"Artistas de Itararé, Cidade Poema"

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Capital Artístico-Cultural Boêmica do Sul de São paulo

BLOGUE ARTISTAS DE ITARARÉ CHÃO DE ESTRELAS

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Clã dos Fanáticos Por Itararé, Cidade Poema

Palco Iluminado de Andorinhas Sem Breque

Os Dez Maiores Artistas de Itararé, Ano 2011

Dez Maiores Artistas de Itararé















01)-Maestro Gaya







02)-Jorge Chuéri







03)-Irmãs Pagãs







04)-Paulo Rolim







05)-Silas Correa Leite







06)-Paschoal Melillo







07)-Rogéria Holtz







08)-Dorothy Janson Moretti







09)-Regina Tatit







10)-Armando Merege







Itararé, Bonita Pela Própria Natureza

Itararé, Bonita Pela Própria Natureza
Nosso Amor já Tem Cem Anos

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Clelia Gorski Comentando o livro GUTE GUTE, Romance de Silas Correa Leite


Gute Gute: Reflexões e Impressões de um Bebê na Barriga da Mãe

Livro de Silas Corrêa Leite nos inspira a imaginar o mundo de onde viemos e para o qual queremos, em algum momento de nossa vida, voltar: o útero materno.

 

Gute Gute – Barriga Experimental de Repertório é um romance cuja originalidade nasce já no argumento de traçar linhas sobre fantasias, peripécias, experiências, sensações e impressões de um ser em gestação.

Pensar sobre esta primeira fase da experiência humana é inerente às questões sobre nossa existência: de onde viemos, por que viemos, do que somos feitos, para onde vamos? Contudo, embora imaginar o que acontece dentro de uma barriga em processo de gestação seja uma curiosidade comum, apontar caminhos e se arriscar palpites que viram frases e poesias é algo original e inspirador. Daí o subtítulo “Barriga Experimental de Repertório”: o autor reúne questionamentos sobre vocabulários, canções e sons que ouve de dentro da barriga da mãe e que servem para o ser como indicações sobre como será a “vida lá fora”.

Entre uma suposição e outra, o novo ser em gestação intuí: “Pílulas pra dormir. Tá. Tem pílulas pra existir também? Sobreviver lá fora deve ser um grande negócio. Ou é barra pesada? Ou tudo é rigorosamente regrado, regulado, normas e leis? Tudo lá fora é certinho, funciona direito e com precisão como um relógio?”. Ainda, para deixar tudo mais instigador, escreve sobre a possibilidade deste ser interagir com outros novos seres que encontra pelo caminho, numa sala de espera de um consultório médico, por exemplo: “- Você viu? Você viu?- O que é que tá pegando? O que é que foi, meu querido Príncipe Encantado...? - Aquela barriga ali... tem uma montoeira de guris, já pensou? – Quíntuplos? - Cinco ou mais. (...) – Você viu o tamanho da dona deles? - Uma jamanta”.

Gute Gute- Barriga Experimental de Repertório, o romance com um olhar questionador sobre alguém que ainda está para nascer, vem acrescentar à prateleira de livros próprios do poeta e escritor premiado em concursos e autor de outros livros em prosa e verso.

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Clélia Gorski – Jornalista, publicitária e autora do livro Separada & Dividida (Novo Século)


 

Livro: Gute Gute - Barriga Experimental de Repertório, romance, 226 páginas.
Autor: Silas Corrêa Leite, poeta, blogueiro, professor, escritor
Editora: Autografia, RJ, 2015
Fanpage: https://www.facebook.com/guteguteromancesilascorrealeite?fref=ts

 

Clélia Gorski mora em São Paulo desde 1987, é formada em Jornalismo e Publicidade & Propaganda, acumulou experiência como apresentadora, repórter, editora, produtora e assessora de imprensa, com passagens pelas emissoras de televisão: Rede Record (10 anos: responsável pela área de conteúdo da Record Internacional, atuando como apresentadora, repórter e editora); TV Cultura (12 anos: Assessora de Imprensa, produtora e apresentadora do programa Vestibulando Digital). TV Gazeta (produtora) Rádio Eldorado (Repórter), autora do Romance “Separada & Dividida”.

Maria Coquemala Faz Resenha Crítica de GUTE GUE Romance de Silas Correa leite


“Gute  Gute” – O Romance de Silas Corrêa Leite

                                                                                 

                                                                                  Maria Apparecida S. Coquemala

                                                                                  (maria-13@uol.com.br)

                                                                      

 

O romance  Gute  Gute do nosso querido amigo, o famoso prosador e poeta itarareense Silas Corrêa Leite, se constitui de relatos da vida de um bebê de altíssimo QI, no útero materno, em fase final de gestação. E que relatos!... Que vidinha venturosa e aventureira... Aventureira? Sei que vão estranhar, mas acreditem, assim viveu esse guri no útero da mãe que o poeta chamou de troninho - onde ele se aninhava, qual passarinho no ninho agasalhante - até que chegasse a hora do parto, ou melhor, da partida para a realidade aqui fora.

            A vida do guri não se limitava ao interior e exterior do útero na barriga materna. Extrapolava, captando tanto o mundo físico como o psicológico das gentes  lá fora. Ou seja, as limitações impostas pelas paredes uterinas não o impediam de ter contato com outros meninos e meninas de outros úteros, inclusive no mundo virtual. E assim, além da permanente observação do pai e da mãe, tinha grande variedade de amigos e amigas, até namoradinhas, com quem se comunicava com graça e humor, não apenas  através da vizinhança concreta das barrigas grávidas da sua e das outras mães;  também por outros meios, como a Internet, quando as mesmas mães grávidas se conectavam e o menino podia também se comunicar através das mesmas conexões. Só mesmo a inexcedível criatividade do Silas para imaginar tal mundo.

            E a linguagem? Via de  regra hilária, entre os bebês comodamente instalados nos seus troninhos. É mesmo para gargalhar. E quanta fofocas entre eles, quantos namoricos...

            - “Ei, encardida, você veio hoje, meu amor?”

            - “Ué, pensei que você tinha dado no pira, saído de circulação, tinha ido dar  com os burros n’água...”

            “- “Que que é isso, companheira? Tô na água, mas não sou peixe. Tô crescidinho, mas não morri aqui ainda para ir nascer do outro lado... Como é que estão as coisas?”

            “ A minha dona não está bem...”

            “Como assim? Se você morrer, eu te mato”.

            Tais diálogos podem acabar levando o leitor a imaginar-se naquele mundo em que esteve também por meses, um mundo que suas lembranças já não alcançam, ou melhor, ele pode pensar que não alcançam. Na verdade, são registros que não se apagam. Admite-se hoje que o inconsciente é a parte da memória onde se situam esses registros a que já não temos acesso, mas que podem gerar conflitos. Psicólogos sabem como chegar até eles. E nossas lembranças bloqueadas, nosso substrato, não seriam apenas as nossas lembranças, seriam também dos nossos antepassados ao longo do tempo. Registros que se refletiriam nos sonhos. E poderiam comandar nossa vida, dependendo da gravidade e da suscetibilidade de cada um de nós.

            Voltando ao menino, pouco do entorno físico ou do psicológico lhe escapava.  O relacionamento entre o pai e a mãe, ora sensível, terno, amoroso, ora tempestuoso não lhe passava despercebido entre os flashes da vida deles se sucedendo. Amigos e namoradinhas  uterinas  dinamizavam-lhe o dia-a-dia  até que chegou  a hora da partida para o enigma da realidade aqui fora, hora do parto, ou da chegança, como diz o Silas.

                Mas, enfim tal  momento foi chegando e...

            “Toda essa luz... isso não está me cheirando bem...”

            “Não sei quem sou agora - estou delirando ou não estou em mim? Mas eu sinto que escolhi dentro do castelo do sonho do outro lado da vida, no Planeta Barriga, entre as colmeias de mães...”

            “Aquilo que eu não sei é tudo que eu sei...”

            Leiam o livro. Vão divertir-se muito, comover-se também, pois o Silas sabe muito bem como despertar o interesse e a emoção de seus leitores.

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Maria Apparecida S. Coquemala é professora de Língua e Literatura Portuguesa, especializada em Linguística e pedagogia, formada pela PUC-Campinas. Como professora e diretora, trabalhou em escolas públicas e particulares.  Autora de poemas, crônicas e contos premiados no Brasil e exterior. Escreve poemas, crônicas e contos.  Já publicou entre outros Naná e o Beija-flor (infantojuvenil), Círculo Vicioso, O Último Desejo e Além dos Sentidos (crônicas e contos). Como coautora, está presente em mais de 90 antologias, inclusive internacionais.

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Quando os Oceanos Choram Um Menino


Triste Poema Historial Contemporâneo

 

QUANDO OS OCEANOS CHORAM UM MENINO...

 

(Somos Todos Aylan Kurdi!)

 

 

“Toda história é remorso”

Carlos Drummond de Andrade

Para o Menino Sírio Aylan Kurdi, In Memoriam

 

 

... o corpo de um menino sírio morto veio emergir numa praia da Turquia

Como se o mar revolto não compactuasse com o horror do dezelo humanus

A Europa – berço da civilização – e o estertor do inumanismo ocidental

Quando os oceanos choram um menino, é o fim da dignidade da espécie...

 

... E a nossa nave Terra, que em chinês quer dizer exatamente isso, Menino

E as marés chorando um menino; é como se estivessem chorando a própria Terra

Pobres seres abandonados de qualquer ética plural comunitária humanista

A nova desordem econômica mundial, e o caos do capitalhordismo americanalhado em áreas pobres do planeta

 

Índios, negros, palestinos; destruição, escravismo, saques por ouro, prata, cobre, silício, petróleo, terra

E genocídios, sangue por óleo, colonizações exploradoras levando falso progresso

Mas quando seres famintos como sequelas do que deixaram procuram paz e pão, e o apoio sobrevicencial dos que os exploraram

São rejeitados como imigrantes pobres, doentes, famintos; refugiados. E as nações se recusam a ajudar o que é refugo do capitalismo-câncer

 

... o corpo de um menino sírio de nome Aylan Kurdi, filho de refugiados, que foi emergir numa praia da Turquia

Representa um escárnio da civilização europeia e mundial em total decadência

De uma guerra em que todos perdem, mas o insano e nefasto lucro-fóssil ganha

E esse menino morto é um atestado de falência moral da sórdida raça humana...

 

Os ventos choram, as árvores choram, as chuvas choram, choram todas as mulheres

Choram todas as mães, artistas, pensadores, sentidores; a sensibilidade arrebentada

A sociedade pústula, a Europa indigna, a América Cloaca de estrelas vermelha de sangue de explorados

E um menino prostrado passa a ser o símbolo da falência do futuro na vergonhosa historicidade judaico-cristã...

 

Quando a barriga do oceano chora um menino, deixando seu corpo a beira mar

É o fim. É o ranço do neoliberalismo câncer, de privatarias, da inumana terceirização neoescravista

Enquanto lucrarem com a fome, com a miséria, com a exploração de regiões pobres do mundo

Somos todos aquele Menino ilhado na miserabilidade do hediondo estrume social, contemporâneo...

 

Somos todos aquele menino Aylan  - futuro! – prostrado sob o sal enfermo de um litoral

Filho de injustiças históricas; tentando se refugiar muito além da fome, da guerra, da morte

Quando a terra e o sal da terra e do mar deixam morrer um menino a mingua da consciência humana

Não há mais humanos. O nosso remorso é apenas uma lágrima no oceano de riquezas impunes, de lucros injustos... num mar de insanidade palaciais de potências amorais...

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Silas Corrêa Leite, Itararé, São Paulo, Brasil, Sulamérica do Sol.


 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Silas Corrêa Leite do Jornal O Guarani de Itararé-SP, para o Jornal PRAVDA da Rússia


Poetinha  Silas do Jornal O Guarani de Itararé-SP, em Site do Jornal PRAVDA da Rússia

 

No site do Jornal PRAVDA da Rússia, no link http://port.pravda.ru/sociedade/cultura/02-09-2015/39379-vira_latas-0/  internauta do mundo inteiro pode acessar e ler a resenha critico-literária do premiado escritor Itarareense, Silas Corrêa Leite, colunista do Jornal O Guarani do Clã Lages (Hermínio/Toninho). O link da internet aponta para comentários literoculturais do autor Itarareense sobre o novo livro do professor universitário Adelto Gonçalves, 'Os Vira-Latas da Madrugada', escritor que foi jornalista, tendo trabalhado no Estadão, Folha de São Paulo, Editora Abril e A Tribuna, de Santos, que é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), autor de vários livros de renome, e que ganhou em 1986 o Prêmio Fernando Pessoa, da Fundação Cultural Brasil-Portugal. O livro foi relançado agora pela Editora LetraSelvagem de SP e o Silas fez a resenha que o escritor elogiou.

Silas Corrêa Leite começou a escrever para o jornal O Guarani em 1968, com 16 anos e apenas o curso primário, quando ainda era garçom do Bar do Calixtrato. Migrando para SP em 1968, voltou a estudar, sempre escrevendo, colaborando com o jornais de Itararé. Depois de formado, ganhou prêmios de renome, vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores, promovido pela USP-Universidade de SP, que foi reportagem no Jornal O Estado de São Paulo e na Rádio Eldorado, quando, à época, recebeu telegrama do então Prefeito Nehir Carneiro parabenizando-o. Ganhou outros prêmios, inclusive no exterior, constou em mais de 100 antologias literárias em verso e prosa, até internacionais, com textos publicados também no Jornal Correios do Brasil, Observatório de Imprensa, Mundo Jovem, Trem Itabirano, e mesmo em fanzines, suplementos culturais e revistas eletrônicas no  Brasil, na Europa (Portugal, Itália), na África (Angola, Moçambique), América (EUA, Argentina, Chile), sempre promovendo causos e acontecências de Itararé. Também foi destaque em todas as redes sociais, e mesmo na mídia televisiva, como TV Bandeirantes, TV Cultura, Canal Universitário, GNT, e ainda no Diário Popular, Jornal da tarde, Revista Época, Revista Ao Mestre Com Carinho e outros veículos de comunicação. Foi ainda destaque no Vestibular de Letras da FAFIT de Itararé, e no vestibular da VUNESP-SP, além de premiado no Mapa Cultural Paulista, representando Itararé. Poetinha Silas como é conhecido em nossa cidade e região, foi o primeiro homenageado no Centenário de Itararé, quando teve seu Hino ao Itarareense oficializado pelo Legislativo Municipal e recebeu o Titulo de Cidadão Itarareense. A cada dia se confirma toda a carreira do colunista do Guarani, que começou no jornal, e que cada vez mais refirma assim sua carreira, já em vias de lançar outros livros, com três contratos assinados, e constando em mais de 800 sites, até internacionais, promovendo a chamada Literatura Itarareense, justamente homenageada pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura, no último desfile de aniversário de Itararé.

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http://port.pravda.ru/sociedade/cultura/02-09-2015/39379-vira_latas-0/


CULT NEWS


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Resenha Crítica do Romance "Separada e Dividida" de Clélia Gorski, de Itararé-SP


Breve Resenha Crítica

“Separada & Dividida”, o Romance-twister de Clélia Gorski

 

Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar

e a voltar sempre inteira. -  Cecília Meireles

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Clélia Gorski é uma mulher extremamente bonita e refinada, nascida em Itararé, SP, jornalista, publicitária, com conhecimentos e vivências nas áreas de apresentadora, repórter, editora, produtora, assessora de imprensa, com trampos em canais de tvs como Record, Cultura, Gazeta e mesmo na Rádio Eldorado. Seu romance de estreia “Separada e Dividida” traz tudo isso de vivencial, tudo junto e muito misturado (temperado) na obra, que quando lemos a “dança” dela também feito um twist de escrevivências, vemos um filme passando em nossa cabeça, mas, ao contrário, por exemplo, de Comer, Rezar e Amar, com Clélia Gorski é, literalmente isso mesmo: Correr, Zerar e Amar... Toda vida tem a estatura de uma peregrinação, para que busquemos nossa iluminação toda própria, peculiar, interior, por nossos próprios meios, escolhas, até o conduzimento de situações periclitantes da vida, para, então, evoluirmos e aprendermos com as trilhas, sofrências, erros e acertos, até o nosso refinamento íntimo, já que a borboleta nunca pode voltar a ser casulo. Sonhar dói? Alice no país das maravilhas, ou nesse mundo masculinizado em que o coelho diz que somos todos loucos? Ou é quando Alice não mora mais em si, mas no outro, no amor, e na dor, no conhecimento da dor, já que aprender é limar-se, evoluir, ter a iluminura?

 

"Na impossibilidade das lágrimas, choro tinta", diz um poeta paranaense, cujo nome me foge agora.  Mas é mais ou menos por aí, o belo historial todo do romance “Separada e Dividida” (Editora Talentos da Literatura Brasileira-SP),  da Jornalista Clélia Gorski. A narrativa tem todo um lado twister-escorpião, revelando, desvelando, feito um diário de percurso. Afinal, dançar, costurar, viajar (a logística da sobrevivência possível), cozinhar, planejar, e ser-estar-permanecer mãe acima e sobre todas as coisas, não está pra peixe, sereia, ninfa. E tudo isso, ainda, o lado feminino na florescência de um mundo masculinizado... Pensa que é fácil ser mulher moderna assim? Alice, a personagem central, narradora, meio psicóloga, meio filósofa, é tudo isso e muito mais, e ainda com a sua trilha sonora... no estúdio da alma. Ah a postura açucareira dessas mulheres de alto gabarito, quando sobem nos saltos, e nos ensinam a amar o amor...a sermos e parecermos mais humanos.  Mas, como se diz, quando estamos amargos, temos que rebolar, porque o açúcar está no fundo da xícara, e temos que mexer com ele, nos adoçando, apesar de tudo. A vaidade é um rímel na asa. Contrastes, cores, músicas, correrias, enfrentamentos, e Alice rebola na sua dança sobrevivencial, contando rupturas, amores, recomeços, idas e vindas... Como diria Elis Regina: “dançando na corda bamba sem sombrinha”, e ainda assim estimar, cismar, perquirir, vencer. Já pensou? E toma ioga, boxe, cursos, a reconstrução, a autoestima, a tal da resiliência. Separada e divorciada, dividida é pouco: multiplicada! Mulher moderna e brilhante é isso: precisa refluir a alma pra se coçar, se encantar, se reerguer das cinzas. Trabalha, estuda, faz cursos, musculação, faz esteira, pois é: socada, fatiada, mas nunca desistindo e sempre permanecendo ativa e vencedora, pois é uma mulher acima da média. “Resgatar-se é como dar uma festa, e ser, ao mesmo tempo, o anfitrião e o convidado mais esperado”, disse Marla Queiroz. Pois esse romance da Clélia Gorski, “Separada e Dividida”, é exatamente isso, um palco-vida-livro, com holofotes da alma guerreira se pronunciando em todas as palavras, cores, letras e músicas, meio Clarice Lispector, meio Cecilia Meireles, meio Hilda Hist, meio Silvia Plath, meio Cora Coralina, meio Adélia Prado, tudo moído, separado, flechado, escancarado (janelas abertas para o céu da busca?), tudo assim mesmo juntado e costurado com a fibra da peregrinação, a resina da luta, a anilina do tempo, e o próprio perfume de uma lutadora cheia de fé no próprio taco, e, ainda assim, moleca e cheia de graça e amor pra dar. Só as almas de açúcar cristal são felizes depois de tudo?

 

No livro a narrativa flui, e você embarca, e toma assento das buscas, das estimas, dos conflitos, dos desesperos, da mãe, da mulher, da Alice e sua brincadeira de ser feliz, de sua braveza para vencer etapas, de sua tentativa de conciliar várias situações com o eixo norteador de si mesma, mulher sujeita de seu próprio destino, com todas as enfrentações de percurso, feito um romance-vida que daria um filme, também, tipo assim: “ensina-me a sobreviver”. Ah a cara cara-metade, o olhar-se no espelho de Alice, ressentimentos, emoções aflorando, “mulher do século XXI que está prestar a virar pó, de tanto ser aspirada pelas milhares de tarefas a cumprir” (pg 31). As zonas de colisões, de acomodamentos. Você lê a alma da autora no que ela escreve... Ela se desnuda, mas, vencedora, no seu melhor momento. Ah o certo e o errado, as circunstancias e as atitudes, os cuidados e os vazios... a sorte (sorte?)... o destino (destino?) ... encontros e desencantos, correndo riscos, e a mão na massa... pois pinta e borda (vive!), brilha, aqui e ali, a vida de ponta-cabeça,  tentando fazer tudo sem começo, meio e fim, e acabar descobrindo que é um elo parte integrante de um todo cósmico que é eterno... e acabar tudo  em livro...  

Diz Evelin Pestana: “A dor emocional traz em si não apenas o que o outro não foi para nós, mas, sobretudo, o que não fomos para o outro. Entre o que esperávamos do outro e o que esperávamos de nós, nesse entre, podemos encontrar os recursos necessários para fazer da dor, caminhos. Está no "entre dores" a possibilidade de transformar nosso olhar em um olhar amoroso sobre nós mesmos”.  E depois,  como diz Pepino Di Capri, na romântica balada italiana “Il Mondo”(citada pela autora no livro): “O mundo//Não parou nunca um momento//A noite persegue sempre o dia//E o dia virá...” Alice não mora mais em si? Separada, fatiada, dividida, flechada, socada, costurada, reconstruída (iluminada), Alice não mora mais em si. Mas sua “almamãe”, sua alma avelã, mora na alma do mundo, a terra-mãe, ela mesma artesã de sua própria história de vida e de luta; e de conquistas, claro. O “líquido que jaz no repouso” (Alquimista da Alma, Poema da autora no livro, pg 186), mostra a obra depurada, liquida e certa, ela mesma, a autora/ (a personagem Alice?), entre a dor e a endorfina, e, romance de estreia, autobiográfico ou não, mas pondo as manguinhas de fora, e altiva –  no auge de sua vida-livro -   se dizendo presente como criativa escritora, e se assinando também ainda assim como competente romancista. Que aventura, que conto de fadas é a vida de uma mulher especial?  Ah, o final feliz é sempre aquele eterno e bendito Recomeçar...

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Silas Corrêa Leite – Poeta, blogueiro, professor, autor de GUTE-GUTE, Barriga Experimental de Repertório, Romance, Editora Autografia, RJ


BOX:

Livro “Separada e Dividida”, Romance, 188 páginas

Autora Clélia Gorski, Jornalista, Publicitária

Editora Novo Século/Selo Talentos da Literatura Brasileira, SP, 2015



terça-feira, 11 de agosto de 2015

Escritora Clélia Gorski de Itararé, Lança Livro SEPARADA E DIVIDIDA


GUTE-GUTE, Barriga Experimental de Repertório, Novo Romance de Silas Correa Leite



 

LANÇAMENTO DE ROMANCE - Release

Contrações Do Novo Romance de Silas Corrêa Leite

“BARRIGA EXPERIMENTAL DE REPERTÓRIO, GUTE GUTE”

O menino/Desengonçado/Estende a mão (...)

As palavras?/As palavras mergulham...

                        In, Galeio, Francisco Marques, Petrópolis

 

Está no prelo, pela Editora Autografia do Rio de Janeiro, o romance GUTE GUTE, BARRIGA EXPERIMENTAL DE REPERTÓRIO, a mais nova “loucura literária” do polêmico (e premiado) literato Itarareense (poeta, ficcionista e blogueiro premiado), Silas Corrêa Leite, tachado pelo Antonio Abujamra (Programa Provocações/TV Cultura de SP), de “O Neomaldito da Web”, e que hoje está publicado em mais de 800 sites, vários links de renome, até na América espanhola, Europa e África.

O escritor, já autor de outros livros, todos “diferenciados”, por assim dizer, esteve em crise de saúde, de anos atrás até mais recentemente, após perder a matriarca querida em Itararé, tendo vivido tempos difíceis, mas, ainda assim e por isso mesmo, profícuo criador na sua “dorpoesia”, claro, e, ao bolar este romance “louco”, também por assim dizer, parece que ao escrevivê-lo se “livrou” de  tamanha tristeza e angústia. Ao escrever GUTE GUTE colocou toda amargura para fora de sua orfandade sofrida, daí surgindo, nascendo, aperfeiçoado enquanto romance e enquanto literatura de primeira, GUTE GUTE, Barriga Experimental de Repertório. Sorte dos leitores dele, e do grupo Leia Silas, que no Facebook beira cinco mil amigos.

O que uma criança na barriga gestora da mãe sente, como é que é a rotina do trono umbilical e seu entorno, as reinações da grávida chorando de barriga cheia, como o baby se comunica com a mãe dentro da barriga adjacente, como é que ele pode se comunicar com outras crianças superdotadas ou sensíveis em outras barrigas-valises passantes, em berçários-ninhais. Com amor, humor, entre alegrias e sofrências, o autor destila-se como ele mesmo fosse o filho da mãe, bendito fruto, e contasse desde a fase intrauterina de uma criança, até arrebentar-se na barriga do mundo. O hormônio da mãe, refletindo no baby, as relações e afetos maternos entronizados para todo o corpóreo em formação, pelo duto do cordão umbilical, feito uma navezinha em formação acoplada no planeta barriga.

O leitor vai se encantar, se emocionar, sentir-se criança de novo, se colocar no lugar do escritor, no lugar do bebê, de onde talvez nunca queria ter saído. Quem tem mãe não tem medo, disse Henfil. Mãe é Mãe, Coca Cola é Coca Cola, diz o mote ridente das redes sociais. Pois o escritor também, filho da mãe, conta como é ou como poderia ser (salvo pela imaginação?); dá voz ao baby, que, sim, antes de vir à luz, quer falar, quer dar à luz a sua interpretação de meio, gestão e expectativa de vida. Vivemos mesmo só nove meses? Ao ler o livro você vai se sentir na pele da mãe atiçada, como enjoos, com desejos; na pele do bebê atiçado, cheio de perguntamentos e quireras de entendimentos espaciais, e precoce; na pele do pai babão e manteiga derretida, corinthiano, e, claro, só podia, também na pele do escritor, em mais uma obra com a sua marca, a sua cara, a sua especialização entre surrealismo, realismo fantástico e invencionices fora do convencional, quando não assustadoramente criativas. Ser mãe é padecer no paraíso, disse o poeta. Ser filho é contar lorotas, peraltices, sentires, pensares e falares deste o ventre?

Este é o novo livro maluco beleza, essa é a obra. Sinta as contrações do parto do livro e do nenê espeloteado e traquinas, transpolar e hiperativo desde a fase barrigal. Já pensou? O que o bebê quer dizer, o que ele sente, pensa, imagina, cria, e espera. Entre sem bater. Tem gente. Bem-vindo à Barriga Experimental de Repertório de GUTE GUTE.

Logo o livro estará à venda online, no site da editora, em formato de ebook, para leitura no Kindle e mesmo em formato de EPUB.

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Cult-News, Release - La-goeldi@bol.com.br




 

 

 

sábado, 11 de abril de 2015

Leitora de Silas Correa Leite, Fala sobre o Literato "Fabricador de Livros"


Para  - Silas Corrêa leite - poesilas@terra.com.br

 DEPOIMENTO DE LEITORA

O Ciberpoeta Silas Corrêa Leite, “Beer-Man” Zenboêmico é uma Fábrica de Livros Num Pais de Analfabetos?

-Fábrica de livros, disse um leitor, bem inteirado. E nenhum virou livro-bomba, nem explodiu nas paradas da Revista Veja. 19 livros (logo teremos outros) e nada, se não mal-e-mal algumas criticas elogiosas em sites marginais, ou de renome, até fora do Brasil, ou um ainda de contos premiados finalista do Telecom, Portugal. Vc escreve porque vc é louco? Nomes de livros bem sacados, Porta-Lapsos, Desvairados Inutensílios, Goto, para não dizer de Campo de Trigo Com Corvos, Troios Perigritantes, Mocorongos, Pirilâmpadas. Vc não deveria parar de escrever? E pq é louco de criar tantos neologismos? Se bem que seus prêmios de renome valoram sua ousadia. Ou não? Pq ainda não foi descoberto por uma chamada grande editora do eixo RIO-SP? Se bem que saiu em programas loucos de TV, Provocações, Metropolis, Marcia Peltier... Temperando o Papo... Tb ganhou prêmios até fora do Brasil, na USP, em Portugal (Instituto Piaget), consta em mais de 800 sites até no exterior, em mais de 100 antologias literárias internacionais e até da Biblioteca Nacional na era do Ivan Junqueira? Vc não existe...

Mais de mil cadernos de rascunhos poéticos de 200 pgs cada um, com capas em desenho abstrato heráldico. Poemas, contos-lâminas, twiter-poemas, twitter-contos, ensaios, criticas literárias, resenhas, vários ebooks, bolou o primeiro livro interativo do reino da web, destaque na Revista Época, tese de mestrado e doutorado na UFAL... Você não vende por quê? O que vc escreve é diferenciado, não tem mercado, mas tb tem textos polêmicos como O Homem Que Virou Cerveja, Todos Têm Direito de Matar Três Pessoas, Todos Têm Direito de Ser Idiotas, e o Estatuto de Poeta vertido pro espanhol, inglês, francês e russo. Vc não deveria ir embora do Brasil? Vc só vai ser lido, entendido, quando morrer, como o Rodrigo de Souza Leão que era seu fã e entrevistou vc?

Você escreve sobre coisas que ninguém antes pensou, sacou antes, ou mesmo nem imaginou que um ser humano normal pudesse escrever... Vc usa drogas? Vc não existe. Vc teve uma vida sofrida, família pobre, de engraxate a poeta e contista premiado. Por que vc não se joga do alto da sede da Folha de SP para virar pop e então alguma editora possa se interessar em relançar seus livros, mais os outros inéditos, mais os cadernos. Vão passar anos lançando vc, faturando com a sua morte... Vc disse no Provocações (TV Cultura/Abujamra) que corta os pulsos com poesia. Vc regula bem?

Vc escreve desde 8 anos no primário, desde 16 em jornais, está com 62 anos, e até agora apesar de ter tido por várias vezes seus cinco minutos de fama ainda caça espaços nas redes sociais, com seus links como Silas e suas “siladas” (humor em alto astral e alto nível literocultural), vc  já caiu no vestibular da UNESP, foi bolsista da FAPESP-USP, escreve loucuras e poemas sociais, contos assustadores, vc é um perigo, vc tem pacto com quem? Vc não deveria voltar para Itararé e esquecer isso de escrever loucuras, medos, rabos e feridas acesas?

Se ligarem um cabo qualquer em sua cabeça, vc escreveria um livro por dia; vc deveria ter um programa na web tipo FALA QUE EU TE EXPLUDO (Desvairados Inutensílios), mas vc não é amigo de ninguém, não aceita teste de sofá, tá lascado, vc deveria fazer greve de fome com todos os seus cadernos ao lado, prêmios, cursos, livros, antologias; vai morrer de fome, claro, mas vai sair no Jornal Nacional... Boa Noite: Poeta Louco Morre Inédito...

Quando é que vão descobrir vc?

Pois é, poeta Silas Corrêa Leite

Esse depoimento é pra vc, cheio de mim, de si, de Si...lás...

Quando vc morrer e ficar famoso, posso dizer de vc...

Sua fanática

Maria Cecilia Mainardi

GRUPO LEIA SILAS


 

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015


Lucas Dranski, Talento Precoce, Faz Resenha do Romance GOTO de Silas Correa Leite


 

 

Breve Resenha Critica

 

Resenha GOTO – Romance – O Reino Encantado do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, de Silas Corrêa Leite

 

 

A Estância Boêmia de Santa Itararé das Artes, Cidade Poema, Terra do Nunca, é como o autor se refere ao cenário de toda a mágica e contagiante história de Goto, romance engenhoso e excêntrico de meu grande amigo, Silas Corrêa Leite.

Neste livro-labirinto, tudo começa sem começo, tudo se inicia nas contações inusitadas de Ari, um menino-reflexo do autor, intrigante, de personalidade vivamente literária. Pobre, mas vencedor, o menino é um sonhador que, durante o decorrer da leitura, ajuda o pai no seu ganha-pão, trabalhando à noite, levando pessoas misteriosas à outra margem do Rio Itararé no seu barco mais mágico do que de madeira. Ari, ou Goto, tipo conversadeiro, narrador, fala com seus “clientes” durante horas, fazendo suas viagens parecerem o infinito dentro de minutos. O menino é literalmente uma fenda temporal.

Depois do trampo, cansado, sujo, deficiente, ainda arranja tempo para cuidar da mãe, e contar para o pai as narrativas mirabolantes cada vez mais esquisitas que vinha aprendendo com seus supostos viajantes.

A partir daí, a história se adentra no mundo da fantasia, e cada conto do menino dá a parecer que o leitor embarca numa peça de teatro, depois num filme vintage, ora entra num conto de fadas desconcertado. Com toda a trama se desenrolando, como gato brincando com novelo, Goto te impressiona, te conquista e desperta em você a vontade de correr à casa do autor e bater palmas. Não se enganem os leitores em achar que este místico romance é apenas um livro, pois estou certo de que seu algo a mais corresponde à uma obra de arte impressionante e contagiante!

 

Lucas de Lazari Dranski

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Lucas de Lazari Dranski, 15 anos, escritor, poeta, cristão protestante, possui curso de Língua Espanhola completo, cursa Serviços Jurídicos (ETEC) integrado ao Ensino Médio e Inglês. Nasceu na cidade de Curitiba-PR e, atualmente, mora na cidade de Itararé-SP, divisa dos estados de São Paulo e Paraná. Pretende fazer faculdade de Direito e, posteriormente, Filosofia. Diz o Lucas, talento precoce: "Sempre fui fascinado por livros. Quando era pequeno, ia com meu pai debaixo de chuva à biblioteca e pegava livros na minha carteirinha, e na dos meus pais. Fora minha mania também de esconder livros que eu gostava para pegar depois. Eu sou jovem, li muitos livros que acabam se tornando poucos no longo caminho da vida. Os que mais me marcaram até agora foram: A Bíblia; Dom Quixote; A Volta ao Mundo em Oitenta Dias e Viagem ao Centro da Terra (ambos do meu autor infanto-juvenil preferido, Júlio Verne); O Massacre da Noite de São Bartolomeu; O Banquete; O Mundo de Sofia e O Dia do Coringa, ambos do ilustre Jostein Gaarden); Assim Falou Zaratustra... Finalmente descobri que qualquer pessoa pode criar um desses universos fantásticos apenas com uma caneta e papel, não consegui acreditar. Treinei, e treino até hoje. Escrevo o que me dá na cabeça, o que minha mão manda escrever. Poeta é assim, não tem controle do corpo, quando quer escrever,

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

As Crônicas Maviosas de André Luiz Leite da Silva, Escritor de Itararé


Resenha Critica

AS CRÔNICAS MAVIOSAS DE ANDRE LUIZ LEITE DA SILVA DE ITARARÉ

“Não é no conhecimento que está o fruto,

é na arte de apreendê-lo”  - São Bernardo

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-Pensar filosoficamente, em tese, pode implicar em compreender as coisas, aqui e ali, de um modo geral, a princípio, por assim dizer, caótico (para os gregos, o caos consistia no abismo profundo, anterior a todo ordenamento), numa contínua busca de tentar compreender a realidade não como algo dado, pronto e resolvido, mas como algo a ser concebido. Com suporte narrativo nesses questionamentos desde o tear criativo inicial, o autor, querido amigo de infância, André Luiz Leite da Silva, servidor público na área de segurança pública (e, portanto, vivenciando a dura realidade de sequelas sociais perigritantes), e graduado em Filosofia, viaja textualmente na busca de tentar compreender e se inserir no pensamento contemporâneo do “humanus”, nesses tenebrosos tempos do politicamente correto, dentro do que poderíamos nominar de uma corrente filosófica humanista (depois do fim das chamadas utopias), e, porque não dizer, neoexistencialista, apontando crônicas pontuais e datadas que nos fazem pensar o sentir, sentir o pensar, refletir e avaliar o problematizado mundo pós-moderno, da individualidade sistematizada em cada um por si e salve-se quem puder, de infovias efêmeras, portanto, André Luiz, no escrever contextualiza assim o próprio pensar e o próprio sentir de uma maneira bem perspicaz, crítica, mas consistente e principalmente com belo vezo humanista, sintetizando em graciosa prosa poética até, o que pensa e sente a partir de leituras, observações, compreensões, acima e sobre todas as coisas tentando compreender a própria alma humana, mais do que ela compreende a si mesma. A vida é uma mentira na qual a civilização entre a Barbie e a barbárie ainda não tem consciência? Periga ver.

-Escrevendo o livro “...EU VEJO VOCÊ”, seleta de crônicas, não dá respostas, antes, aponta novos questionamentos contundentes. Não responde a perguntas, antes, implica em novas indagações no contexto do que narra. Não tem e nem traz verdades perfeitas, plenas e acabadas, em absoluto, mas, de per-si fere a própria pele nos perguntamentos cruciais. Parafraseando Benjamin, Peter Paul Pelbart dizia que não deveríamos nos deixar embalar por um determinismo tão apocalíptico quando complacente, mas que era “preciso escrever-se esse presente a contrapelo, e examinarmos as novas possibilidades de reversão vital que anunciam esse contexto”(...). O que é o conhecimento? O que é a realidade emergente? Qual o sentido da existência propriamente dita? Escovando os subterrâneos da consciência social, tentamos redescobrir o próprio encanto de perceber os moinhos e as pedras rolantes da vida, tentando compreendê-la e também como são as coisas, ou ainda não são... Ferreira Gullar cantava: “Uma parte de mim é permanente(...)/Outra parte/Linguagem...” (Traduzir-se). Existir, à que será que se destina, cantava Caetano Veloso. E ele mesmo, numa balada seguinte se respondia, na sua liberdade criativa: “Cada um sabe a dor e a delícia/De ser o que é...”. Escrever (criar) é isso: dar testemunho de visões de apuramentos interiores, buscas espirituais, a razão e a irrazão nas fermentações, com olhares viçados sobre o incompreensível. Na vida somos todos passageiros de angustias e resignações sublimadas? A verdadeira consciência é ser percebedor do mundo, no caso, percebedor imaginante, pensante, atuante. Filosofar é ser amante da sabedoria, e criar conceitos novos é o objetivo da filosofia, porque, segundo Aldous Huxley (in, Admirável Mundo Novo), a finalidade de todo condicionamento é fazer as pessoas amarem o destino social de que não podem escapar, e, falando sério, muitos ainda adoram regras, normas, redis, refis, currais, manadas, conceitos dinossáuricos e até mesmo religiões, como uma espécie assim de adestramento nas suas fantasias mal resolvidas, nas frustrações, neuras, irrealizações e incompletudes. A inquietude é a falsa medida de todas as coisas não compreendidas, e as sequelas disso inumanam o quase possível humano em nós? Ah as reservas de algum gomo neural selvagem dentro de nós, entre nós... A bem dizer, poderíamos citar o poema:

-“O rebanho trafega com tranquilidade o caminho: /é sempre uma surpresa ao rebanho que ele chegue/ao campo ou ao matadouro. /Nenhuma raiva /nenhuma esperança o rebanho leva, /pouco importa que a flor sucumba aos cascos /ou ainda que sobreviva. /Nenhuma pergunta o rebanho não diz: /até na sede ele é tranquilo /até na guerra ele é mudo - /o rebanho não pronuncia,/usa a luz mas nunca explica a sua falta /usa o alimento sem nunca se perguntar./Sobre o rebanho o sexo/que ele nunca explicava/e as fêmeas cobertas /recebem a fecundidade sem admiração. /A morte ele desconhece e a sua vida,/no rebanho não há companheiros /há cada corpo em si sem lucidez alguma(...)/O rebanho não vê a cara dos homens /aceita o caminho e vai escorrendo/num andar pesado sobre os campos”. (O REBANHO E O HOMEM, José Carlos Capinan).

-Em belas crônicas, de questionamentos intermitentes, tácitos ou contundentes, André Luiz revela a própria alma inquisidora, no contexto das inquietudes da vida e da sociedade hipócrita, tentando significar para si a razão de ser, de estar e de permanecer no mundo, e assim, de modo sutil ou irônico narra, tripudia, detona, questiona, implica e escreve sobre a sua compreensão dessa espécie no sublimado caos querendo organizar tudo, e relata as próprias relações da vida, e suas impurezas, de purgações a sentimentos de viver isso tudo, e, mais, sobreviver para fazer-se humanus entre pouco humanus ou pseudohumanus. Há olhos de ver e olhos de enxergar, diz o sofista. Ver e sentir pesam olhares sobre clarificações. Pensar o ver, pensar o sentir apurado, sensível, deu nisso. Crônicas de um tempo, de um lugar, dentro de um mundo que, quer queiram, quer não, ainda é um ponto de interrogação à beira do abismo. O ser humano? Bem, essa é questão, o ser e o não-ser, parafraseando Shakespeare. Monteiro Lobato dizia que o homem é a pior poluição do planeta terra, porque é uma poluição inteligente. A melhor filosofia é ser feliz? Ou a melhor filosofia é colocar o dedo na ferida disso tudo, feito uma antena da época, como preconizou Rimbaud?

-A vida também pode ser a arte do encanto de pensá-la, senti-la, nutrí-la de beleza e principalmente questioná-la a partir daqueles que têm uma opinião formada sobre tudo (Raul Seixas). Talvez, mas só talvez, então devamos num primeiro momento buscar a agregação para diálogos, o deguste zen-boêmico, seguindo as leis de Baco, nos posicionando em relação a tudo isso, trocadilhando o poeta roqueiro Renato Russo, sentenciando que, sim, “é preciso amar as pessoas/Como se não houvesse Wifi”(...). Perguntas nos trazem respostas com brumas, e depois outras novas perguntas,  assim, escrever não deixa de ser a filosofia de pensar a própria busca de nós conosco mesmo, nesses tempos que, sedentários e consumidores em potencial, não podemos deixar a comodidade, a insensibilidade e a paranoia continuarem vencendo. Resistir é preciso. Escrevendo que seja. E escrever é como acender fósforos, como pertencer-se a uma tribo na senda cósmica que acaba por fim sendo uma trincheira de resistência em assentos de refinamentos íntimos, nessa peregrinação que nunca acaba em nós, mas mostram almas vivas em jornadas espirituais, de, sim, tentar compreender a vida, o mundo, a civilização, a raça humana, ô raça! Leia e veja-se, pois, afinal, está escrito: “As batalhas nunca se ganham. Nem sequer são travadas. O campo da batalha só revela ao homem a sua própria loucura e desespero, e a história não é mais do que uma ilusão de filósofos e loucos”(William Faulkner, In, O Som e a Fúria).

Silas Correa Leite

O autor, ciberpoeta, blogueiro e professor, escreveu “O Reino do Barqueiro Noturno do Rio Itararé”, Romance, Editora Clube de Autores. Site: www.portas-lapsos.zip.net