne, classique, carré, mathématicien je
mange peloton d'isolement, ou seulement blessé en-dedans, donc
les fleurs et les fleuves né jamais égaux aux autres, à sosies, ni aux
poèmes sont des briques formelles de remorques archaïques.
Aucun Poète pourra produire seulement par esthétique, rime ou
gagne fossile. Poésie n'est pas pour être vendu, mais pour être
donnée de grâce. Un je change, un sonnet, un pourboire, une
haikai, une filure payé, des vers blancs, un salaire du péché, une
mantra-banzo-blues-lundu. Et toute alumbrament est un demi
Voyage piur Le règne de Pasárgada où Là Le poete c’est toujours
l’ami de le roi.
Poeta é tudo a mesma coisa, com maior ou menor grau
de sofrimento e lições de sabedoria dessas sofrências,
portanto, com carga maior ou menor de visão, lucidez,
sensoriedade canalizada entre o emocional e o
racional, de acordo com a sua bagagem, seu vivenciar,
seu prisma existencialista de bon vivant por atacado.
Poeta há entre os que pensam e os que pensam que
pensam. Entre os que são e os que pensam que são,
pois se parecem. A todos é dado a estrada de tijolos
amarelos para a empreita de uma caminhada que o
madurará paulatinamente. Ou não. Todo poeta é
aprendiz de si mesmo, em busca de uma pegada
íntima, e escreve para oxigenar a alma. Afinal, são
todos sementes, e sabem que precisam ser flores e
frutos, para recriarem, para sempre, a eterna
primavera cósmica.Todo aquele que se disser Poeta,
assim o será, ou assim haverá de ser
Parágrafo Um
O verdadeiro Poeta não acredita em Arte que não seja
Libertação. Saravá, Manuel Bandeira!
Parágrafo Dois

Poeta bebe porque é líquido. Se fosse sólido comia.
Parágrafo Três
Poeta é como a cana. Mesmo cortado, ralado,
amassado, ao ser posto na moenda dos dias, ainda
assim tem que dar açúcar-poesia
Inciso Um
Poeta também bebe para tornar as pessoas mais
interessantes.
Parágrafo quatro
Poeta não viaja. Poeta bebe. E todo Poeta sabe que o
fígado faz mal à bebida.
Artigo Décimo-Sétimo
Poeta terá que ser rueiro como pétala de cristal sacro,
frequentador de barzinhos como anjo notívago, freguês
de saunas mistas como recolhedor de essências,
plantador de trigais amarelos como iluminador de
cenários, cevador de canteiros entre casebres de
bosquíanos, entre o arado e a estrela, um arauto pós-
moderno como declamador de salmos contemporâneos
entre extraterrestres.
Parágrafo Único
Poeta rico deverá ainda mais amar o próximo como se
a si mesmo, ajudando os fracos e oprimidos, os Sem
Terra, Sem Teto, Sem Amor, para então se restar bem-
aventurado e poder escrever cânticos sobre a
condição humana no livro da vida. Poeta é antena da
época. E o neoholocausto do liberalismo globalizador é
o câncer que ergue e destrói coisas belas.

Poète est tout le même chose, avec plus grand ou moindre degré
de souffrance et de leçons de sagesse de ces soufriments, donc,
avec chargement plus grand ou moindre de vision, de lucidité,
sensorieté canalisée entre du émotionnel et rationnel,
conformément à ses bagages, sien vivre intensément, à son prisme
existencialiste de Bon vivant en gros. Poète a entre ils que pensent
et ce qui pensent ils que pensent. Entre ils que sont et ce qui
pensent ils que sont, donc ils se semblent. À tous est donnée route
de briques jaunes pour entreprend d'une randonnée que va maturer
progressivement. Ou non. Tout poète est apprenti de lui même, à la
recherche d'une empreinte de pas intimee, et écrit pour oxigenar
l'âme. Après tout elles, sont toutes semences, et savent ils qu'ont
besoin d'être des fleurs et des fruits, pour recréer, pour toujours,
l'éternel printemps cosmique. Quiconque se dire Poète, ainsi le
sera, ou ainsi il aura d'être Alinéa Un Le vrai Poète ne croit pas
dans Art qui n'est pas Libération. Saravá, Manuel Bandeira !
Alinéa Deux
Poète boit parce que c'est liquide. S'il était solide mangeait.
Alinéa Trois
Poète est comme la canne. Même coupé, râpé, malaxé, à l'être
grade dans la mouture des jours, encore ainsi il a qu'il donnera
sucre-poesie Incise Un Poète aussi boit pour rendre les personnes
le plus intéressant. Alinéa quatre Poète ne voyage pas. Poète boit.
Et tout Poète sait que le foie fait mal à la boisson.
Article Dix-septième
Poète aura qu'être homme de La rue je mange pétale de cristal
sacré, frequenteur de bars petits comme ange de La nuit, client de
saunas mélangés je mange recolheteur d'essences, planteur de
champs de blé jaunes mange illuminateur de scénarios, cevador de
marbriers entre des taudis de bosquíanos, entre la charrue et
l'étoile, un héraut pós-moderne je mange déclamateur de psaumes
contemporains entre des extraterrestres.
Alinéa Seul
Poète riche devra encore davantage aimer le proche comme si à lui
même, en aidant les faibles et opprimés, Sans Terre, Sans Plafond,
Sans Amour, pour que alors il se reste heureux et à pouvoir écrire
des cantiques sur la condition humaine dans le livre de la vie. Poète
est antenne du temps. Et la neoholocauste du libéralisme
globalizateur est le cancer qui érige et détruit des choses belles.
Artigo Décimo-Oitavo
A todo Poeta andarilho e peregrino como Cristo, São
Francisco ou Gandhi, será dado seu quinhão de afeto,
sua porção de Lar, seu travesseiro de pétalas de luz.
Quem negar candeia, azeite e abrigo ao Poeta, nunca
terá paz por séculos de gerações seguintes
abandonadas entre o abismo e a ponte para a Terra do
Nunca. Quem abrigar um Poeta, ganhará mais um anjo-
da-guarda no coração do clã que então será
abençoado até os fins dos tempos.
Parágrafo único
O sábio discute sabedoria com um outro sábio. Com
um humilde o sábio aprende.
Artigo Décimo-Nono
Poeta poderá andar vestido como quiser, com chapéus
de nuvens, pés de estrelas binárias ou mantras de
ninhos de borboletas. Nenhum Poeta será criticado por
fazer-se de louco pois os loucos herdarão a terra e são
enviados dos deuses. "Deus deve amar os
loucos/Criou-os tão poucos..." - Um Poeta poderá
também andar nu, pois assim viemos e assim nos
moldamos ao barro-olaria de nosso eio-Éden chamado
Planeta Água. E a estética para o poeta não significa
muito, somente o conteúdo é essência infinital.
Artigo Vigésimo
Poeta gosta de luxo também, mas deve lutar por uma
paz social, sabendo a real grandeza bela de ser
simples como vôo de pássaro, simples como pouso em
hangar fantástico, simples como beira de rio ou vão de
cerca de tabuínha verde. Só há pureza no simples.

Article Dix-huitième Le tout Poète andarile et pèlerin comme Christ,
San Francisco ou Gandhi, sera donné sa portion d'affection, sa
portion de Foyer, son oreiller de pétales de lumière. Qui nier
candelabre, huile et abri au Poète, jamais n'aura paix par des
siècles de générations suivantes non abandonnées entre l'abîme et
le pont pour la Terre de Jamais. Qui abriter un Poète, gagnera plus
une ange de guard dans le coeur du clan qui alors sera béni
jusqu'aux fins des temps. Alinéa seul Le savant discute de la
sagesse avec un autre savant. Avec un humble o sage il apprend.
Article Dix-neuvième
Poète pourra marcher tenue comment vouloir, avec des chapeaux
de nuages, de pieds d'étoiles binaires ou de mantras de nids de
papillons. Aucun Poète sera critiqué se faire de fou donc les fous
hériteront la terre et sont envoyés de . " ; Dieu doit aimer les fous/A
créé les aussi peu… " ; - Un Poète pourra aussi marcher nu, donc
nous sommes ainsi venus et ainsi dans nous les moulons à l’ argile-
poterie de nôtre eio-Éden appelé Planète de l’eau. Et l'esthétique
pour le poète ne signifie pas beaucoup de, seulement le contenu est
essence infinital.
Article Vingtième
Poète aime luxe aussi, mais il doit combattre pour une paix sociale,
en savoir la réelle grandeur belle d'être simple mange vol d'oiseau,
simple mange atterrissage dans hangar fantastique, simple je
mange côté de fleuve ou vont d'environ petit bois vert. Seulement il
y a pureté dans le simple.
Artigo Vigésimo-Primeiro
Nenhum Poeta, em tempo algum, por qualquer motivo
deverá ser convocado para qualquer batalha, luta ou
guerra. Mas poderá fazer revoluções sem violência.
Poderá também ser solicitado para ser arauto da paz,
enfermeiro de varizes da alma ou envernizador de
cicatrizes no coração, oferecendo, confidente e
solidário, um ombro amigo, um abraço de ternura, um
adeus escondido feito recolhedor de aprendizados ou
visitador de bençãos, ou até ser circunstancialmente
um rascunhador clandestino de alguma ridícula carta
de suicida por paixão se impôs
Artigo Vigésimo-Segundo
Mentira para o Poeta significa cruz certa. Aliás, poeta
na verdade nunca mente, só inventa verdades
tecnicamente inteiras e filosoficamente sistêmicas...
Artigo Vigésimo-Terceiro
Musa-Vítima do Poeta será enfermeira, psicóloga,
amante, mulher-bandeira, berço esplêndido, Santa.
Terá que ser acima de todas as convenções formais,
pau para toda obra. No amor e na dor, na alegria e na
tristeza, até num possível pacto de morte.
Artigo Vigésimo-Quarto
Poeta não paga pensão alimentícia. Ou se está com
ele ou contra ele. Filhotes sobrevivente de uma
relação qualquer, ficarão sob sua guarda direta e
imediata. Ex-Mulheres serão para sempre águas
passadas que não movem moinhos, como velas ao
vento de uma Nau Catarineta qualquer, como
exercícios de abstrações entre cismas, ou como
aprendizados de dezelos íntimos de quem procura
calma para se coçar.
Artigo Vigésimo-Quinto

Revogam-se todas as disposições em contrário,
CUMPRA-SE - DIVULGUE-SE!

Article vingt et unième
Aucun Poète, dans temps quelques-uns, pour une quelconque
raison devra être convoqué pour toute bataille, combat ou guerre.
Mais il pourra faire des révolutions sans violence. Il pourra aussi
être demandé pour être héraut de la paix, infirmier de varices de
l'âme ou envernizateur de cicatrices dans le coeur, en offrant, le
confident et solidaire, une épaule ami, une accolade de tendresse,
un au revoir caché fait recolheteur d'apprentissages ou un visiteur
de bénédictions, ou jusqu'à être circonstanciellement une copiste
clandestine de quelque ridicule lettre suicidaire par passion s'est
imposée
Article vingt deuxsième
Mensonge pour le Poète signifie croix exacte. D'ailleurs, poète en
vérité jamais esprit, seulement invente des vérités techniquement
entières et philosophiquement sistêmiques…
Article vingt troisième
Muse - victime du Poète sera infirmière, psychologue, en aimant,
femme-drapeau, berceau splendide, Saint. Il aura qu'être au-dessus
de toutes les conventions formelles, le bois pour toute oeuvre. Dans
l'amour et dans la douleur, dans la joie et dans la tristesse, même
dans un possible pacte de décès.

Article Vingt quatrième
Poète non payée pension alimentaire. Ou s'il est avec lui ou contre
lui. Des fistons survivant d'une relation quiconque, resteront sous
leur garde directe et immédiate. Ex-femmes seront pour toujours
des eaux dernières qui ne déplacent pas de moulins, mange des
bougies au vent d'un Navire Catarineta quiconque, je mange des
exercices d'abstractions entre des schismes, ou mange des
apprentissages de dezelos intimes lesquelles cherche calme
s’érafler.
Article vingt cinquième
Se révoquent toutes les dispositions dans contraire,
S'ACCOMPLISSENT - IL que nous faisons La divulgation !
-0-
.www.porta-lapsos.zip.net
E-mail: poesilas@terra.com.br
Itararé-São Paulo, Brasil

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Resenha Porta Lapsos, Livro de Silas Correa Leite




Livro Porta-Lapsos, Poemas, de Silas Correa Leite


Nunca Aprendi a Resenhar

Tenho um bom amigo, poeta de primeira, homem de repentes inteligentes e causos insólitos, que tem como seu o lema de Tolstoi, algo que se refere a se ser universal falando sobre sua aldeia. O seu nome é Silas Correa Leite, e, apesar da vastidão do seu canto, o seu mundo é a cidade de Itararé, na divisa do estado de São Paulo e o Paraná. Aquela mesma, a que onde o humorista Aparício Torelli, foi buscar o “feudo” e, consequentemente, o seu título de Barão.

Quando o humorista Torelli cunhou o título de sua nobreza, muitos – os pobres de espírito – acharam que ele estava ridicularizando aquele burgo. Ledo engano. Torelli, já feito Barão, estava realçando o provincianismo da chamada grande imprensa, a qual, incapaz – por interesses próprios na perpetuação das mazelas impostas ao povo por uma elite governante insensível –, de denunciar o que deveria sê-lo, criavam pseudo-notícias, na tentativa de desviar a atenção do público dos problemas reais da nação.
O nome da pacata Itararé entrou no noticiário – com perdão do lugar-comum – assim como Pilatos entrou no credo. Relacionaram-na com uma batalha que deveria ser decisiva para a Revolução de 30 – ou teria sido da Revolta reacionária de 32? Não importa. Importa, sim, que o que o humorista fez foi mostrar quão ridícula era a nossa grande imprensa, pois ela sabia que jamais haveria batalha nenhuma. Daí que o humorista ter a sua pretensão nobiliária com a assertiva de que sido aquela “a maior batalha dos tempos modernos, que não houve”.

Desviei o tema sobre o meu amigo, o poeta Silas Correa Leite, para seu torrão natal, Itararé, dele passei ao Barão do mesmo nome, não foi apenas por divagação, mas também porque nunca aprendi a resenhar. E como o meu desejo é falar um pouco da obra desse vate de Itararé, fica evidente que estou em papos-de-aranha. Porque – repito – nunca aprendi a resenhar.

Conheço dele apenas três livros: Assim Escrevem os Itacareenses – que, como o título sugere, é uma antologia de autores locais – Campo de Trigo com Corvos – Contos – e Porta-Lapsos – Poemas.

Seus contos são contundentes, às vezes irônicos, não isentos de nonsense; outras tristes, buscando mão mostrar sofridas lágrimas. Sua poesia, no entanto, que muitas vezes funciona como um chute na canela – desses que estão a dizer-nos, desperta ô cara! – é de uma originalidade a toda prova. Nelas a alma chã – porém fecunda – do nosso povo está sempre presente. Silas é um menestrel que canta não a gota de orvalho, mas o reflexo da primeira luz da aurora, quando o raio de sol extrai um minúsculo arco-íris de um nada líquido. Por isso é mister dizer – e constatar – que em seus versos há muito da cintilação do silêncio. Não do silêncio mortal da solidão, mas cheio da sonoridade canora dos pássaros matinais. Lê-lo em voz alta, isto é, ouvi-lo, é-se obrigado a deixar escapar, por entre um trejeito sonolento, o sorriso que é preciso rir durante o dia para que a vida seja menos árdua. Por isso – e por muitas outras sutilezas – ao ler a poesia de Silas e seus contos – lembro-me de Saramago, quando diz: “[...] mas há pessoas a quem atrai mais o duvidoso que o certo, menos o objecto do que o vestígio dele, mais a pegada na areia do que o animal que a deixou, são os sonhadores, [...]”

Silas Correa Leite é um sonhador.

Oxalá ele nunca os realize, pois assim nunca deixará de sonhar.

Araken Passos Vaz Galvão Sampaio,
Araken Vaz,
Ou, em minha terra, Galvão.
• -Promotor Cultural, Cineasta, Historiador e Literato
Valença, Bahia, Brasil.
www.arakenvaz.blogspot.com
www.olobo.net

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

NOTÍCIAS DA CÂMARA MUNICIPAL DE ITARARÉ: :: Vereador Sandro busca ajuda para exploração de água e esgoto ::

REPASSANDO
Denúncia
SABESP CONVENTE COM A CORRUPÇÃO EM ITARARÉ?
A SABESP QUERR ASFALTAR RUA HISTÓRICA DE ITARARÉ QUE NÃO PRECISA DE ASFALTO, VISA COBRIR PARALELEPÍPEDOS CENTENÁRIOS, ACERVO HISTÓIRICO DA CIDADE HISTÓRICA
-O que realmente está por trás disso? Quem vai ganhar por fora com isso? Quanto cada parte envolvida espera levar de vantagem ilícita com esse despropósito amoral?

Era de se esperar que uma empresa como a SABESP, pelo nome da empresa e devido respeito aos acionistas, deveria honrar seus compromissos, fazer a coisa certa, pagar suas dividas, tudo de forma transparente e, ainda mais, ligada a políticas coletivas idôneas mesmo, sempre pautando pela ética nas relações com administradores do interior do estado, nunca em atos duvidosos, atitudes e relações suspeitas, muito menos ligadas a condenados corruptos políticos de cidades em que a corrupção impera e a impunidade ainda sonha com uma justiça atuante, determinada, talvez com a ajuda do grupo chamado GAECO, ou mesmo com uma Força Tarefa da Policia Federal agindo no município.
O prefeito de Itararé, envolvido em corrupção das grossas, com comissões de inquérito correndo, com o juiz decretando seu afastando e estando o processo subjudice, e, estando a SABESP em dívida antiga e notória com o município carente, tendo feito finalmente (divida antiga) um aterro sanitário que está sendo questionado por uso indevido de materiais perigosos, sendo cobrada na Câmara Municipal de Itararé pelos Vereadores Sandro Heleno, Cristhina Ghizzi e Dr Willer, entre outros, em fez de agir de forma correta e depositar em juízo o alto valor de há muito devido, em vez de pagar suas contas para que a prefeitura possa usar o dinheiro de forma honesta e com fito sócio-ambiental, lamentavelmente fez uma espécie estranha e suspeita de “acordo de bastidores” (para dizer o mínimo), pactuando que iria “dar de presente”(...) o asfalto da rua principal da cidade, a Rua São Pedro, tradicional com seus paralelepípedos quase centenários, rua bela que não precisa de asfalto, e quando a própria acidade como um todo, também na atual gestão está abandonada, cheia de buraco, feia, e quando a SABESP, se se valesse de bom senso e idoneidade prática e funcional ajudaria a cuidar de outras área da cidade, inclusive dos desmandos estéticos, urbanos, a própria periferia carente precisando, do que esse estranho, suspeito e contraproducente “asfaltamento” (falso) do que não precisa ser realmente ser asfaltado, é gastar dinheiro em vão...
Corruptos e ladrões da cidade, antes, em todas as esferas, tentaram “asfaltar” (cobrir com uma manta mas cobrando o preço de uma caríssima estruturação toda), e iriam repartir entre eles o quantum entre o custo real e o custo forjado, tendo ocorrido denúncias e as máfias e quadrilhas não consumaram o roubo, o acordo, o rombo, o desvio do erário público, precisava agora que a SABESP que deve ter um nome para zelar, entrasse nessa situação, se envolvesse nesse problema, em momento de suspeita corrupção em Itararé, fazendo o que não precisa ser feito, tudo muito mal explicado, não se sabendo porque não fez antes, porque não pagou o que devia, porque está se envolvendo nessa falcatrua, por assim dizer, agora, de reformas que não vão reformar nada, talvez desvio de verba, todos ganhando, menos Itararé, certo? Vergonhoso.
Ivan Sobral de Oliveira em fotos nos jornais de Itararé, reunido numa boa com um prefeito que está sendo investigado, Antonio Tadeu Gurgel Mendes no meio, entre outros servidores da SABESP que deveriam defender o nome da empresa, não fazerem alianças espúrias, suspeitas, endossando o erro, o errado, ao lado de um prefeito que pode novo ser cassado a qualquer momento e eles correrem riscos, a empresa também, em implicações-juridico-criminais. O que a SABESP realmente sabe, o que realmente quer? A alta direção da empresa sabe o que realmente o corre por trás, na verdade, nos bastidores, quem vai ganhar e quanto para cada um, já que a cidade perde, o município perde, a ética perde, apropria transparência?
Asfaltar uma Rua que não precisa de asfalto? Quem é que vai ganhar com isso? Por que SABESP não fez o que deveria ter feito antes, ou não pagou as sanções devidas, ou depositando o quantum em juízo? Que negociata suja é essa?
MGLARANHA
Jornalista, Publicitária
mglaranha@bol.com.br – Maria da G. L. M. Aranha

sábado, 17 de setembro de 2011

O Povo de Itararé Contra a Corrupção em Itararé







Corrupção em Itararé-SP, Corrupção e Impunidade em São Paulo, Capital e Estado, Corruptos do Brasil desde 1500






Agindo no microespaço contra a histórica corrupção sistêmica desde 1500 e a impunidade generalizada como em Itararé ou mesmo em SP (blindada pela midia corrupta tipo Veja, Estadão, Folha Rede Globo), podemos a médio e longo prazo então criticarmos e mudarmos a corrupção no macroespaço. Itararé na rota certa. A batalha é nossa mas o povo é a razão. Sempre haverá Itararé!


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pequena Fortuna Crítica de Silas Correa Leite, Primeiro Rascunho e Resumo

Literato Silas Correa Leite, de Santa Itararé das Letras, Entrevistado pela Jornalista Márcia Peltier, Rede Band, Programa Jornal da Noite, Momento Cultural, Estúdio Rio deJaneiro




Pequena Fortuna Crítica – Silas Correa Leite


1.Álvaro Alves de Faria, Jovem Pan, após Entrevistar o Escritor Silas Correa Leite

“Silas Corrêa Leite é um poeta criativo. A sua narrativa é de uma linguagem de hoje. Sua construção poética começa pelo título do livro ‘Porta-Lapsos’ (Poemas). Um poeta que sabe desse oficio de escrever poemas com uma linguagem poética cativante”

Jornalista e Poeta Álvaro Alves de Faria, Rádio Jovem Pan de São Paulo, Fragmento



2. Ana Carolina Xavier, Fragmento de Resenha Crítica, CMI Noticias,

“Quem lê Silas Corrêa Leite jamais esquece. Adora sua loucura-lucidez, seu talento e estilo todo próprio de dizer na lata o que lhe cabe como metáfora”

Ana Carolina Xavier, Jornalista, CMI Noticias, São Paulo



3.Sobre CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, ALGUNS SÍMBOLOS DA PERPLEXIDADE

O título, sumamente concreto e substantivo, impele ostensivamente para zonas sensoriais e pictóricas. No entanto, “Campo de Trigo com Corvos” não é mera reprodução do quadro de Van Gogh onde o trigo, amarelo, eivado das chamas loucas do pintor, escorraça de seu seio o bando negro dos corvos. No livro, muito para além dos afugentados, corvos há que permanecem pairantes ou, mais ainda, baixando ao rés do solo jogam-se contra as pessoas provocando a clivagem. E esta fórmula aproxima os textos de uma realidade mais humana(...). Mas, na arte de contar estórias, e é um pouco do que se trata aqui, o texto recorre globalmente a técnicas específicas da pintura. Designadamente, dos seguintes modos: Os fatos sucedem-se em tom linear, contíguos ou adjacentes, em direção a um desfecho, previsível ou não, podendo-nos apropriar neste caso da imagem do rio que decorre e atravessa a paisagem rumo à foz. A disposição da narrativa procede à colocação ou disposição de cenas paralelas, quadros que se encostam na vertical, ou na horizontal, às vezes na diagonal. Lembrando um pouco os vitrais medievais que ainda hoje se encontram nas catedrais. Postado na posição do personagem, o narrador reavém e sintetiza em frases-cristais largas faixas de vida transcorrida. São parágrafos breves, como riscos impressionistas e apressados, que intentam ou ensaiam remover um vulto de episódios para um mínimo centro, na vã tentativa de os aprisionar.(...). Por outro lado, mais do que abordagens textuais que imitam técnicas fílmicas ou de vídeo, nota-se um apropriar de materiais atinentes ao teatro. Desde logo, na encenação criteriosa e fiel de palcos que suportam os personagens, a reconstrução de sítios, locais, ambientes ou atmosferas.(...) Alguns títulos, algumas frases, preparam para ocorrências posteriores do conto. É uma espécie de levantar do véu, destapar de roupas femininas, jogo de sedução e permeio. Que muitas vezes pode desaguar num dos recursos anteriores, anulando ou aparelhando os efeitos: o imprevisto. Mas, o mais robusto de todos os recursos é o golpe-de-teatro. Repare-se que a própria palavra de que vimos falando integra a nova palavra, esta, aliada a golpe. Quando tudo se encaminhava no rumo certo, quando a rotina ou a monotonia se estavam solidificando, eis que de supetão tudo se desmorona, tudo se transtorna, ficamos submersos nas estrias que estouraram sobre nossas cabeças, fica tudo de pernas ao ar, a mesa, a casa, o livro, o corpo, a mente. Apesar de usado e abusado, o conto produz-se hoje em doses avulsas. A despeito de sua condenação, final da história e seus componentes-trave: narração, tempo e espaço, decretados pelo noveau-roman(...). Não basta hoje dispor magnanimamente da arte de contar. Não basta, como a Silas Corrêa Leite, ser um domador de estórias. É condição, ainda e nomeadamente, inventar histórias, seu entrechocar, prover à invenção de uma “história nova(..) Existe a história que é canto, beco e síntese(...). Existe a história que se traduz inteira e integral (...). Existe a que se senta na paragem, recusa avançar de momento e aguarda o porvir(...). Existe a história que se metamorfoseia em lenda, veste-se mágica, irreal (...). Existe a história contida, espelho de deserto dos tártaros, com tempestade iminente mas que não desaba em “Campo de Trigo com Corvos”. Mas todo livro é ou pretende ser uma obra literária. E é só isso que importa. Obtê-lo, consegui-lo, é todo o mérito e o valor acrescentado possível. Também aqui se obteve largamente esse desiderato. Observemos alguns dos meios. Ou fins. Deitando mão de uma linguagem que, afora o popular, o linguajar, a gíria, agarra os elementos específicos de dialetos, sintaxe indígena, eivando a escrita de vocábulos originados do tupi. Exercitando uma experiência genialmente rasgada noutros países de língua de expressão portuguesa por Mia Couto e Luandino. Dando o braço à metáfora, à imagem em novos moldes, revitalizando os textos. E desse modo obtendo o viço, a chispa, o engaste de muitas frases. Alongando a metáfora, expandindo-a, cingindo-a a personagens inteiros ou à globalidade do conto. Metáfora que se transforma em alegoria (...) E neste particular merece realce a intensa e não pretensa construção de novos vocábulos. Fruto de tentativas ou abordagens díspares. Usando a colagem, a composição, errônea em aparência mas sempre imprevista, como no caso de “esposa-vítima”, “vento-coisa”, “nuvem-lesma”, “instante-trevas” ou “lebre-dor”. Recorrendo à síncope, como se verifica em “marra” e “garra”. Provocando a junção, de que poderemos enunciar “enfebre”, “nágua” e “cinzazul”. Adstringindo a preposição, prefixada, em “de-vereda”, “de-assim” e “de-primeiro”. Neste campo, de trigo literário, em que muitas letras são corvos, entendo que o mais subtil e profundo recurso resulta do germinar de vocábulos novos, que estimulam os acordes da sintaxe, da fonologia e da morfologia. Realizando cambiâncias, muito pouco vistas e nada pouco inesperadas. Ousando obter o substantivo a partir do verbo, do adjetivo, ou mesmo do próprio substantivo. Obtendo ligas que só ao alquimista são permitidas (...). Do inúmero número de vocábulos em que se verifica um processo de alteração da categoria sintática, ou manutenção sintática por força de novo vocábulo, quer por ação da base quer do derivado, topamos estas nominalizações deverbais: “acontecência”, “havência”, “pertencimento”, “andação” ou “conhecença” (...) Recuando: perante o impasse da estória, notória se torna a premência da exploração de técnicas e moldes e dados inovadores. Porque não basta à ficção reproduzir a realidade ou ser espelho do real. Isso já se fez ou é horta de outras artes. Da perícia autoral depende a superação do real. Mais: a sua subversão(...) E já que entramos na corrente, deveremos referir a mais ousada ousadia presente neste livro. Algo que apelidaríamos de transrealismo. Obter do texto a superação do real, a sua mistificação, submeter e soterrar normas, o erigir de um outro real. Falávamos de artes plásticas. De artes cênicas. De linguística. E, sobretudo, de arte literária. E corrente. Literária, claro, mas não só. Tudo muito apreciado. Mas então, e a vida? Porque é o sangue dela que muitos pretendem, ou preferem ver escorrer das letras dos livros. Diria: Existe, como metáfora da terra, e dela, a vida, um extenso campo de trigo. E pequenos pontos negros no meio do trigo, os corvos. Este é o palco, é aqui que tudo decorre. Com o sol por testemunha ou sob o céu noturno. Os pequenos pontos negros por vezes exaltam-se. Rebelam-se. Ficam loucos. Pode dar na destruição de todo o enorme campo. De trigo. E é assim que a vida se eleva (mesmo quando derrubada). Porque ela é em simultâneo
Luz e escuro
Branco e negro
Gozo e dor
Água e fogo
Campo de Trigo e Corvos.

Antero Barbosa – Literato de Porto, Portugal (Poema, Ficção, Ensaio). Licenciado em Estudos Portugueses, Diretor de Escola de Ensino Superior. Crítico Literário, autor dos livros “Contextos” (Contos) e “Ramos e de Repente (Poemas). Prêmio de Poesia Brétema, 1990, e Prêmio Trindade Coelho, 2005.



4. Porta-Lapsos – A Poesia de um Neomaldito do Reino da Net, Resenha, Fragmento

Quem conhece a capacidade produtiva do Poeta e Ficcionista premiado (e tachado de o “Rei da Web”) Silas Corrêa Leite, fica só cismando quando sabe que o escritor de raríssimo talento vai lançar um livro de poemas, que o trabalho literário é denominado “Porta-Lapsos” e que, começa sim, com esse nomaço que, de cara é mesmo um achado e tanto de título, muito bem (novamente) sacado pelo famoso e pop (e cult?) neomaldito da Internet. (...) Mas isso não é nada, perto do que ele pode e faz e cria, apronta estupendamente, com uma lucidez e vivacidade fora do comum. Escreve poemas, contos, microcontos, artigos, críticas, ensaios, letras de rocks e blues, e tudo isso depois de trabalhar 12 horas por dia, em dois trampos, e ainda ter que dormir e tomar umas & outras que ele é um cervejólogo de marca maior. Não é possível? Taí o osso da minhoca: ele ainda estuda, lê pra caramba, ama os parentes, é adorado pelos amigos, tem até um leque de bem eleitos cobaias leitores virtuais e um elenco fixo de babões da trupe “Leia Silas”.(...) O melhor elogio que ele sempre recebe e muito é: Silas, você não existe! Virou uma lenda. Maldito, modo de dizer. Elogioso. Eclético, polivalente, multimídia e vai por aí o mito. E ainda bom de trocadilhos, de causos, de humor. Faz orelhas de livros, prefácios de livros (...) Você pesquisa o nome dele no Cadê ou Google e vê como funciona a ferramenta virtual buscadora. Como é que pode? Ele diz que gosta mais de escrever do que de existir. Surto? Corre lendas sobre ele pelo mundão da Internet. Curiosidades, invencionices, mentiras, pajelanças. E sua Estância Boêmia de Itararé chega a ser tão popular como Compostela, Dublin, Jerusalém, Israel. Fanatismo puro. Tudo está lá, tudo é lá, o céu pode esperar. Alguns pregam (mentem): O Silas Corrêa Leite não existe. São vários escrevendo por ele... Porta Lapsos é um mosaico de seus vários poemas (e estilos) em recolhes de quase 35 anos, contendo haicais lindos, mantras maviosos, versos brancos em preto e pranto. Muitos deles publicados em antologias do Brasil e do exterior. Quer mais? “Ser poeta é a minha maneira/De chorar escondido/Nessa existência estrangeira/Que me tenho havido”. Esse poemeto é a assinatura-telúrica dele. O que esse E.T. está fazendo aqui? Porta-Lapsos tem a coragem de ser bonito-simples, de ser corajoso-contemplativo, de ser uma antologia de si mesmo. E o danado ainda conta palha de auto-exilado em Sampa: “O relacionamento meu com Itararé é sempre lírico-meditativo, e quero a minha estância boemia impressa na consciência do mundo, para alegrar a rudeza pegajenta do mundo”. Esse é o Poeta Silas Corrêa Leite, um crítico social, um jornalista comunitário, um teórico da educação, um ousado que sabe que “palavras inocentes são insensatas”(Bertold Brecht). Por isso é perigoso para o sistema dos podres poderes. Nessa desvairada marginália de Sampa ele pinta e borda, ruge e apanha, critica e chuta o pau da barraca, é processado e blefa, faz das tripas coração, com seus cantares de amor & de escárnio, sendo uma espécie de Homero querendo sempre voltar para casa, tirando poemas do lodo inesgotável da condição humana. Jean-Paul Sartre se reafirma em Silas Corrêa Leite: “Escrever é uma atividade essencialmente ligada à condição humana(...): é o uso da linguagem para fixar a vida” Vejo-o na trajetória de uma espécie tropical de Christian Andersen, só que escrevendo sobre o pântano dos adultos, com sua ficção-angústia, sua angústia-vívere, seu desmanche íntimo, feito um peregrino com suas sandálias de humildade. Quando você o lê com máxima atenção, tudo dele, tudo o que ele escreve, tudo o que ele verte, você passa a respeitar o cara e, pior, ter medo que ele pare de se pôr pra fora, de escrever a alma humana confundida nesses tempos tenebrosos que ele desafia, enojado, feito um arauto da dor de resistir. É isso aí: Porta-Lapsos. A cara e a coragem de ser bonitamente apenas isto nesse livro: poeta ele mesmo pela própria natureza. Ai de nós!

Fragmento de Resenha Crítica de Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print, SP, Antonio T. Gonçalves, Jornalista e Professor Universitário



5.Diário Popular, em Reportagem e Entrevista com Silas Correa Leite, sobre o seu e-book de sucesso, O Rinoceronte de Clarice

“Os internautas ganham a possibilidade de escolher um final de 11 contos que integram o livro de ficções Virtual, O Rinoceronte de Clarice”

Diário Popular (São Paulo,) Caderno Informática, fragmento



6. Folha de São Paulo sobre o Escritor Silas Correa Leite

“Escritores do Brasil, liderados pelo Poeta Silas Corrêa Leite, manifestam-se contra o fim do jornal literário Nicolau, do Estado do Paraná”

Folha de São Paulo, Caderno Folha Ilustrada, fragmento de reportagem



7. Sobre o CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design, Silas Correa Leite, Jediel Gonçalves-Freydier, da França

Caro Silas Correa Leite: Terminei seu livro hoje pela manhã. Nunca demorei tanto para ler um livro. Li com todo o cuidado e olhar intrigado que seu texto pediu de mim. Resultado final: sua escrita toca alguns pontos nevrálgicos... tem um quê de "jequismo sábio"... Alguns personagens (desde os vagabundos e bêbados) que soltam frases que me chamam para prestar atencão em cada pontilhado delas, nas suas frases serpenteiam o que chamo de simplicidade iluminadora. Tem um quê de simples, porém de uma organicidade complexa, relutante contra a literatura fácil. É realmente uma escrita muito bem cuidada, pautada no apego a uma língua estranha, uma língua talvez paternal; de uma língua média que se coloca entre o sábio interiorano e o leitor, uma língua cheia de estranhezas e de formas inteligentes... uma língua bárbara! Vou reler novamente porque sei que tem algo que me escapou nessa primeira leitura. Sinto que tem algo que vem por debaixo dessa sintaxe incrível e que me deixou inquieto. Deixo aqui meu abraço.

Jediel Gonçalves-Freydier é brasileiro,s trabalha na Université de Provence Aix-Marseille. Mora em Marselha, França, é “écrivain, professeur de littérature, critique littéraire et traducteur”. Estudou “Littératures Françaises” na instituição de ensino Université de Provence Aix-Marseille



8.Jornal da Tarde, Noticia Sobre o e-book de sucesso, O Rinoceronte de Clarice, Primeiro Livro Interativo da Rede Mundial de Computadores

“O e-book ‘O Rinoceronte de Clarice” de Silas Corrêa Leite, oferece ao leitor a possibilidade de escolher o melhor final dos contos que mais lhe agradem” (Fragmento)

Jornal da Tarde (São Paulo), Caderno Variedades



9. Resenha Mídia Independente, São Paulo

“Campo de Trigo Com Corvos’ é um livro de contos no belíssimo palco boêmio de Itararé. Linguagem típica com surrealismo e mesmo o realismo fantástico do autor. Técnicas, vôos, criações, enlevos, símbolos de perplexidade”

Lúcia Camargo Antunes, Mídia Independente, Jornalista, fragmento



10. MOACYR SCLIAR SOBRE O Livro Campo de Trigo Com Corvos, Contos Premiados, Editora Design, Santa Catarina, finalista do Prêmio Telecom Portugal

“O que chama a atenção no texto de Silas Correa Leite é o prazer que o autor sente em narrar, prazer este que se transmite ao leitor como um forte apelo - o apelo que se espera da verdadeira literatura. Estamos diante de uma inegável vocação de escritor”.

Moacyr Scliar, em e-mail direto ao escritor Silas Correa Leite



11. Os Poemas de Silas Correa Leite, pela Mestra Maria Apparecida S. Coquemala

“...as talentosas criações do Silas, poeta e contista maior,
que elevou Itararé à condição de Aldeia Sagrada.”

Maria Apparecida S. Coquemala, Antologia de Prosa de
Itararé, Assim Escrevem os Itarareenses

O Poeta Silas Correa Leite se Apresenta: “Ser poeta é a minha maneira de chorar escondido/ nessa existência estrangeira em que me tenho havido”. “Fugi do colégio interno/ fugi do quartel inferno/ fugi da ditadura de gravata/ farda, togas e terno/ e assim poeta moderno/ me descobri/ Ser Humano sem pedigree.” “Que o bom Deus me proteja/ mas não tem remédio/ prefiro morrer de poesia e cerveja/ mas não de tédio”. “Fujo de casa/ para o trabalho/ Fujo do trabalho/ para a escola./ Fujo da escola/ para a poesia./ Na poesia sou/ íntima fuga./Ponto de liga/ alma sem ruga. / A casa, a escola, o trabalho/ que fuga me sou? Se sempre me levo comigo/ para onde me vou?/. “Quando quero estar um pouco a sós comigo /esqueço, desligo/ e tomo uma cerveja gelada...” “ Nunca amei ninguém/ que fosse parecido comigo/ até porque persigo paz./ e não esconderijos./ nunca amei ninguém/ com medo de ser oásis.”. “ A luz que me desce agora,/ é luz dentro que não se vê fora./ Fora a sombra cresce, agride, cora,/ enquanto a luz de dentro impera e mora”. “A carrocinha do padeiro/ tem um buraquinho bem no meio/ e vai semeando andorinhas/ atrás do farelo de pão” “Minha mãe fritava polenta/ e convidava a aurora para o banquete.” “A cebola nossa de cada dia/ nos daí hoje/ para que choremos cotidiana poesia/ (nos ninhais de selvagem alquimia)/que sempre nos foge.” “Sempre fui muito sozinho/ abandonaram-me quando nasci./ Minha pobre mãe deixou/ que eu existisse. / Hoje acostumei-me a ser sozinho/ abandonei-me em mim./ Acho que eu mesmo fui minha mãe./ não sei nunca mais deixar de ser sozinho assim./ Fiquei refém de eterno abandono./ - Mãe, tende piedade de mim!” “Eu sou assim./ Uma noite mascarada de dia./ E de noite um córrego borboleteando Poesia./Tomo essência das coisas como elas são./ E,relendo-as, completo-me em suprema inteiração.” “A mosca encontrou um garçom/ cheirando a detefom/ dentro da sopa”. “O telefone toca/ e eu fico ligado/ preocupado/ assustado. / Em casa não tem telefone/ E eu sou só um número errado” “ Estive em Itararé/ e não me lembrei de ninguém./ Porque quem não está em Itararé/ está sem.” “ Deixei meu coração em Itararé/ na periferia cor-de-rosa da Vila São Vicente/ / Ali sob um flamboyant florido/ Ainda pulso, viço e glorifico a vida// Deixei meu coração em Itararé/ À beira do rio verde entre pinheirais//A criança triste que eu tenho sido/ É essa distância de cavaleiro boêmio.//Deixei meu coração em Itararé/ Sob a lua caipira da Praça Coronel Jordão./Deus sabe o quanto tenho sofrido, / procurando uma estrela nova no céu./Deixei meu coração em Itararé/ e corro atrás de uma estrada que não existe./Talvez por isso eu seja um poeta triste, buscando a criança que me perdi de ser./” Os versos foram extraídos de Porta-Lapsos, livro de meu amigo e poeta Silas Corrêa Leite.

Maria Apparecida S. Coquemala, Professora Universitária, Mestre em Literatura, Escritora Premiada - Itararé-SP



12. Jornalista Silas Corrêa Leite, pioneiro do e-book, fala da carreira literária no "Provocações"
O jornalista e poeta Silas Corrêa Leite, autor do primeiro e-book interativo da Internet, "O Rinoceronte de Clarice", participa do programa "Provocações", da TV Cultura (...) Em uma entrevista filosófica, permeada por uma espécie de poética da tristeza, Silas lança frases como: "eu não quero dar a cara pra bater à lágrima. A vida não me deu limões? Então eu faço limonada de lágrimas(...). Também conta a Antônio Abujamra os desafios que encontra para construir sua carreira literária: "não se faz uma carreira com 56 anos como eu tenho". O poetinha Silas, como é conhecido, ainda diz não ser deste mundo e se compara ao ET, de Steven Spielberg. Professor da rede pública, ele acredita no fim das utopias, mas não da esperança. "Do pântano da condição humana, se eu não tenho sonho, então eu não me tenho mais". Silas Correa Leite tem forte atuação na internet e já é considerado referência na linguagem virtual. Colabora com vários veículos de comunicação do Brasil e do exterior, e tem alguns livros publicados, entre eles "Porta-Lapsos, "Poemas" e "Campo de Trigo com Corvos". Seu e-book, "O Rinoceronte de Clarice", sucesso de downloads, constitui-se de onze ficções, todas focando Itararé (sua cidade natal), cada uma com três finais (feliz, de tragédia e politicamente incorreto). Ele também é autor do oficial Hino ao Itarareense e tem várias letras de baladas, rock e blues.
Portal Imprensa, Revista Imprensa, São Paulo, Release Eventos, Notícias



13. Revista Época, reportagem sobre o e-book de sucesso, O Rinoceronte de Clarice, de Silas Correa Leite

“O Rinoceronte de Clarice, de Silas Correa Leite (...) Um e-book interativo. São 11 contos com três opções de final para cada um. O leitor pode escolher como a história acaba, de acordo com o humor do momento”

Revista Época, Reportagem sobre e-books e tecnologias modernas para a literatura, fragmento



14. Rodrigo Capella, Programa Virando a Página, São Paulo

“Sou escritor desde os 16. Atualmente, tenho 57 anos e continuo na luta. De vez em quando, consigo um cachê para dar uma palestra”.
Essa frase é de quem já fez história na literatura brasileira e mostra que o escritor e poeta brasileiro enfrenta desafios diários, não em busca do estrelato, mas sim em busca de consolidar a sua poesia, os seus escritos e de conquistar leitores.

O autor da frase lançou recentemente Porta-Lapsos, denso livro de versos, palavras e situações. Belas histórias, para se ler em somente uma madrugada, o melhor período de leitura. Estamos falando de Silas Corrêa Leite(...)

Rodrigo Capella, Roteirista, Escritor e Palestrante, autor de nove livros,



15. A Perspectiva de um Camelo ao Olhar para o Oriente - LEITE, Silas Corrêa. Camelo. Ficção, In: O Homem que Virou Cerveja. São Paulo: Giz Editorial, 2009.

Silas Corrêa Leite é natural de Itararé, São Paulo, e já publicou textos críticos, sátiras, ensaios, crônicas, contos, poemas, entre outros escritos, em aproximadamente 500 sites brasileiros e estrangeiros. Escreveu O Rinoceronte de Clarice, um livro interativo que foi objeto de diversos estudos acadêmicos, dentre eles uma tese de doutorado na Universidade Federal de Alagoas. São de sua autoria os livros Porta-Lapsos, de poemas; e Campo de trigo com corvos, de contos. O texto Camelo foi publicado inicialmente no site do Jornal O Estado de São Paulo e posteriormente passou a integrar a coletânea de crônicas intitulada O Homem que virou cerveja, publicada em São Paulo pela Giz Editorial, em 2009. O referido livro é resultado da premiação do autor em primeiro lugar no “Concurso Valdeck Almeida de Jesus”. A crônica é narrada em primeira pessoa, no tempo presente, por um camelo, narrador-personagem do universo oriental que dialoga com um provável leitor ocidental, provocando-o para que este saia de sua passividade diante dos fatos que o cercam e assuma uma atitude mais crítica, sobretudo em relação à constante violência que assola o planeta e às recorrentes guerras no Oriente, muitas destas resultantes de ataques oriundos do Ocidente. O texto surpreende desde o início, a começar por este narrador inusitado, que observa o que acontece ao seu redor e revolta-se contra as injustiças cometidas pelos seres humanos, dos quais se esperaria certa racionalidade. Entretanto, esta vem justamente do camelo, através da reflexão e análise da realidade e da manifestação de suas ideias. Já no primeiro parágrafo, o leitor é convidado a pensar sobre as vítimas inocentes das guerras, principalmente nas constantes lutas travadas no Oriente, muitas destas protagonizadas ou apoiadas por líderes políticos ocidentais:

“Pois é, mano, você que é um baita animal racional, de capacete, carcova, gravata, dólmã-de-tala, elmo ou turbante, deve estar aí se assuntando com esse deserto de acontecências ao deus-dará, a bem dizer, entre atropelos de idas e vindas aceleradas, nuvens de areia, torres pegando fogo, crianças inocentes explodindo, mulheres grávidas vitimadas, prédios de instituições civis se desmontando [...].” (p. 39)

Este camelo-narrador conduz o leitor à visão dos horrores provocados pelas guerras, realizando sua travessia pelo espaço desértico e descrevendo o que observa. Segundo Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, em seu Dicionário de símbolos (1996), o camelo, por ser uma montaria que auxilia na travessia do deserto, conduzindo o homem de um oásis a outro, possibilita o alcance do centro oculto, da Essência divina. Nessa perspectiva, o camelo-narrador cumpre sua função, pois desperta a sensibilidade dos leitores para situações vivenciadas por inúmeros seres humanos, devido à guerra, e mostra que, ao aceitarem passivamente tais circunstâncias, não deixam de compactuar com esta realidade. Ao despertar para o sofrimento alheio e se interessar por ele, de alguma forma o leitor aproxima-se da Essência divina. Nesse sentido, há um convite realizado pelo narrador para o leitor, sobretudo o ocidental, a fim de que este saia de seu lugar confortável de observador e entre em contato com a alteridade, com o Outro, respeitando seus valores e crenças e não se colocando como alguém superior, detentor das verdades absolutas, atitude que muitas vezes justifica atos violentos, como as guerras. Considerando as contribuições teóricas de Lévi-Strauss acerca do etnocentrismo, em textos como Raça e História (1952), pode-se dizer que o camelo propõe que o leitor abandone uma visão etnocêntrica, que enxerga o outro a partir de seus próprios valores, e adote uma postura de respeito à diversidade. As descrições realizadas pelo camelo contam com o auxílio de dois outros animais: a águia e o gafanhoto, que lhes relatam acontecimentos de lugares por onde ele não passa. Se recorrermos mais uma vez ao Dicionário de símbolos (1996), observaremos que a águia constitui o mensageiro da mais alta divindade, ao passo que o gafanhoto tem um simbolismo ligado a pragas e devastações. Esta dualidade também é uma característica do próprio camelo-narrador. Este, assim como o gafanhoto, tem os pés firmes num chão inóspito. Além disso, encontra-se diante de uma realidade que o entristece e revolta-o. No entanto, apesar de tudo, assim como a águia, consegue olhar para o alto e sonhar com “um mundo em que todos possam viver em paz”. Entre suas reflexões, o camelo deseja avidamente ganhar voz através de um “ventríloquo”, “mágico ledor de lábios”, “bruxo sem véus” ou mesmo de um “anjo poeta”. Tal desejo se concretiza, pois o camelo torna-se o narrador de sua história na crônica escrita por Silas Corrêa Leite. O escritor é o “bruxo sem véus” e o “anjo poeta” que possibilita a escritura e a materialização do pensamento do camelo. Há uma fronteira tênue, em que se misturam o narrador ficcional camelo e o autor da crônica, também poeta, Silas Corrêa Leite. As vozes do cronista e do narrador misturam-se, realizando uma escritura bivocal, por vezes ácida, por vezes tomada por profundo lirismo. No final do conto, há uma provocação ao leitor: “Fique aí, seu camelo engravatado”. Ao ser chamado de camelo e convidado a permanecer onde está, o leitor é convidado a pensar no quanto os seres humanos têm demonstrado menos racionalidade que os animais...” Percebe-se, dessa forma, que o cronista, a partir do relato do cotidiano de um camelo no deserto, capta a essência do sofrimento humano causado pela violência da guerra, de forma singular e instigante, de maneira a levar o leitor a uma reflexão mais profunda sobre esta problemática e assumir uma postura mais crítica e menos passiva diante dos fatos.

Teresinha de Oliveira Ledo Kersch, Professora de Português, Escritora de livro de técnica literária, Mestranda em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP



16. Fragmento de Prefácio sobre o livro premiado, O Homem Que Virou Cerveja, de Silas Correa Leite

Silas é autor dos livros “Porta-Lapsos”, “Ruínas e Iluminuras”, “Trilhas & Iluminuras”, “Os Picaretas do Brasil Real” (todos de poemas), “Campo de Trigo Com Corvos” (contos), e “Ele Está No Meio de Nós”, romance Místico, e-book, e do livro virtual de sucesso “O Rinoceronte de Clarice”, tese de mestrado e de doutorado, destaque na mídia, inclusive televisiva, por ser o primeiro livro interativo da rede mundial de computadores. Além de escritor, Silas é também um operário da vida, engajado em projetos e atividades de toda ordem - sempre tendo a ética e a responsabilidade por vertentes, registre-se. É o tempo que escapa. É o correr da vida, como bem assinala Guimarães Rosa: "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." E coragem é o que parece não faltar a Silas Correa Leite, ainda que falte o tempo.

Valdeck Almeida de Jesus - Escritor, Promotor Cultural, sobre o livro O Homem Que Virou Cerveja, de Silas Correa Leite, Editora Primus/Giz Editorial, SP

sábado, 11 de junho de 2011

Poema ADUBOS, do Poetinha Silas de Itararé









A D U B O S
(Miseris Nobilis)

O homem será, nos esgotos subterrâneos podres
do que restar da Terra destruída, uma espécie
mutante de bisonho animal selvagem, querendo
desesperadamente a pilhagem da radiação para
manter acesa o seu instinto ancestral de sobrevivência


A terra depois do caos será tomada pelos mendigos
A terra fervendo será loteada por milhões de mendigos
Os chamados emergentes informais das ruas
Os excluídos sociais vampirizados pelo neoliberalismo-câncer
A população em situação da rua finalmente
Sitiará condomínios, quartéis, palácios, fazendas improdutivas
E o preço do pedágio será o sacrifício dos incautos
Que serão a lenha e o alimento da turba insana
Para serem o fogo e o silo no mundo podre e frio
Enquanto cidades-naves lançadas a toque de caixa ao espaço
Levarão núcleos de ricos e poderosos para aldeamentos siderais
Como sementes com nódoas da espécie humana
E o cosmos todo então será poluído e predado
Pela decrépita e amoral escória da raça humana
Que quererá sobreviver muito além do mal que fizeram
A si mesmos, ao próximo, à sociedade e à via láctea
Como a barbárie da civilização em um historial que é remorso
Quando milhões de mendigos assumirão
O poder de mando e controle da terra entrevada
Até todos serem finalmente reduzidos a pó
E serem de novo e para sempre os adubos
Talvez de um novo céu
Talvez de uma nova guelra
Como não estava escrito desde a última Atlântida
-0-
Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net

quarta-feira, 4 de maio de 2011

VITRAL DA IGREJA SÃO PEDRO DE ITARARÉ




QUANDO FUI CHUVA









QUANDO FUI CHUVA



Quando fui chuva
Esperavam que eu chovesse
Mas eu chorei todas as lágrimas do mundo...
Havia um escorredor de macarrão e uma janela
Que dava para ver todas as almas perdidas do mundo
E passavam as tristezas todas pelo coração de uma mulher
Que me estendeu a mão


Quando fui árvore
Meus braços de bicho folhudo
Tinham pássaros mas eu não sabia voar...
Raiz no chão, copa no céu, frutos e flores
Mas eu queria sair de mim pelas asas do vento
E então me encorpei na chuva e fui chuva por algum tempo
Quando me perdi de mim


Quando fui poeta
E chuva e árvore e relâmpago
E também rio e nuvem; e havia aquela mulher...
Que me estendeu a mão – e misturava trigo, ovos, água
E no macarrão havia as minhas lágrimas que alimentariam
Meu espírito. Para que eu sobrevivesse
Pela alma dessa mulher

-0-

Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net
ou www.artistasdeitarare.blogspot.com/



(Foto: Chegada em Itararé, Terra-Mãe)

Portal do Cemitério "Lágrimas do Céu" de Itararé

Sempre Haverá Itararé, Bonita Pela Própria Natureza, A História do Brasil Passa Por Aqui

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Poemas OUTONAIS de 2011, Silas Correa Leite


















OUTONAIS

POEMAS DE OUTONO 2011 – Silas Correa Leite


ALGUÉM

Tem alguém vivendo a minha vida em meu lugar


MARMITA

A poesia
É a marmita do poeta

Arroz ovo repolho
E as barbas de molho

Na marmita
A dor a luz a desdita

Feijão arroz torresmo
A fome na busca de si mesmo

O poeta marmiteiro
Não se cabe inteiro

E então no poetar regurgita
A sua alma pobre de marmita


PESSEGUEIRO

Tinha um pessegueiro e havia uma tosca cabana humilde num belo e forte galho dele. Eu às vezes era mandorová, outras vezes camaleão, no alto da árvore frondosa e mágica. Até que um bendito dia descobri que o pessegueiro florido era a morte. E o pessegueiro florido veio buscar meu pai.


Poema Para Castro Alves

Para Antonio de Castro Alves (1847/1871)
In Memoriam


“Depois dos Navios Negreiros /Outras correntezas”

(Um Trem Pras Estrelas) - Cazuza, Gilberto Gil

.........................................................................

Castro Alves, Castro Alves
Os navios negreiros agora são outros
Os periféricos escravos terceirizados também
E todos sobrevivemos a um “salve geral”
Em mares bravios de urbanas irrazões; de dezelo público
Imbecilizadas humanas alojadas em estrumes palaciais
Entre espumas flutuantes de cervejas e esgotos, em chorumes...

Castro Alves, Castro Alves
Os românticos hoje estão com AIDS
E se dopam e se prostituem entre carentes
(Do infame capitalhordismo americanalhado)
Ou são emos que se poluem em tantos antros neomalditos
Afrobrasilis descendentes no sórdido neoliberalismo
De aspones entre usuários de craks, em cachimbos marginais...

Castro Alves, Castro Alves
O índio, o negro – quem não somos –
Na mestiçagem de pobres amalgamados também
Seres irados que danças como se hienas
Todos filhos desse solo, dessas seqüelas históricas, desenredos
Entre palácios de corvos do arbítrio e riquezas amorais
Samparaguai não conduz; é conduzido pelo crime organizado...

Castro Alves, Castro Alves
Tudo é nojo, luto, falso - um horror
A injusta Pátria-Nada é só remorso oficial
“O auriverde pendão de minha terra” balança, balança
Mas nos perdemos de nós, perdemos a fé, perdemos a esperança
De sermos parecidos com um país, um povo, uma nação
Terra de ninguém, explorados nessa pindorama de maracangalhas...

Castro Alves, Castro Alves
Áfricas tropicais com suas gomorras
De palafitas, favelas, guetos, becos, cortiços
E vamo-nos poetas malditos sem fúria; sem compromisso
Que não o de te lembrar com tristeza em cantagonia e temor
Há corrupção e impunidade sistêmicas, um horror
Pobres boiando em senzalas dos Sem Terra, Sem Pão, Sem Cor...

-0-
(2011 – 164 Anos do Nascimento do Poeta Castro Alves, que morreu aos 24 Anos em Salvador, Bahia)


RECOLHE
Depois que a mãe morreu
Minhas ruins foram abandonadas

TARDINHA EM ITARARÉ

Apito
Apito
Apito
O bagual do guardinha de trânsito
Engoliu um periquito?


REACORDES DE “MINS”

01)-Vaga-lume boêmio morreu preso
Queimado na bituca de um cigarro aceso

02)-Borboleta no arame farpado que encilha
Ainda sonha liberdade para escolher a trilha

03)-O grilo no silêncio da noite que teceu
Agora bate cartão vigiando o breu

04)-Pardal prata na parabólica em fascínio
É mais importante do que a estrutura de alumínio


POEMINHO ITARAREENSE

Você Sabe o Que é?...

Você sabe o que é
Pegar um tomate maduro no pé
Mordê-lo, comê-lo, até
Aquele gostinho de frutalegume
Nas dobradiças da boca?

Você sabe o que é
Catar uma goiaba madura no pé
Arvorezinha carregada, um tropé
E você com aquelas sementezinhas
Crespas no céu da boca?

Você sabe o que é
Tirar uma pitanga vermelhinha do pé
Triscá-la nos dentes fazendo um forfé
Na contenteza da fruta silvestre
Pintando o céu da boca?
.........................................

Você não sabe o que é
Tirar estrelinhas do céu de Itararé
E logo ver verrugas no dedo em pé
Apontando para a amplidão que ri
Feito ter estrelas no céu da boca?


R E B A N H O - De Quando Era Menino

De quando era muito piá, muito guri ainda, e achava
Que tatu de nariz era maionese de ranho verde-fedô
E que o sol sonrisal ia dormir a noitinha
E mandava a lua de prata vigiar o seu sonho
De sonhador pimpão...

De quando sonhava botar suspensórios em cascavel
E achava que a bulha no porão era o Batman roncando
Ou quando ouvia vozes e se sonhava poeta
Para dar cria ao seu pequeno rebanho de versos
De moleque pidão...

De quando achava que a sua querida mãe era eterna
E que as estrelas eram sucrilhos no céu de Itararé
Sabia que as flores bonitas eram colhidas primeiro
E que figo maduro tinha zíper com carnegão
De se pegar com a mão...

De quando era muito curumim e queria porque queria
Estudar, aprumar oficio, virar gente grande, escritor
Ouvindo os causos e hinos do pai músico, Antenor
No acordeão vermelho solando Saudades de Itararé
Saudades do Matão...

Agora a saudade é sua... de um tempo que se foi e agora é
Um retrato na parede da memória que ainda dói, Itararé
O menino cresceu, virou gente grande; tudo em vão
Porque ainda esconde uma criança no coração
Vestida de ilusão...

Coisas de Poeta

Quando acabar a tinta Vermelha/Da canetinha Bic/O que escreverei da vida?/Escreverei com lápis/Até gastá-lo/E também desenharei/Estrelas, caramujos, pêssegos./Acabando o lápis/Como escrever/Os mistérios do amor/Pássaros, flores – e ilhas?/Escreverei com carvão/E então porei/Preto e branco nos poemas/Tristes, como eu me sou/Acabando o carvão/O que farei/Sem ter como me registrar/Na aquarela do mundo?/Gritarei por socorro/Chorarei/-Minha vida por uma caneta!/Um lápis, um computador!/(Escreverei na mente/Decorarei./Arquivos no cérebro/Registrarão os pertences)/Cortarei o meu dedo indicador direito/E com sangue escreverei no meu peito:/Nasci para Escrever/POR FAVOR, DEIXEM-ME VIVER!


POEMA - DOWNLOAD (GUENIZÁ)

-Você tem um aparelho de TV
Para chamar de LAR?
(Em Pasárgada não há aparador de grama)
-Você tem um computador de bordo
Para chamar de LAR?
(Em Shangrilá não há ópio ou cocaína)
-Ah o nosso amor e ódio eterno!
(Civilização humana? – Boa idéia!)
Você tem um rotavirus smartphone
Para chamar de LAR?
(Para a morte não há pen-drive ou cabo USB)
Você tem uma amante como avatar na web
Para chamar de LAR?
-O que é que você realmente tem?
-O que é que você realmente é?
Que não-lugar é um LAR?
Quem é você? (O que você vai fazer disso?)
O que é um LAR? (No final feliz todos morrem)
Lar-lágrima-lugar...
(Estamos seguros em algum lugar?)
-Sangre os seus passos...
Nasci – Mas com um botão de EXISTIR quebrado
(“Exit” é mais embaixo
Quase sete palmos comendo capim pela raiz)
Minha pele-cela e meu lar epidérmico
(Vim para devolver!)
TV-LAR, doce lar – Sweet-Home Made in CIA
Minha vida-corpo meu lar – lugar de angústias e neuras
E, acessórios pré-qualificados de coiso
(Bill Gates o nosso pai adâmico de lares que se acoplam?)
-Ninguém está segurando a minha mão agora...
Você não está seguro nem com você
Sem conexão, nem para existencialiar o kit-vitae mix
(Os exércitos agora são tecnologias
Você tem que seguir o chip da placa-mãe: range e agoniza)
O download é mais embaixo...
Baixo arquivos para sobreviver.
Meio que sigo rap-zumbi feito um guenizá do limbo...



V A C I L A G E N S
(Catequeses Misturebas)

Para Marilena Chauí

“Nunca fomos catequizados.
Fizemos foi Carnaval... ”.
Oswald de Andrade

“Não fomos catequizados...
-Fizemos foi Carnaval”; um fuzuê
Um forfé – e, amalgamados
O europeu o índio e o negro
Que tudo acabou mistureba bundalelê
.................................................................

Que “catequizados” que nada
(Nem éramos ainda pátria amada)
E somamos então o crucifixado
Ao tupi-guarani ninhal pelo nosso lado

Depois da mestiçagem, do tropé
Nem cruz, nem conversão ou fé
Dos mitos trazidos da África mãe
Juntaram a Aparecida do Candomblé

Não fomos catequizados: qual o quê
(Quem essa historicidade não vê?)
Macumba, capoeira – a escravatura
E mais o silvícola de alma muito pura

Foi um mosaico, uma soma; aquarela
De terra em que se plantando tudo dá
Da galinha luso nauta ao mandorová
Foi uma patacoada de encher o pacová

Mas que bendito cristianismo que nada
(A exploração era a triste cruzada)
Foi um Carnaval só, a tal religião
Cana, ouro em pó, vacilagens (na inquisição...)

O jeitinho brasileirinho era um só
Do samba matreiro ao qüiproquó
De José de Anchieta à Marilena Chauí
Tudo um antropológico e antropofágico rififi

Casagrande, Senzala, cabocla babel
Mais a igreja exploradora; um bordel
A conversão foi cênica, só no papel
Do nativo ao bandeirante-bandido, vil infiel

.............................................................................

Não irmãos meus, não fomos catequizados
Entre arados – e rudes assim, amalgamados

Fizeram um baita carnaval tropical só
Ai pátria amada assim usurpada de dar dó!
Do pindorama às gerais, lusamérica, cafundó
E sambalelê: derramas entre ouro em pó
(“Comunga escravo, comunga que é “mió”)
Jeitinho brasileiríssimo; do nativo matuto coió

De sangrenta colonização, dessa quanta misturança vil
Sangrias e chorumes pariram esse nosso “Puta Brasil!”
-0-

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes/Samparaguai/Brasil
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

Poemas de Outunbo de 2011, Silas Correa Leite









OUTONAIS

POEMAS DE OUTONO 2011 – Silas Correa Leite


ALGUÉM

Tem alguém vivendo a minha vida em meu lugar


MARMITA

A poesia
É a marmita do poeta

Arroz ovo repolho
E as barbas de molho

Na marmita
A dor a luz a desdita

Feijão arroz torresmo
A fome na busca de si mesmo

O poeta marmiteiro
Não se cabe inteiro

E então no poetar regurgita
A sua alma pobre de marmita


PESSEGUEIRO

Tinha um pessegueiro e havia uma tosca cabana humilde num belo e forte galho dele. Eu às vezes era mandorová, outras vezes camaleão, no alto da árvore frondosa e mágica. Até que um bendito dia descobri que o pessegueiro florido era a morte. E o pessegueiro florido veio buscar meu pai.


Poema Para Castro Alves

Para Antonio de Castro Alves (1847/1871)
In Memoriam


“Depois dos Navios Negreiros /Outras correntezas”

(Um Trem Pras Estrelas) - Cazuza, Gilberto Gil

.........................................................................

Castro Alves, Castro Alves
Os navios negreiros agora são outros
Os periféricos escravos terceirizados também
E todos sobrevivemos a um “salve geral”
Em mares bravios de urbanas irrazões; de dezelo público
Imbecilizadas humanas alojadas em estrumes palaciais
Entre espumas flutuantes de cervejas e esgotos, em chorumes...

Castro Alves, Castro Alves
Os românticos hoje estão com AIDS
E se dopam e se prostituem entre carentes
(Do infame capitalhordismo americanalhado)
Ou são emos que se poluem em tantos antros neomalditos
Afrobrasilis descendentes no sórdido neoliberalismo
De aspones entre usuários de craks, em cachimbos marginais...

Castro Alves, Castro Alves
O índio, o negro – quem não somos –
Na mestiçagem de pobres amalgamados também
Seres irados que danças como se hienas
Todos filhos desse solo, dessas seqüelas históricas, desenredos
Entre palácios de corvos do arbítrio e riquezas amorais
Samparaguai não conduz; é conduzido pelo crime organizado...

Castro Alves, Castro Alves
Tudo é nojo, luto, falso - um horror
A injusta Pátria-Nada é só remorso oficial
“O auriverde pendão de minha terra” balança, balança
Mas nos perdemos de nós, perdemos a fé, perdemos a esperança
De sermos parecidos com um país, um povo, uma nação
Terra de ninguém, explorados nessa pindorama de maracangalhas...

Castro Alves, Castro Alves
Áfricas tropicais com suas gomorras
De palafitas, favelas, guetos, becos, cortiços
E vamo-nos poetas malditos sem fúria; sem compromisso
Que não o de te lembrar com tristeza em cantagonia e temor
Há corrupção e impunidade sistêmicas, um horror
Pobres boiando em senzalas dos Sem Terra, Sem Pão, Sem Cor...

-0-
(2011 – 164 Anos do Nascimento do Poeta Castro Alves, que morreu aos 24 Anos em Salvador, Bahia)


RECOLHE
Depois que a mãe morreu
Minhas ruins foram abandonadas

TARDINHA EM ITARARÉ

Apito
Apito
Apito
O bagual do guardinha de trânsito
Engoliu um periquito?


REACORDES DE “MINS”

01)-Vaga-lume boêmio morreu preso
Queimado na bituca de um cigarro aceso

02)-Borboleta no arame farpado que encilha
Ainda sonha liberdade para escolher a trilha

03)-O grilo no silêncio da noite que teceu
Agora bate cartão vigiando o breu

04)-Pardal prata na parabólica em fascínio
É mais importante do que a estrutura de alumínio


POEMINHO ITARAREENSE

Você Sabe o Que é?...

Você sabe o que é
Pegar um tomate maduro no pé
Mordê-lo, comê-lo, até
Aquele gostinho de frutalegume
Nas dobradiças da boca?

Você sabe o que é
Catar uma goiaba madura no pé
Arvorezinha carregada, um tropé
E você com aquelas sementezinhas
Crespas no céu da boca?

Você sabe o que é
Tirar uma pitanga vermelhinha do pé
Triscá-la nos dentes fazendo um forfé
Na contenteza da fruta silvestre
Pintando o céu da boca?
.........................................

Você não sabe o que é
Tirar estrelinhas do céu de Itararé
E logo ver verrugas no dedo em pé
Apontando para a amplidão que ri
Feito ter estrelas no céu da boca?


R E B A N H O - De Quando Era Menino

De quando era muito piá, muito guri ainda, e achava
Que tatu de nariz era maionese de ranho verde-fedô
E que o sol sonrisal ia dormir a noitinha
E mandava a lua de prata vigiar o seu sonho
De sonhador pimpão...

De quando sonhava botar suspensórios em cascavel
E achava que a bulha no porão era o Batman roncando
Ou quando ouvia vozes e se sonhava poeta
Para dar cria ao seu pequeno rebanho de versos
De moleque pidão...

De quando achava que a sua querida mãe era eterna
E que as estrelas eram sucrilhos no céu de Itararé
Sabia que as flores bonitas eram colhidas primeiro
E que figo maduro tinha zíper com carnegão
De se pegar com a mão...

De quando era muito curumim e queria porque queria
Estudar, aprumar oficio, virar gente grande, escritor
Ouvindo os causos e hinos do pai músico, Antenor
No acordeão vermelho solando Saudades de Itararé
Saudades do Matão...

Agora a saudade é sua... de um tempo que se foi e agora é
Um retrato na parede da memória que ainda dói, Itararé
O menino cresceu, virou gente grande; tudo em vão
Porque ainda esconde uma criança no coração
Vestida de ilusão...

Coisas de Poeta

Quando acabar a tinta Vermelha/Da canetinha Bic/O que escreverei da vida?/Escreverei com lápis/Até gastá-lo/E também desenharei/Estrelas, caramujos, pêssegos./Acabando o lápis/Como escrever/Os mistérios do amor/Pássaros, flores – e ilhas?/Escreverei com carvão/E então porei/Preto e branco nos poemas/Tristes, como eu me sou/Acabando o carvão/O que farei/Sem ter como me registrar/Na aquarela do mundo?/Gritarei por socorro/Chorarei/-Minha vida por uma caneta!/Um lápis, um computador!/(Escreverei na mente/Decorarei./Arquivos no cérebro/Registrarão os pertences)/Cortarei o meu dedo indicador direito/E com sangue escreverei no meu peito:/Nasci para Escrever/POR FAVOR, DEIXEM-ME VIVER!


POEMA - DOWNLOAD (GUENIZÁ)

-Você tem um aparelho de TV
Para chamar de LAR?
(Em Pasárgada não há aparador de grama)
-Você tem um computador de bordo
Para chamar de LAR?
(Em Shangrilá não há ópio ou cocaína)
-Ah o nosso amor e ódio eterno!
(Civilização humana? – Boa idéia!)
Você tem um rotavirus smartphone
Para chamar de LAR?
(Para a morte não há pen-drive ou cabo USB)
Você tem uma amante como avatar na web
Para chamar de LAR?
-O que é que você realmente tem?
-O que é que você realmente é?
Que não-lugar é um LAR?
Quem é você? (O que você vai fazer disso?)
O que é um LAR? (No final feliz todos morrem)
Lar-lágrima-lugar...
(Estamos seguros em algum lugar?)
-Sangre os seus passos...
Nasci – Mas com um botão de EXISTIR quebrado
(“Exit” é mais embaixo
Quase sete palmos comendo capim pela raiz)
Minha pele-cela e meu lar epidérmico
(Vim para devolver!)
TV-LAR, doce lar – Sweet-Home Made in CIA
Minha vida-corpo meu lar – lugar de angústias e neuras
E, acessórios pré-qualificados de coiso
(Bill Gates o nosso pai adâmico de lares que se acoplam?)
-Ninguém está segurando a minha mão agora...
Você não está seguro nem com você
Sem conexão, nem para existencialiar o kit-vitae mix
(Os exércitos agora são tecnologias
Você tem que seguir o chip da placa-mãe: range e agoniza)
O download é mais embaixo...
Baixo arquivos para sobreviver.
Meio que sigo rap-zumbi feito um guenizá do limbo...



V A C I L A G E N S
(Catequeses Misturebas)

Para Marilena Chauí

“Nunca fomos catequizados.
Fizemos foi Carnaval... ”.
Oswald de Andrade

“Não fomos catequizados...
-Fizemos foi Carnaval”; um fuzuê
Um forfé – e, amalgamados
O europeu o índio e o negro
Que tudo acabou mistureba bundalelê
.................................................................

Que “catequizados” que nada
(Nem éramos ainda pátria amada)
E somamos então o crucifixado
Ao tupi-guarani ninhal pelo nosso lado

Depois da mestiçagem, do tropé
Nem cruz, nem conversão ou fé
Dos mitos trazidos da África mãe
Juntaram a Aparecida do Candomblé

Não fomos catequizados: qual o quê
(Quem essa historicidade não vê?)
Macumba, capoeira – a escravatura
E mais o silvícola de alma muito pura

Foi um mosaico, uma soma; aquarela
De terra em que se plantando tudo dá
Da galinha luso nauta ao mandorová
Foi uma patacoada de encher o pacová

Mas que bendito cristianismo que nada
(A exploração era a triste cruzada)
Foi um Carnaval só, a tal religião
Cana, ouro em pó, vacilagens (na inquisição...)

O jeitinho brasileirinho era um só
Do samba matreiro ao qüiproquó
De José de Anchieta à Marilena Chauí
Tudo um antropológico e antropofágico rififi

Casagrande, Senzala, cabocla babel
Mais a igreja exploradora; um bordel
A conversão foi cênica, só no papel
Do nativo ao bandeirante-bandido, vil infiel

.............................................................................

Não irmãos meus, não fomos catequizados
Entre arados – e rudes assim, amalgamados

Fizeram um baita carnaval tropical só
Ai pátria amada assim usurpada de dar dó!
Do pindorama às gerais, lusamérica, cafundó
E sambalelê: derramas entre ouro em pó
(“Comunga escravo, comunga que é “mió”)
Jeitinho brasileiríssimo; do nativo matuto coió

De sangrenta colonização, dessa quanta misturança vil
Sangrias e chorumes pariram esse nosso “Puta Brasil!”
-0-

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes/Samparaguai/Brasil
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net