"Artistas de Itararé, Cidade Poema"

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Capital Artístico-Cultural Boêmica do Sul de São paulo

BLOGUE ARTISTAS DE ITARARÉ CHÃO DE ESTRELAS

"Artistas de Itararé, Chão de Estrelas"

Contatos: artistasdeitarare@bol.com.br

Clã dos Fanáticos Por Itararé, Cidade Poema

Palco Iluminado de Andorinhas Sem Breque

Os Dez Maiores Artistas de Itararé, Ano 2011

Dez Maiores Artistas de Itararé















01)-Maestro Gaya







02)-Jorge Chuéri







03)-Irmãs Pagãs







04)-Paulo Rolim







05)-Silas Correa Leite







06)-Paschoal Melillo







07)-Rogéria Holtz







08)-Dorothy Janson Moretti







09)-Regina Tatit







10)-Armando Merege







Itararé, Bonita Pela Própria Natureza

Itararé, Bonita Pela Própria Natureza
Nosso Amor já Tem Cem Anos

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Bibliografia de Dorothy Jansson Moretti, Poeta de Itararé


Banda Gumercindo Pereira "A Furiosa" de Itararé

DOROTHY JANSSON MORETTI


Nasceu em Três Barras, SC, vindo para Itararé, SP, aos dois anos de idade. Fez o Curso Primário no então "Grupo Escolar de Itararé", hoje "Tomé Teixeira". Continuou os estudos em Castro e Londrina, PR, onde paralelamente lecionou Inglês, graduando-se posteriormente em São Paulo, Capital.
Começou a escrever poesias aos dezesseis anos, fazendo acrósticos em álbuns de recordações de pessoas amigas. Esporadicamente escrevia artigos para os jornais "O Itararé"(extinto), e para "O Guarani".
Mudou-se para Sorocaba, SP, em 1956, e nessa cidade publicou durante algum tempo, poesias e crônicas nos jornais locais "Cruzeiro do Sul", "Diário de Sorocaba" e "Folha de Sorocaba" (extinto).
Em 1970 mudou-se para a capital de São Paulo, tendo lecionado Inglês em cinco escolas dessa cidade: No "Colégio Anglicano de Santo Amaro", no "Ginásio Estadual de Vila Leopoldina", no "Colégio Estadual Profa. Marina Cintra", no "Colégio Estadual Amadeu Amaral", e no "Instituto Mackenzie", onde se aposentou em 1987. É Sócia Honorária da Academia Sorocabana de Letras, pertence à Academia Petropolitana de Poesia "Raul de Leoni", à União Brasileira de Trovadores, e à Casa do Poeta "Lampião de Gas" de São Paulo, da qual foi Secretária Geral no biênio 1987-1988, bem como do jornal poético da Casa, o "Fanal", onde continua escrevendo poesias e trovas. Publica, ainda hoje, crônicas e poemas nos jornais de Itararé “O Guarani” e “Tribuna de Itararé”.
Tem poemas publicados em jornais, revistas e antologias de alguns estados brasileiros.
Participou de inúmeros concursos, alguns internacionais, tendo recebido troféus e diplomas na capital e no interior de São Paulo, e em várias capitais e cidades de outros estados.
Recebeu Medalha de Honra ao Mérito no Colégio "Amadeu Amaral", da capital, por ter feito a letra do Hino dessa escola, bem como o histórico e a poesia em comemoração aos setenta anos de sua fundação, em 1979.
Recebeu Diploma de Honra ao Mérito, de Poeta do Mês e de Musicista , na Casa do Poeta, onde colaborava nas reuniões lítero-musicais, declamando poesias, cantando e tocando piano.
Recebeu ainda da Casa do Poeta de São Paulo, diploma e medalha de Sócia Benemérita "Por seu importante destaque como benemérita defensora da cultura e difusão das Artes Poemáticas" (dizeres textuais do diploma), honraria que muito a sensibiliza.
Mudou-se em 1989 para Curitiba, PR, e nessa cidade publicou seu primeiro livro, "Frasco Vazio", pequena seleção de algumas de suas trovas premiadas.
Envia há muitos anos, crônicas, trovas e poesias para os jornais "Tribuna de Itararé", e "O Guarani", os quais, graciosamente, têm divulgado os seus escritos.
Em parceria com o Maestro Gerson Gorski Damaceno, fez a letra do Hino a Itararé, lançado a 28 de Agosto de 1989, como hino oficial da cidade. Na mesma data, aniversário de Itararé, recebeu seu Título de Cidadã Itarareense.
O Elos Clube de Itararé concedeu-lhe Diploma de Sócia Honorária, títulos ambos , que muito a sensibilizam e dignificam.
Em 1995 voltou a residir na cidade de Sorocaba, SP, onde, no ano 2000, publicou um livro de sonetos intitulado "Folhas Esparsas", do qual em 2006 fez uma 2a. edição; no ano 2002 publicou um livreto intitulado "Trovas ao Vento”, e em 2006 um outro também de trovas, intitulado “Chá da Tarde”, que lhe valeu, em 2007, na categoria Poesia, o “Prêmio Anual Sorocaba de Literatura – Categoria Poesia”.

Dorothy, entre tantos outros prêmios, diversas Menções Honrosas, Menções Especiais, ganhou também os seguintes Concursos de Trova:

Março 1988, Vencedora do Concurso de Trovas da UBT-União Brasileira de Trovadores de São Paulo SP, Maio 1988, Vencedora dos XXIX Jogos Florais de Nova Friburgo RJ, Outubro 1988, Vencedora do Concurso de Trovas da UBT de São Paulo SP, Dezembro 1998, Vencedora do Concurso de Trovas “Museu da Literatura” de SP, Novembro 1995, Vencedora do Concurso de Trovas do Museu Padre Anchieta de São Paulo SP, Outubro 1996, Vencedora do Concurso de Trovas do Museu Padre Anchieta de São Paulo SP, Março 1997, Vencedora do Concurso de Trovas do Clube Português de São Paulo SP, Setembro 1998, Vencedora dos XV Jogos Florais de Ribeirão Preto SP, Agosto 1999, Vencedora do Concurso Internacional de Trovas do Museu Padre Anchieta de São Paulo SP , Abril 2000, Vencedora dos I Jogos Florais de Maringá PR, Setembro 2000, Vencedora dos XIII Jogos Florais de Santos SP, Setembro, 2002, Vencedora do Concurso de Trovas da UBT de São Paulo SP, Junho 2003, Vencedora do I Jogos Florais de Pedro Leopoldo MG, Dezembro, 2003, Vencedora do XXVI Jogos Florais de Pouso Alegre MG, Novembro 2004 – Vencedora do Concurso de Poesia da Casa do Poeta Maçom do Brasil – São Paulo SP, Julho, 2005 – Concurso de Trovas da UBT de São Paulo SP, Setembro 2006, Vencedora do– XIV Jogos Florais de Curitiba PR, Dezembro 2006 – Vencedora do Concurso de Trovas da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte, Natal-RN , Julho 2006 – Vencedora do Concurso de Trovas da UBT de São Paulo SP, Outubro 2007 – Vencedora do XXV Concurso Nacional e Internacional de Trovas da UBT de Taubaté SP, Dezembro 2007, Vencedora do VIII Concurso de Assinantes do Trovalegre – Pouso Alegre MG, Julho 2008 – Vencedora do Concurso de Trovas da UBT de São Paulo SP, Julho 2008, Vencedora do Concurso de Trovas Assinantes do “Informativo” de São Paulo SP

Causo do Zé Maria Silva, O Maior Contador de Causos de Itararé




Causo do Zé Maria Silva, O Maior Contador de Causos de Itararé, São Paulo, Cidade Poema


'O Azulão' - Causo narrado por José Carlos Nogueira, que ouviu de seu pai, o saudoso Farmacêutico José Nogueira, de Itararé-SP.


'' Este causo aconteceu em Itararé, SP, nos idos de 30. Nhô Quinzinho tinha a fama de ser o maior comprador de suínos do sul paulista. Baixinho, usava sapato de salto pra compensar. Vaidoso, tingia o cabelo e o bigode. Sentia orgulho de ser chamado de garanhão, labioso. Mas seu orgulho mesmo se chamava Cigana, uma mula de passo picado. Num 25 de março agourento, ele resolveu fazer uma viagem no lombo da mula sertão acima. Em qualquer das paradas, dizia:
- Animal tal qual não tive notícia!
Dias depois, chegou ao destino, a Fazenda Santa Genoveva, do compadre Propício Assunção.
Ao passar a porteira, encontrou a comadre Zefa Polaca, loura, olhos azuis, que lhe disse pra aguardar o marido, que tinha saído. Tomaram café, depois licor, Dona Zefa começou a sorrir maliciosa até que o inevitável aconteceu: o compadre passou-lhe uma cantada. Ela não disse que sim nem que não. Seu Propício chegou finalmente e foram jantar. A comadre, sempre solícita, ofereceu inclusive uma moela para o visitante. Mas, de repente, o mundo caiu com a fala de Dona Zefa:
- Propício! O cumpadre me fez uma proposta quando nóis tava sozinho!
Pronto, a moela entalou na garganta do coitado.
- Qual foi muié?
- O cumpadre qué trocar a Cigana pelo cavalinho Revortoso.
Nhô Quinzinho sentiu alegria e tristeza ao mesmo tempo, mas achou melhor não discutir e dar a mula. No caminho de volta, vendeu o Revortoso e pegou um trem. No mesmo vagão que ele, um violeiro dedilhava uma moda: 'Eu tenho uma mula preta...'. Quinzinho não se conteve e disse:
- Pelo leite que você mamô na tua mãe, não toque mais isso. E chorou que nem criança.'
'O Garanhão, a Mula e o Petiço' - causo adaptado do livro As Batalhas de Itararé, de José Maria Silva, o Zé do Ponto, primo de Zé Bocca

Crítica Livro O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, de Silas Correa Leite, de Itararé




Crítica


“O Homem Que Virou Cerveja”, Livro Premiado de Crônicas de Silas Corrêa Leite



Depois de finalista do Prêmio Telecom de Portugal, com seu livro de contos premiados ‘CAMPO DE TRIGO COM CORVOS´, Editora Design, Santa Catarina a venda na www.livrariacultura.com.br, Silas Correa Leite, o tachado de “O Neomaldito da Web” (pelo site Capitu), com bela entrevista polêmica num dos últimos Programas “Provocações” da TV Cultura (SP) do Antonio Abujamra (o vídeo está fazendo sucesso no YouTube como Poeta Silas C. Leite), está lançando agora o livro de “crônicas hilárias de um poeta boêmio”, chamado ‘O HOMEM QUE VIROU CERVEJA´, Giz Editorial, SP, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia.

A obra traz a famosa crônica de humor que nomina o novo livro, entre causos (de Itararé, é claro!), croniquetas diversas (sobre Mania de Banho, Fanático Por Bar, Baristas), entre um e outro tributo à boêmia; acontecências engraçadas de Santa Itararé das Letras (como ele mesmo diz) e de Sampa, onde o autor exilado de sua terra-mãe reside (no Butantã). Contações do arco da velha, e ainda o belíssimo texto “A Voz da Filha Que Não Houve” (foi vertida para o espanhol por um site aí, e ficou ainda mais belamente triste), e mesmo a tal da Declaração Universal dos Direitos dos Boêmios que é um destaque nas infovias da web, tão criativo texto quanto o próprio Estatuto de Poeta que corre a rede da net vertida para o espanhol e inglês, e que constou no livro Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print, SP.

Da “Poética da Tristeza”, como na polêmica entrevista ao Provocações, em que o autor soberano driblou o Mefisto do Abujamra, passando pelo e-book de sucesso O RINOCERONTE DE CLARICE, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, tese de doutorado na UFAL, novamente Silas Correa Leite surpreende pela peculiaridade, estilo, domínio da escrita, fluência, desta feita paradoxalmente em alto astral, onde, irônico, traz um sortido de historiais, ainda com crônicas apimentadas de sensualidade em relações humanas extremamente mais realistas do que propriamente afetivas, verdadeiras narrativas pra boi dormir (no caso, cair nos risos ao lê-las), entretendo, revelando essa nua nova face de Literato contemporâneo que muito merecidamente por certo já o é. Quer saber? Basta buscá-lo num site como o Google, e você vai achá-lo em tudo quanto é lugar, quase 500 links. Com tantos prêmios de renome, vários livros, constando em mais de cem antologias literárias em verso e prosa, até no exterior, é de se esperar de Silas Correa Leite, a cada novo livro, uma mostra de sua lucidez e qualidade lítero-cultural.

O Livro O HOMEM QUE VIROU CERVEJA esteve na estande da Giz Editorial, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro (Setembro 2009), e tornou-se uma espécie de fechamento de ciclo do escritor premiado, poeta, ficcionista, resenhista, crítico, preparando-se para outros novos voos, outras obras impressionantes, surpresas letrais, trabalhos diferenciados, acima da média e sempre contundentes, altamente criativos com imaginação fora de série, no caso deste livro O HOMEM QUE VI VIROU CERVEJA, literalmente fora do sério...

Aliás, o autor, que acompanho faz tempo (trabalho uma tese sobre sua importância na nova literatura brasileira), já tem um romance “aprovado” por uma importante editora da grande São Paulo, um sendo avaliado por uma editora emergente do sul, está preparando ainda outros livros, como um novo de poesia, um novo de contos, um sobre vivências na educação pública, talvez um já sobre Fortuna Crítica, alguns infantis ou infanto-juvenis, todos em surrealismo ou realismo fantástico, enquanto em tantos blogues divulga suas letras-de-rock-poemas, entre tantas baladas e blues que compõe e que ainda permanecem inéditas em gravações.

Almeida Fischer disse:

“Um escritor se firma e permanece na lembrança de seus contemporâneos especialmente em função de sua inventiva, de sua técnica, de sua linguagem e/ou do seu poder renovador”.


Silas Correa Leite é exatamente isso; é assim, quem o conhece fica só sondando qual a própria criação a tirar da cartola de sua mente. Não vem fazendo sucesso por acaso. Não vem sendo entrevistado ou reportagem na chamada grande mídia porque escreve água com açúcar. Muito pelo contrário. Como ele tem apenas 57 anos, entre palestras, críticas sociais, ensaios e outros trabalhos em verso e prosa, não é de surpreender que o tal do “neomaldito da web” vire mesmo pop e cult, talvez entre para uma academia de letras, ou seja reconhecido por uma grande editora que banque sua obra de grosso calibre, porque é um escritor que tem muito o que produzir, criar, encantar.
-0-
Antonio T. Gonçalves
SP – E-mail: tudotito@zipmail.com.br





quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Twitter-Poemas, "Siladas" de Silas Correa Leite de Itararé, Cidade Poema

Silas de Itararé entrevistado na Tv Bandeirantes



Desimportâncias



O Ícaro pousou num fio de alta tensão e encontrou o nirvana

As paredes têm ofídios


Poeta é procurar ovos em pelos e ser salvo pelas metáforas

Em cada porto há um pedaço de eternidade

A agulha do poeta longe de Itararé, toca um vinil de pirillâmpadas

Quem não chora não se arma

Existir é colocar pingos em dáblios

Enterros são plantações der arquivos

Encontrou o amor no farol fechado. Nunca teve filhos. Deveria obedecer aos sinais.

A morte não manda e-mail





Brincanças


Os endereços são estercos

Técnica de aproximação comigo mesmo: lesmo

A morte é uma desaceleração de partículas

A civilização humana às vezes é um pé no sacro

Fui atropelado pela existência

Quem nasce morto não nasce

A terra é o aterro sanitário do espaço, onde estão depositados todos os vermes


Sou estrangeiro em meu próprio corpo

Silêncios cumplices têm gerador próprio

Quando o mundo acabar eu volto para Itararé





Agulhas

A morte me deu um saxofone e disse, vá tocar tambor em Nova York

Minha vida é um livro aberto de mim sem mim

O sorvete sorriu para a groselheira seca, se derretendo todo

Escrever é voar com remos

Durante a TPM, converso com a minha esposa de mulher para mulher

O livro era bom, mas tão bom, que o leitor orria no final


Uma vez achei uma bolinha de gude no miolo de uma jabuticaba vesga

Colabore com as autoridades: cometa um crime perfeito


Uma vez fui a um baile de fantasmas: eles ficaram com medo porque eu era o único

Cheguei cedo para não ser surpreendido. No entanto, o meu rabo, de alguma espécie de dinossauro, ainda balançava no cipó de Darwin

-Silas Correa Leite

Livros no site:


PERGUNTAMENTOS - POEMAS




Poemas de Outono

P E R G U N T A M E N T O S

“Tenho de dar de comer ao Poema – Murilo Mendes

01)-Miseris Nobilis

volta e meia paira sobre mim
o medo da miséria e da fome
da minha infância humilde

então trabalho e estudo e escrevo
feito um condenado à vida
que só na loucura santa de sobreviver criando
encontra a sua espécie de cura

meus versos são pães dormindo
uma realidade substituta




02)-Teatro de Ocupação

Cansei de existir
Mas estudo, trabalho, luto para não
Repetir
A dose.
Morrer é passar de ano?

Luto para não me ferir
Mais do que me fere a existência
De ser
Um homem.
Viver é reparar dano?

Existo para inquirir
O nojo, o horror da vida, a cruz
Do medo
Da fome.
Escrever é baixar o pano?





03)-Violões

Invejo quem toca violão
Violão é o céu plangente
Na ponta dos dedos, na palma da mão
Como um corpo de mulher estridente
Em que você pratica a levitação
E gera música, harmonia, gente
Orquestrando a alma-nau da afinação.


04)-UTOPIA



detesto silêncio quando estou existindo

quando foi mesmo que existi?

detesto barulho quando estou escrevendo

que lugar me fujo no criar?

detesto existir quando escrevo poemas

que lugar me sou a fazer versos?

sou nada e tudo - qualquer parte

ESCREVENDO PARA FUGIR DE ME SER


















05)-Guerra & Paz




Trabalho numa biblioteca pública
De vez em quando os personagens
Dos clássicos vêm conversar comigo



É nessas horas que me enlivro.








06)-Labore



Tentei esquecer

Tudo o que a vida me fez sofrer

Mas como eu escreveria

Poesia


Sem o laboratório de me ser?














07)-Oito Quedas



hoje eu acordei

meio foz do iguaçu

ouvindo blues

desaguando poemas



O buraco das Sete Quedas é mais embaixo







08)-Laranja




botaram o ceguinho pra vender laranjas

no farol da Paulista com a Consolação



o pobre vendeu todas as frutazinhas

mas não viu nenhum tostão









09)-Furta-Cor



A

Solidão

Me

Protege






10)-Autoridade Civil




E SE A POLICIA TAMBÉM FOSSE PRESA UM DIA


POR DESACATO AO EXERCICIO DE CIDADANIA?




















11)-O Papagaio e a Pia

gota a gota a torneira pinga e chia

na pia da cozinha

o papagaio da casa vizinha

olha escuta aprende e espia


quando finalmente consertaram a pia

o papagaio já decora

e pia como uma pia marmórea

na sua entoação sonora


pior do que uma pia alada

seria uma torneira

pois fica chato na casa fechada

um papagaio imitando

uma gota vazada


12)-NEOLIBERALISMO (Cínico Estado Mínimo)

não há vagas

não há vagas

não há vagas

(Aceitamos Escravos)




13)-Mariposa




a mariposa suicida



na lâmpada apagada



espera amanhecer a noite




14)-Genuflexório






Minha mãe


Tirava lágrimas


Dos joelhos















15)-Xerox Quebrada




tenho tantas histórias pra contar


tenho tantas histórias pra contar


tenho tantas histórias pra contar





16)-IDIOTAS



Precisamos de idiotas

Para arredondar

A idéia da banalidade

Bipolar


E ainda há gente vulgar

Que acredita em genialidade


A morte é o atestado jugular

De nossa finita imbecilidade



Dá pra acreditar?




17)-Poema do Cego Pulando Amarelinha

O cego pulando amarelinha
Toma o anjo pela mão
Você só vê o gesto táctil do cego não
Vê jamais o anjo na sua condução
Em cada estágio de saltar sem pisar na linha.

O cego pulando amarelinha
Parece flutuar num balé
E sonda-o a rua de Itararé inteirinha
Perguntando o que nele enseja tanta fé
Céu e inferno; o cego parece que advinha...

O cego e a sua amarelinha
Parece um milagre até
Toma-o pela mão o anjo; o cego se aninha
E pula e salta e vence e acerta o pé
Talvez porque céu ou inferno só dentro da gente é.





18)-Pirilâmpado

“Ninguém pode pensar, sentir ou agir
Senão a partir da própria alienação...”
R. D. Laing

Se quero sobreviver preciso esquecer que meu corpo é uma carcaça.
Uso as palavras para recompor minha vida exangue.
Tento compreender o absurdo da existencialização.
Prezo a morte e leio escombros na angústia-vívere.
Tenho em mim a decadência-preço de Existir.
Não fui aparelhado espiritualmente para suportar a vida.
Minha infância pobre é o mundo que trago às costas como uma lesma com carcova.
Sou um renunciante à vida que respira a tristeza no caos.
Amo os silêncios porque deles tiro filés de santas palavras.
Caibo em despertencimentos, desabandonos e desespelhos com a consciência saturada.
Minha palavra é a minha voz como o estertor de um vagido.
Existir dói e faço doer os engenhos e açudes das palavras.
Uso as esporas das palavras em verso e prosa para refazer a vida que me deram como uma sentença-castigo.
Se eu escrever ansiedades perdoem o inexato corte de pelica da dor em mim lavrada.
Não tenho fórmulas para escapar ileso e não estou impune.
Sou um bebedor e comedor de verbos feito um Pirilâmpado.
Dou ciência de mim aos efêmeros insensíveis como potes de vísceras.
Não me leiam se não querem se assustar de serem a si mesmos revelados como carcaças em espelhos turvos.
Sou por acaso aqui e ali uma espécie de rebrilux. Os gemidos de noiteadeiro falam por mim, me descrevem.
Palavras me são remédios. Correm no meu sangue. Regurgito.
Como se adubos de palavras em ordinárias bateias de granizo.
Sou inventariante de angústias humanas, escondo-me em bibliotecas
E bebo de lanhos de meu próprio sangue letral
Envenenando-me da dura e triste carcaça Sobrevivencial.












19)-Tintas (Água, Sal e Muro)



Um índio pode deixar suas terras muito além das montanhas e florestas
Passar por divisas, armadilhas - entrar em grandes metrópoles urbanas tristes
Mas, ainda dentro de um shopping, no meio de uma praça pública ou túnel
Um índio será sempre um índio

(Tenho sangue índio, negro e judeu em mim)

Um negro pode ter deixado a sua aldeia numa distante savana da África-Mãe
Passar por moendas, engenhos, bandas de blues ou resistências espirituais
Mas, ainda dentro de uma catedral, no meio de anjonautas ou solitário
Um negro será sempre um negro

(Tenho sangue índio, negro e judeu em mim)

Um judeu pode deixar sua sinagoga, suas tribos, seu cântico do talmude
Passar por diásporas, derramas, cálices, trevas, êxodos ou inquisições
Mas, ainda que esteja cordeiro tosquiado no vale da sombra da morte
Um judeu será sempre um judeu

(Tenho sangue índio, negro e judeu em mim)

............................................................................

Sou a mistura de horizontes, fermentos; salmos e renascimentos alados
Sou água, sal, muro das lamentações, ancouradouros e flores de jasmim
O que mais sou numa aquarela de mistura quando escrevo todas as tintas de mim?
Sou a dor do índio vitimado
Sou a cor do negro escravizado
Sou o horror do judeu exilado
Sou lágrima, arado, pensagem, querubim
Sou todos os seres humanos numa palheta misturado
Sou a raça humana - a espécie que erra
Sou o bom cabrito que no poetar berra
E sou, ainda, a minha própria terra
Eu mesmo um Brasil indecifrável lá dentro de mim








20-My Way



My Way


Um dia você acorda e olha pra trás
E diz: eu não era nada.
E vê toda vida que fez do seu jeito
E pergunta: terá valido a pena?
Você acha que venceu na vida
Mas sabe: o que restou de você?
Talvez muito pouco ou quase nada
Daquilo: uma criança pura.

Um dia você cai em si e teme
O resultado: o que fizeram de você
A luta a dor, as amarguras e
Seqüelas: terá sido uma vitória?
Dentro do seu coração os sonhos
E as escuridões: são os poemas
Que você escreve porque tem medo
De se matar: morrer depois de tudo?
..............................................................
Um dia você não quer olhar pra trás
E nem pra você: foge para a poesia.

(Na escrita há um tempo irreal
Uma ilhota íntima: você em você!)

-0-

Silas Correa Leite
Santa Itararé das Letras
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net




Ser da Estância Boêmia de Itararé, Cidade Poema




Rir é o Melhor Remédio

Ser da Estância Boêmia de Itararé, É:

33 Motivos Para ser Fanático por Itararé

01)-Achar Itararé a mais bela aldeia do mundo, mesmo eventualmente não conhecendo direito o mundo, até porque, se Jesus Cristo tivesse nascido em Itararé, os três Reis Magnos seriam o Jorge Chuéri, o Gustavo Janson e o Walter Menk
02)-Ser um “fanático por Itararé” e adorar a Cidade-Poema acima e abaixo de todas as coisas reais e imaginárias, até porque, Itararé é a nossa Shangri-lá, nossa Pasárgada, nossa Jerusalém celeste aqui mesmo
03)-Ser boêmio, bom de prosa afiada, contador de palha, pescador e até, aqui e ali, inventor do inexistente, até porque Itarareense não mente, inventa verdades que ainda não aconteceram de acontecer
04)-Preferir ficar preso em Itararé do que livre e solto em qualquer outro lugar do Planeta Água, até porque, longe é um lugar que não existe, e assim mesmo lá tem tubaina de limão-cravo do Vilela e uísque
05)-Adorar biritar entre amigos, principalmente falando mal da vida alheia e sondando mulher pedaçuda com seios de manga-sapatinho, mãos de pianista, pés de bailarina, olhos de jade e pensão alimentícia de três maroteiros beiçudos e com amarelão
06)-Torcer pro Clube Atlético Fronteira, o mais “glorioso, majestoso, poderoso” clube sócio-futebolístico da city. Quem torce pra Associação Atlética de Itararé é caipora de lazarento e filhote de cruz credo
07)-Ter algum dom natural, algum talento, pintar, escrever, jogar truco ou mesmo contar mentiras por atacado, até porque quem bebe a água da gruta da barreira sempre volta, o que não volta é a água que é mijada fora
08)-Ser de esquerda, sempre. Fazer oposição por graceza, contenteza. Se há governo, é contra, esquerdista por legítima defesa da honra, da ética e em busca de um humanismo de resultados
09)-Adora gandaias, forfés, micaretas, carnavais, quermesses, serenatas e, principalmente bordel e pescaria, principalmente se não levar marmita, isto é, se a patroa com pelanca não for junto
10)-Sacar antes o lance, saber bem de tudo quanto é assunto, mostrar dialética e ser loquaz entre amigos e morféticos curiosos, e nunca andar com canhão, quero dizer, mulher feia, a não ser que esteja muito “bêudo” ou picego
11)-Defender Itararé a todo custo, haja o que houver, doa a quem doer, afinal, morrendo todo Itarareense será parte da terra Itararé, e, assim, é melhor cuidar bem da terrinha-nós-mesmos a partir do que seremos seremos no devir
12)-Itarareense é “Andorinha sem Breque”, dá nó em pingo de chuva, desvia de cobra-fantasma, e assovia bem, até porque, como dizia o saudoso Barbosinha tocando Luar de Itararé...música é vento
13)-Detesta amigos do alheio, desde corruptos e ladrões, não aceita gente de duas caras e mete a boca em tipo janota e boçal, muito menos gosta de ser palhaço de outro palhaço se olhando no espelho
14)-Conta palha de que Itararé foi feita no sexto dia de criação, por isso Deus teve que descansar no Sábado lá no Bar do Tepa, já que tinha caprichado e cansou-se, depois foi pro forfé e pegou gosto.
15)-Itarareense bebe porque é líquido. Se fosse sólido comeria. E bebe sim, vermes não comem pudins de cachaça
16)- Todo Itarareense é anarquista teórico, marxista técnico, boêmio pela própria natureza, fanático por Itararé e social-democrata com visão ético-plural-comunitária
17)-Todo Itarareense é pão duro ao extremo, cria escorpiões no bolso para não ter que atacar as algibeiras em caso de precisão de vida , morte ou desfrute de eventual biscataria self service
18)-Itarareense não morre. Vira purpurina. Não nasce, estréia na Terra.Não é aparecido é criativo, e sabe fazer bonito, no amor e na dor. Mas vai em velório e gosta de aparecer mais que o finado
19)-Itarareense que não presta nasce morto. Ou vai nascer noutra freguesia do Paraná, logo depois da divisa do rio Itararé, lados de Sete Quedas, aliás, Oito quedas, se empurrar a sogra que não é boa bisca lá.
20)Itarareense adora fazer caridade com o dinheiro dos outros, assim como adora comprar fiado de caderneta e perder a caderneta. Sabe ser útil e solidário na hora hagá, e não acredita em artes que não sejam libertações.
21)Itarareense sabe que, sexo seguro é quando ele segura no seu próprio usucapião pra urinar cervejadas, aliás, se cerveja se pagasse pelo que se urina, só se pagava o rótulo
22)Itarareeense-andorinha na dúvida em gastar ou poupar toma mesmo é suco da sabesp com petisco de língua de sapo chulé
23)O buraco da barreira é mais embaixo, andorinha grande é Taperá, quem não gosta de Itararé, boa bisca não é
24)Itararé não tem tarado, tem liberal esquizofrênico, não tem biscate, tem Maria vai com as outras e dá de lambuja
25)Itarareense não tem viado. Os viados vão todos para Curitiba e passam em Ponta Grossa
26)Itarareense não morre, estréia no céu, mas antes passa pelo Asilo Jesus Tá Chamando, depois entra no Morgue Vá Com Deus e, finalmente, deita a paquera no Cemitério Lágrimas do Céu
27)Em Itararé, quem toma Coca Cola arrota pum, e sabe muito bem e com prazeirança que batatinha quando nasce vira fritas do Bar do Mino
28)Todo artista Itarareense é aplaudido em pé na Praça Coronel Jordão, até porque, a bem da verdade, lá não tem banco pra todo mundo se sentar
29)Em Itararé o vento sola saudades pegajenta do Maestro Gaya, do Fernando Milcores e das estrelas Irmãs Pagãs.
30)O defeito do itarareense é ser pão duro, daqueles que dá tiau com o punho para não gastar vão de dedo, e nem tem muito jegue júnior na prole para não gastar zona de fricção
31)Itararé tem Passarinho que anda de bicicleta e com chapéu de florzinha verde na gadelha, tem restaurante que fecha pra almoço e tem rio verde que não amadureceu ainda
32)Itarareense quando viaja, leva foto de Itararé só pra matar saudades e tomar umas e outras em homenagem à sua santa terrinha. Aliás, o melhor lugar do mundo é aqui e agora, e todo Itarareense sabe muito bem que, “Esteve em Itararé e não lembrou de ninguém;Pois quem não está em Itararé está sem
33)Itarareense pobre só come carne mesmo quando o feijão-rosinha tá bichado
Habemus República Etílico-Rural de Itararé
It(ar)(ar)é!
O Paulista de Itararé é mais paulista do que os outros paulistas
O céu azul é o mar de Itararé
Itararé, verás que um filho teu não foge a luta
Itararé, a história do Brasil passa por aqui
Morro pelo Brasil, mato por Itararé
Sou de Itararé, não desisto nunca
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Poetinha Silas Corrêa Leite, Sampa, Saudades de Itararé, do Jazz nasce a luz.
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Itararé Que Eu Adoro Tanto

Bar do Tépa, Itararé, Cidade Poema
Poetinha Silas e Prof Dirceu Mendes


Crônica
Itararé Que Eu Adoro Tanto

-Só Deus sabe o que um filho ausente de Itararé sofre – longe de casa, da rua e quintal de infância, dos pais, dos amigos, do toldo estrelado de Santa Itararé das Artes, Cidade-Poema, terra de ancestrais, berço esplêndido, aldeia-mãe... Só mesmo Deus sabe... Saí muito cedo de casa. Comecei a trabalhar muito cedo – engraxate, vendedor de dolé de groselha preta, bóia-fria – e com 14 se tanto fui trabalhar na Marcenaria Estrela do Jora Moveis que se mudaria par Ribeirão Vermelho do Sul, aquele tempo ainda não com o nome feio de Riversul... que depois da mudança do nome se tornou... Depois, voltando para Itararé, fui trabalhar no Bar do Calixtrato, de onde migrei para Sampa, 18 anos, 1970, quarta-série, e, na capital paulista em época de ditadura militar incompetente, corrupta, violenta e senil, fui finalmente aportar, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes... exatamente como na balada do cantor Belchior... Longe de casa é um lugar que não há; não existimos, somos bichos estranhos no ninho da megalópolis, aliás, longe de Itararé somos um não-ser num não-lugar. Sem os bolinhos de chuva da mãe, sem a graciosidade das irmãs e irmãos, sem o acordeão vermelho do pai solando abismos de rosas, sem o chão, o luar, os bares e lares de uma Itararé que sempre amei tanto... O pai ligava chorando. Sabia que eu estava passando fome. Dizia que em casa eu teria meu cantinho, minha bóia (só Deus sabe o que um filho sente ausente de seu lar, de sua terra), mas eu, turrão, respondia: -Só volto formado ou morto. Mas era a angústia de ser um guri, bendito fruto, criado entre mulheres e longe de casa era estar literalmente no átomo sem cachorro... Um fanático por Itararé, lendo a Bíblia, lendo a história do pacifista indiano Mahatma Gandhi, alma rasgada, peito alquebrado, saudades de Itararé, da voz de clarineta da mãe, das ruas e quintais do guri ainda imberbe nos seus já sofridos 18 anos. Uma pensão na Rua Torres Tibagi, 55, Bom Retiro. A dona da pensão jogava fora as comidas de natal, as sobras das ceias, no lixo, achando que lá eu ia catar para não morrer de fome. Sempre fui de fibra, determinado, turrão; tinha vergonha na cara, não comi, três dias passando fome – e era Natal – mas eu esta lendo muito e ainda acreditava nos meus sonhos, ser um escritor, me formar, vencer na vida. Será o impossível? Só por Deus. Longe de Itararé somos andorinhas perdidas. Eu lia muito, escrevia muito. Fugia no letral. De afeto só as orações demoradas de minha mãe por mim, por meus sonhos, o guri espeloteado que estivera seis vezes para morrer, quando muito piá de tudo, e em Sampa era mais um na louca correria da lida. Até que arrumei um trampo. Encontrei-me com o Helio Porto e lá fui ser vendedor externo das lojas Ducal. O Helio me trazia, todo santo dia, uma marmita que a esposa dele me mandava. Jamais esquecerei esse dia. Jamais o esquecerei. Amigos para sempre. Depois da Ducal fui trabalhar na Drogasil, até que finalmente encontrei o Getulio Ferreira da Silva, que, no Rodoviário Itararé, do João Wiederin, Rua Rodolfo Miranda, Bom Retiro, foi um outro anjo que Deus colocou em minha vida. Voltei a estudar. Pensão da Dona Nena, Rua Prates. Sempre lendo e escrevendo muito. Liceu Coração de Jesus. A volta aos poucos pra casa, aos pedaços, começando uma trilha que iria longe. Eu estava no caminho certo. Ler uma fuga. Escrever uma alma respirando Itararé. Ninguém sabe o que passei. Um filho longe de Itararé é um ponto de interrogação na lágrima. Ah Itararé que eu adoro tanto. Depois fui trabalhar numa imobiliária, depois numa área contenciosa de uma empresa de cobranças, quando fui fazer direito e, malemal comecei, o pai faleceu, eu perdi o emprego por ter escrito artigo crítico num jornal universitário que atacava a ditadura mantida pela corrupção, depois perdi bolsa na faculdade. Tudo de novo. Tudo outra vez. E a mãe viúva para ajudar. Ninguém sabe o que é a dor de querer e não poder, mas tentar, manter as mãos limpas. Itararé é o mais perto do céu que eu posso chegar. A poesia é o mais perto do céu que eu posso chegar, Até que conheci a Musa-Vítima Rosangela que me deu uma familia musical. E Rosangela também é o mais perto do céu que eu posso chegar. Organizou minha rude vida, minha loucura, ajudou-me a participar de concursos, quando venci o primeiro, com um poema chamado Travessia de Elis (homenagem à Elis Regina.) Era um caminho, uma estrada. Eu falava de Itararé e ela ficava achando que talvez fosse só um sonho meu, uma espécie letral de Shangri-lá, Passárgada, Jerusalém. Falava do Mestre Jorge Chuéri, até que um dia ela veio conhecer Itararé e amou. “Em Itararé conheci o sentido exato do verbo existir, viver” disse a musa já cativada. Bebera a água da Barreira. Conheceu o Jorge Chuéri. Ficou fã como eu. Eu subi nos ombros de gigantes para enxergar melhores horizontes. Voltei aos poucos para a minha familia, para minha mãe, para Itararé. Minha vida teve rumo, um sentido. Mas nunca mais fui o mesmo. O guri de mim se perdeu. De lá para cá só vitórias. Há um Deus. Ah Itararé, ninguém sabe a dor que sente/Um filho ausente a chorar por ti... Cantei-te e canto em versos e prosas. Fiz o Hino ao Itarareense. Fui homenageado como um Leão do Centenário, nos cem anos de Itararé fiz minha exposição, o Palácio Vadico deu-me o título de Cidadão Itarareense, homenagearam meu pai Antenor Correa Leite com uma rua no Parque das Nações. Sou um vencedor. Ando pelas ruas de cacau quebrado de Itararé, de cabeça erguida. Comprei casa pra minha mãe em Itararé. Ganhei prêmios, fui entrevistado em jornais, rádios e canais de tevês, saí em jornais e outros veiculos de comunicação, estou em mais de 100 antologias, até no exterior, colaboro em quase 500 sites, sempre lendo, estudando, mas nunca rompi o cordão umbilical com Santa Itararé das Artes. Ah Itararé que eu adoro tanto.
-Olhando para trás, sangue suor e lágrimas. Passei dos 50. O guri de 19 de agosto agora tem um cantinho pra chamar de seu. Quando eu era criança, pobre, comia terra. Pois trato bem Itararé, já que um dia, morrendo, certamente que serei sepultado no Cemitério Lágrimas do Céu de Itararé, então, naturalmente serei eu mesmo a própria Itararé, meu corpo será misturado com a terra-mãe. No futuro, no devir, quem sabe um dia, uma criança comendo terra comentará com a mãe que o torrão está com gosto de Poesia. Sou eu. Sou esse. Longe de Itararé fui bandeira de meu povo querido, embaixador, arauto, cantando minha aldeia-mãe, defendendo e promovendo a chamada Literatura Itarareense. Quando eu for saudade dirão: amou e cantou Itararé. Viveu para isso. Para isso serviu. E então lerão meu epitáfio:


“Aqui Jazz Si...lás
Três notas musicais exercitando o último solo.
Amou, foi amado, fez todo mundo rir, tentou ser feliz.
Nasceu analfabeto.
Viveu estudando e escrevendo.
Morreu aprendiz.

The End
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Silas Correa Leite - E-mail: poesilas@terra.com.br
Livros PORTA-LAPSOS, Poemas e CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, no site www.livrariacultura.com.br
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Biografia de SPC-Sebastião Pereira Costa de Itararé





Sebastião Pereira Costa - Biografia do Escritor, Jornalista, Romancista e Crítico Social de Itararé

Sebastião Pereira da Costa, o popular “SPC” como é conhecido, nasceu no bairro de Santa Cruz dos Lopes, distrito de Itararé, à beira do rio do mesmo nome, num rancho de pau a pique na Fazenda Pinhal Formoso que nem vestígio deixou, após ser demolido antes que desabasse pela idade. Nasceu pesando menos de dois quilos, isso preocupou sua mãe, dona Aurora, ela achava que aquele tiquico de gente não ia vingar; que a primeira dor de barriga ia matar o seu pimpolho. Era 24 de outubro, dia chuvoso, faltando um ano para Hitler subir ao poder na Alemanha e Salazar em Portugal, dois ditadores que não deixariam saudades. Devota de São Sebastião, a mãe pediu que o santo não deixasse o seu guri morrer que ela o batizaria com o nome dele. Isso deu tão certo que até hoje ele vive com saúde. O menino cresceu belo e formoso pelas imediações da Rua 28 de Agosto, conhecida como zona do meretrício. Alfabetizou-se no Grupo Escolar Tomé Teixeira com a professora Luiza Pimentel Merege após muitos puxões de orelhas, beliscões e sopapos. E foi escoteiro sob o comando do “seu” Peppo, o velho e bom italiano. Devido seu pai, conhecido por Napoleãozinho, de porte frágil, que vivia pulando de galho em galho atrás de trabalho, o menino teve de continuar o primário em escolinhas de sítio, Santa Cruz e Ibiti, até retornar ao Tomé Teixeira para se formar com diploma, madrinha e tudo, no mesmo ano em que acabou a Segunda Guerra e o Estado Novo de Getúlio Vargas. Fazia um ano que sua mãe falecera de parto em 1944. Sebastião e o pai, então, foram morar na Fazenda Ibiti, do grupo Correa e Castro, até que um acidente de cavalo matou seu pai em agosto de 1946. Como não tinha parentes, nem ninguém com quem ficar, ele foi embora para São Paulo morar com uma comadre de seus pais, onde, então, aprendeu a tomar banhos diários de chuveiro, escovar os dentes, usar sapatos e a comer macarronada com garfo e faca sem chupar o macarrão. Desde criança ele gostava de cantar; acreditava que sua vocação era de ser cantor de rádio, entretanto, enquanto não conseguia lugar na ribalta radiofônica cantando em programas de calouros em São Paulo, aprendia o ofício de serralheiro de martelo na mão e um choroso bolero no gogó a cultivar a esperança de um dia ganhar espaço entre os astros da canção. Isso, até bater a vontade louca de casar, de encontrar alguém que o acalentasse nas noites frias de inverno, e nas de verão também, fato aparentemente corriqueiro, mas que nos anos 50 era de tremenda importância para os jovens fogosos que não tinham como se desafogar com a namorada, tinha de casar primeiro. Casado ele passa de virtual cantor das multidões para o de um pacato pai de família (tempo em que o homem ainda era chefe da casa) com pijama, chinelo, muitos livros e uma carreira de cantor encerrada para sempre. Dorothy, sua digníssima esposa, todavia, muito se esforçou a fim de conseguir frear os arroubos artísticos do mancebo, mantendo-o doravante com rédeas curtas, curtíssimas. Entretanto, sem televisão – que ainda não existia – a mesmice conjugal e a leitura de tantos livros acabaram aguçando o seu espírito a ponto de ele chegar à conclusão de que deveria aproveitar o tempo para moralizar o mundo, que o melhor meio era o jornalismo e que deveria começar por Itapeva. Ele nunca tinha escrito nada, sequer fizera o ginásio, mas a audácia e o orgulho do seu santo padroeiro aumentaram-lhe a petulância a ponto de numa quarta-feira de 1959 tascar um artigo no Jornal de Itapeva, após três decepções de ver seus escritos jogados na cesta de lixo do jornal. Daí, não parou mais, para felicidade de uns e infelicidade de outros. Também escreveu dois livros, “Eleições em Pedrachata” – 180 páginas – sátira de uma campanha eleitoral no interior; e o famoso “Não Verás Nenhum País Como Este “– 400 páginas- editado pela Editora Record (RJ) - sobre os 20 anos da ditadura militar com prefácio do então Senador Fernando Henrique Cardoso. Na época foi entrevistado pela Revista Manchete, na Rádio Bandeirantes, TV Cultura/Rio, Programa “Sem Censura” e teve referências em artigos do Correio Braziliense e outros jornais do nordeste. Agora, sente-se honrado em fazer parte desta antologia, juntamente com notáveis talentos da escrita itarareense, que espera seja apreciada pelo leitor.

DES-ENCONTROS, conto de Maria Coquemala




Des-Encontros – Conto de Maria Apparecida S. Coquemala

Talvez porque o acaso e não uma formidável inteligência divina direcione os destinos humanos... Ou porque sirigaitas despeitadas se contorcendo na dor dos cotovelos tramem contra os que se querem demasiadamente bem e contra as quais nasda se pode... Ou por razões outras, Riomar e Lael se desesperavam em seguidos desencontros, podendo-se ouvir até altas horas da noite, os lamentos do apaixonado Riomar contra abstratas paredes que lhe tolhiam a realização dos sonhos mais acalentados... Lamentos que Lael ouvia mergulhada em telepáticos sonhos do agitado sono, querendo fugir das mesmas castradoras paredes, de tal modo a envolvia a paixão por Riomar...
Que loucura era aquela que os obcecava, dominando a vontade? Assim se perguntavam eles, cuja vida real até então respondia a projetos cuidadosamente estudados, sempre senhores da sua vontade, fazendo das noturnas escapadas virtuais um contrapeso fugaz e brincalhão às pesadas responsabilidades reais do dia a dia. Não mais desde os primeiros encontros, quando passaram a criar recíprocas perspectivas, nunca sequer imaginadas e que os deixavam perigosamente vulneráveis e eriçados... E sem que houvesse qualquer explicação, tornavam-se progressivamente mais freqüentes e perigosos os obstáculos aos encontros pelos caminhos eletrônicos, os únicos possíveis... E conseguidos, tinham logo que se separar, pressionados pelas injunções domésticas, quedas das conexões, defeitos no micro... Como se um elo os ligasse como siameses, eram exatamente os mesmos, os infortúnios... Mal iniciavam uma conversa, sempre interessante - menos pelo que se diziam e mais pelo prazer de estarem juntos, pois que afetos e desejos extrapolavam das entrelinhas - e já tinham que suspender o que se diziam, adiar o que pensavam em dizer, para talvez não dizerem nunca mais, ou estancando no meio algo que tinha que ser dito ..
Sem que percebessem, o Zahir tinha entrado em suas vidas... Zahir, algo ou alguém com quem se entra em contacto e acaba por ocupar pouco a pouco o pensamento, até que não se consiga concentrar-se em nada mais, como ensinam os alfarrábios árabes. De algum modo, Riomar e Lael tinha se tornado reciprocamente o Zahir de si mesmos...
Pois de tal modo se atraíam e se queriam que só mesmo ele poderia explicá-los, levando-os até mesmo a pensar que tais problemas - intervalos forçados, fugas precipitadas, sumiços repentinos - tudo enfim mais os alimentava na recíproca busca, a cada dia mais intensa, indefinidamente, como numa espécie de Mil e Uma Noites, em que ambos se alternavam no papel de Sheerazade, empenhados em alimentar nas migalhas do tempo dos encontros, os sentimentos a cada dia mais possessivamente intensos.
E começaram a se perguntar o que era aquilo que os tomava por inteiro, corpo e alma, verdadeira obsessão no decorrer dos dias e das noites, sem tréguas, numa simultaneidade sub-reptícia e de tal modo que Riomar foi absorvendo Lael na mesma proporção em que ia sendo absorvido por ela... E desse modo, nos longos dias dos progressivos desencontros, a solidão na tela os angustiava mais e mais, trazendo o mesmo desassossego, o mesmo desejo tornado mais violento... Lamentos enchiam as noites de ais... Enquanto sirigaitas de cotovelos inflamados festejavam atentas...
E porque a vontade humana pode ter mesmo algo da grandeza do super-homem de que nos fala Nietzsche, antes que o Zahir os dominasse para sempre e por inteiro e se transformassem em abúlico e indivisível ser, juntaram os últimos farrapos da vontade bruxuleante e se insurgiram em nome do próprio afeto que paradoxalmente tanto os ameaçava na exacerbada união. Queriam fazer dos sentimentos algo maior e mais belo. Algo que transcendesse o poder manipulador do Zahir, e por isso mesmo fosse verdadeiramente belo. Da beleza que não tolhe, que nada cobra, que tudo oferece... E simultaneamente permitindo se terem intensamente, falando de filosofia, música e poesia, um poema lírico, uma composição de Mussorgsky, de Sócrates e de Nietzsche, mas pelo prazer maior da companhia. Que permitisse que noites e noites viessem e fossem deixando sempre no caminho percorrido a esperança de outras noites iguais; algo que não os impedisse de desejar e sentir o que as palavras não traduziam, por prescindíveis; que lhes permitisse continuar palmilhando o caminho que não sabiam bem aonde ia dar, mas nem era preciso saber, pois que era caminho melhor que a certeza da perda irreparável de si mesmos. Queriam ter em suas mãos o próprio destino, tecer conscientes a própria história...
E para isso lutaram sem tréguas até que o Zahir fosse derrotado e as noites voltassem a ser serenas, os encontros agradáveis... Faziam assim dos sentimentos o que tanto tinham desejado, algo maior e mais belo, que não tolhia, que nada cobrava, que tudo oferecia, se tendo tão intensamente quanto desejassem, falando de filosofia, música e poesia, sem que se tornassem reciprocamente escravos de si próprios.
Porém, com o rolar do tempo, longos intervalos lentamente foram se infiltrando nas conversas, o que não os incomodava. Lael sabia que sirigaitas astutas farejavam brechas, entendia, não era possessiva... Assim como Riomar aceitava de bom grado as incursões de Lael em salas diversas, levada pelo seu espírito sempre indagador...
E aos poucos, nem sempre as noites eram de encontro, não se importavam, reconheciam a mutabilidade de tudo, que o belo em um dado momento podia já não ser tão belo; que encontros podiam já não ser tão ansiosamente aguardados... Por vezes, um deles não comparecia, ou ambos, sem explicações, sem sutilezas, sem que se frustrassem, senhores de suas vontades, conscientes de que desse modo se renovavam, escapando da rotina. Mas, lentamente, Riomar e Lael pressentiram, impotentes, a separação que não buscavam... Foram deixando de se ver, até que não mais se encontraram... Sem que se dessem conta, esqueceram os endereços... Depois os cognomes... Até a própria história... Inexplicável ansiedade passou a afligi-los sem causa conhecida... Sempre recíproca e simultânea... Uma tristeza mansa pontilhava as horas, como a sombra de algo belo que se fora para sempre...
O Anti-Zahir tinha entrado sorrateiro em suas vidas...

Maria Aparecida Coquemala
Maria-13@uol.com.br


Estatuto do Itarareense




Primeiro Quase Estatuto do Itarareense-Andorinha
(Esboço de Rascunho)

O Verdadeiro Itarareense é classificado em:

1)-Inteligente e com iniciativa artístico-cultural, além de um humanista com otimizada visão ético-plural-comunitária, apesar de maroteiro na dialética libertária ortodoxa
2)-Inteligente, mas meio moleirão, paradoxalmente esquerdista e pão duro, sem iniciativa, só que um baita de um pescador mentiroso de mão cheia, boêmio e biriteiro de sol a sol, além de um caipora de fuxiqueiro que às vezes até enche o pacová
3)-Não necessariamente inteligente, cara de pão sovado, e morreria pela sua aldeia querida, mas, é claro, mataria por Itararé e deixaria que os outros é que morressem pelos feudos deles...
4)-Nada inteligente, maleixo mesmo, tem calcanhar de frigideira, até porque, a bem dizer, Itarareense burro nasce morto, se é que, pelo menos em Itararé, quem nasce morto nasce
Porque
1)-Serve para comandar com estilo e grandeza, adora fazer churrascos e fazer artes, tem alma de música, é espiritualmente rico, fanático por Itararé, faz parte da nata pensadora da fauna notívaga por excelência que conhece a delícia de ser o que é, sabe que do jazz nasce a luz e é gente mais maior de grande
2)-Serve para fazer serestas, aprontar passeatas contra qualquer coisa só pra ver a fuzarca, adora biscatear as flores-fêmas pedaçudas, serve também para tocar fogo na canjica das baladas rueiras, toca bem qualquer instrumento, adora pendurar fiados e fazer gandaias e forfés homéricos, mesmo com ressaca das brabas
3)-Não são muito antenados não, com aquele andar-de-segura-peido adoram inventar o inexistente, bolam causos hilários e acontecências líricas, e lutam para defender as trincheiras da legalidade de Itararé, seu doce rincão fronteirano e fronteiriço
4)-Não são assim inteligente o suficiente para saberem que estão no átomo sem cachorro, até são mesmo arigós ou coiós, e, quando, finalmente sacam isso, fazem um tropé e tentam se enforcar com uma faca
Assim
1)-Itarareense deveras inteligente é de estudar muito, fica culto e harmoniza as vivências no entorno, sabe beber socialmente e hão de cantar Itararé em verso e prosa a vida inteirinha e até muito além do fim...talvez até, quem sabe, numa Itararé-Celeste. Já pensou?
2)-Inteligentes para saberem que do pó vieram e à cerveja voltarão, enternurando com suas contentezas e prazeiranças as sagradas noites boêmias de Itararé, berço esplêndido
3)-Não são inteligentes para saírem de Itararé e irem labutar (trabalhar, estudar conquistar) fora, mas são instintalmente hábeis para saberem que longe de Itararé o bicho pega, o circo tá armado, tudo é uma enorme babel, entre saudades pegajentas, idéias viajosas, noiteadeiros com carrancas, brucutus estrupícios e recordações nativas entre tristices abismais e solos de silêncio
4)-Não sabem pensar sozinho ou a seco, o tico e o teco não funcionam juntos, casam mal, amam mal, acreditam em vida inteligente fora da terra (achando que na terra não existe mesmo, só em Itararé) e quando ocasionalmente (ou na marra) vão para distante de Itararé, sabem o lugar de ser o que é, e choram longe do seu rincão natal “de mil recantos amados” (mas não de laércios amados...) e quando querem visitar a própria alma, voltam para Itararé, são estrelas peregrinas em exílio involuntário que sabem que, na casa do pai há muitas geladas
Por Fim
1)-Itarareense quando morre vira Andorinha Encantada; quando nasce, estréia no chão de estrelas de Itararé que é um pedaço do paraíso telúrico, pois ama Itararé com Amor maiúsculo, com muito orgulho, honra e glória
2)-Itararé é bonita pela própria natureza, e todo Itarareense-Andorinha sabe que Deus
fez o mundo em cinco dias, no sexto dia orgulhoso do que criara, fez um resumão-modelo numa bela marquete que virou a geográfica cidade de Itararé, só no sábado santo puxou um ronco, depois foi no Bar Fecha-Nunca do Miro Vaca sapear as andorinhas sem breque e ouvir o Sabiá Aristeu cantar o Hino ao Itarareense em si-las-sol-sem-dó-em-si...
3)-Itarareense é levado da breca, muito enluado o conterrâneo sempre leva Itararé no peito; orgulhoso leva o rio Itararé na alma, e, o espírito a mil, sabe que a bandeira de Itararé é na verdade o seu coração valente, apaixonado pelo seu nicho, seu ninhal, seu encantário-matriz
4)-Itarareense quando nasce/Se esparrama pelo chão/Se todo Itarareense-Andorinha brilhasse/O Mundo inteiro seria uma Constelação!

Itararé, Isso é que é!
-0-

Fim, FUI – Poetinha Silas Correa Leite
Saudades de Itararé, Abril, Sampa, Chuvas, buraco do Metrô (herança maldita do Daslu Alckmin Pinóquio de Chuchu). Saravá Caiporas. Fundo Sonoro The Malas do Ritmo cantando a valsa Saudade de Itararé, do Paschoal Melillo (In memoriam)

(Primeiro Rascunho, esboço, Saudades do Maé da Pêdra, da Vica, do Jesus Casado e do Maninho Ferreira atrás da Banda “Furiosa” Lira Itarareense)

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Código do Itarareense




Código do Itarareense-Andorinha

01)-Itarareense não tem pais. Faz do Céu de Itararé e da Terra de Itararé, seus pais, sua família, seu lar terreal, e. em Itararé se sente dentro do seu próprio coração
02)-Itarareense não tem casa. Faz da aldeia Itararé o seu ninhal, a sua casa, e a leva na alma, na mente, no coração, como uma honra, um orgulho, uma bandeira
03)-Itarareense não tem poder divino. Faz de seu amor por Itararé, o seu poder divinal, com a graça de Deus
04)-Itarareense não tem pretensão. Faz da própria iluminura pessoal por Itararé, a verdadeira pretensão de amor e paz
05)-Itarareense não tem poderes mágicos. Faz de sua personalidade especial de ser Itarareense, os seus poderes mágicos, encantados pelo prazer de viver com humor e contenteza
06)-Itarareense não tem vida ou morte. Faz das duas umas, tem Itararé, de Itararé veio e para Itararé irá, então, essa é a sua maravilhosa vidamorte, pois sabe que abençoadamente será Itararé um dia
07)-Itarareense não tem visão. Faz da luz e do relâmpago que conecta o céu com a terra, a sua visão telúrica como um vôo para o celeiro cósmico, eterno, infinital
08)-Itarareense não tem audição. Faz da sua sensibilidade espiritual, seus ouvidos, pois Itararé é forfé, é letral, é harmonia, melodia e ritmo
09)-Itarareense não tem língua. Faz da prontidão para o diálogo boêmio, o rebite da dialética sobrevivencial, por intermédio de sua língua chã
10)-Itarareense não tem luz. Faz de Deus a sua defesa, e de sua fé o seu baluarte de salvação em seu rincão natal, o seu paraíso de paz e luz como santuário
11)-Itarareense não tem estratégia. Faz do direito à vida o seu dever de salvar vidas também, pelo direito sagrado de ser feliz como eixo norteador, sendo essa a sua magna estratégia e orquestração
12)-Itarareense não tem projetos. Faz do apelo à imaginação o seu sonho, o que torna sua espiritualidade rica, como um soma para um interativo projeto de construção de uma vida melhor, um mundo melhor, uma peregrina busca evolutiva de todos por todos, todos por um e o uno, razão e fim, é a Estância Boêmia de Itararé
13)-Itarareense não tem princípios. Faz da adaptação a todas as circunstâncias, o seu próprio princípio e conceito existencialista de conviver e viver com solidariedade e muito humor, inclusive etílico
14)-Itarareense não tem tática. Faz da aceitação da escassez e da abundância, uma coisa só, uma tática de semear constantemente, no amor e na dor, servir sempre, prosperar e enriquecer inclusive em conhecimento, conteúdo e ainda em filosofia, até porque, a magnífica grandeza de Deus usa os boêmios para confundir os sábios e os artistas na arte como libertação
15)-Itarareense não tem talentos. Faz de sua hilária imaginação fértil, um talento laborioso de edificar com graceza e prazeirança a suntuosa árvore da vida
16)-Itarareense não tem amigos. Faz de sua mente e de seu coração, sua arca vivencial por um humanismo de resultados, portanto sabe que toda vida na face da terra e do céu, é uma alma amiga
17)-Itarareense não tem inimigos. Os inimigos é que os têm
18)-Itarareense não tem armadura. Faz da benevolência, da caridade e da ética plural-comunitária, a sua armadura, e sabe que viver é lutar, então não foge à luta
19)-Itarareense não tem espírito. Faz do território pluridimensional de todas as vidas, o seu campo de lavanda, onde a perseverança é sua área de sobreviver, sua busca para dar frutos, dar flores, semear poemas, serestas e bebemorações
20)-Por fim, Itarareense não tem paraíso, até porque, Itararé não é um lugar, é uma terra da fantasia, uma terra do nunca (nunca a esqueceremos), Itararé é um lirial celeste aqui mesmo, Itararé é uma idéia, um triunfo, um estado de espírito. No campo de estrelas de Itararé, fazemos nosso céu, nosso abençoado chão, porque o que somos é a grande raiz de onde viemos, e para onde formos levamos quem amamos, então, se do céu de Itararé viemos, ao chão de Itararé voltaremos, esse é o perene Código Vital de todo Itarareense que é andorinha grande, andorinha sem breque, um verdadeiro Taperá!
-E quem for Itarareense que siga.
-0-
Silas Correa Leite (Poetinha) -mail: poesilas@terra.com.br – Blogues: www.portas-lapsos.zip.net ou www.campodetrigocomcorvos.zip.net - Site: www.itarare.com.br/silas.htm



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ESTATUTO DE POETA, de Silas Correa Leite, de Santa Itararé das Letras




ESTATUTO DE POETA

Primeiro Rascunho Para um Esboço de Projeto Amplo, Total e Irrestrito
Silas Corrêa Leite
Artigo Um

Todo Poeta tem direito de ser feliz para sempre, mesmo até muito além do para sempre, ou quando eventualmente o “para sempre” tenha algum fim.
Artigo Dois
Todo Poeta poderá dividir sua loucura, paixão e sensibilidade com mil amores, pois a todos realmente amará com o mesmo prelúdio nos olhos, algumas asas nas algibeiras e muitas cítaras encantadas na alma, ainda assim, sem lenço e sem documento.
Parágrafo Único
Nenhum Poeta poderá ser traído, a não ser para que a pobre ex-Musa seja infeliz para todo o resto dos dias que lhe caibam na tábua de carne desse Planeta Água.
Artigo Três
Nenhum Poeta padecerá de fome, de tristeza ou de solidão, até porque a tristeza é a identidade do Poeta, a solidão a sua Pátria, sendo que, a fome pode muito bem ser substituída num abismo terminal por rifle ou cianureto. E depois, um poeta não precisa de solidão para ser sozinho. É sozinho de si mesmo, pela própria natureza, com seus encantários, santerias, ninhais, mundo-sombra e baladas de incêndio.
Artigo Quatro
A Mãe do Poeta será o magno santuário terreal de seus dias de lutas e sonhos contra moinhos e erranças de gracezas e iluminuras.
Filho de Poeta será como caule ao vento, cálice de liturgia, enchente em rio: deverá adaptar-se ao Pai chamado de louco por falta de lucidez de comuns mortais ou velado elogio em tácita inveja espúria.
Artigo Quinto
Nenhum Poeta será maior que seu país, nenhuma fronteira ou divisa haverá para o Poeta, pois sua bandeira de luz-cor será a justiça social, pão, vinho, maná, leite e mel, além de pétalas e salmos aos que passaram em brancas nuvens pela vida. E depois, uns são, uns não, uns vão, uns hão, uns grão, uns drão – e ainda existem outros.
Artigo Sexto
A todo Poeta será dado pão, cerveja, amante e paixão impossível, o que naturalmente o sustentará mental e fisiológicamente em tempos tenebrosos ou de vacas magras, de muito ouro e pouco pão.
Artigo Sétimo
Nenhum Poeta será preso, pois sempre existirá, se defenderá e escreverá em legítima defesa da honra da Legião Estrangeira do Abandono, à qual se sabe pertencer, com seu butim de acontecências, ou seu não-lugar de, criando, Ser, estar, permanecer, continuar, feito uma letargia, um onirismo, uma catarse, ou um surto psicótico que os anjos chamam alumbramento terçã.
Artigo Oitavo
A infinital solidão do espaço sempre atrairá os Poetas.

Artigo Nono

Caso o Poeta “viaje fora do combinado”, tome licor de ausência ou vá morar no sol, nunca será pranteado o suficiente, nem lhe colocarão tulipas de néon, dálias aurorais, estrelícias de leite ou dente-de-leão sob o corpo que combateu o bom combate. Será servido às carpideiras, amigos, parentes, anjonautas e guardiões, vinho de boa safra por atacado, cerveja preta mais bolinhos de arroz, pão de minuto e cuque de fubá salgado.


Artigo Décimo

Poeta não precisará mais do que o radar de seus olhos, as suas mãos de artesão sensorial no traquejo do cinzel interior, criativo, mais sua aura abençoada e seu halo com tintas de luz timbral para despojar polimentos íntimos em verso e prosa, como pertencimentos-quireras, questionários e renúncias.

Artigo Décimo-Primeiro

Poeta poderá andar vestido como quiser, lutar contra as misérias e mentiras do cotidiano (riquezas impunes, lucros injustos, propriedades roubos), sempre buscando pela paz social, ou ainda mamando na utopia de uma justiça ético-plural-comunitária. Quem gosta de revolução de boteco é janota boçal metido a erudição alcoólica e pseudo-intelectual seboso e burguês. Poeta gosta mesmo de humanismo de resultados. De pegar no breu. A luta continua! Saravá, Brecht!


Artigo Décimo-Segundo

Poeta pode ser Professor, Torneiro-Mecânico, Operário, Ourives, Jardineiro, Fabricante de Bonecas, Vigia-Noturno, Engolidor de Fogo, Entregador de Raposas, Dono de Bar ou Encantador de Freiras Indecisas. Poeta só não poderá ser passional, insensível, frio ou interesseiro. Ao poeta cabe apenas o favo de Criar. O poeta escreve torto por linhas tortas (um gauche), poesilhas (poesia rueira e descalça) e ficção-angústia. Escreve (despoja-se) para não ficar louco...para livrar do que sente. O Poeta, afinal, é um “Sentidor” com sua angústia-vívere

Artigo Décimo-Terceiro

Se algum Poeta for acusado levianamente de alguma eventual infração ou crime, a dúvida o livrará de ser apenado. E se o Poeta dizer-se inocente isso superará palavras acima de todos e sua fala será sentença e lei sagracial. A ótica do Poeta está acima de qualquer suspeita, e ele sempre é de per-si mesmo o local do crime da viagem de existir. Mas pode colaborar com as autoridades, cometendo um crime perfeito. Afinal, só os imbecis são felizes.



Parágrafo Único

Poeta não erra. Refaz percursos. Poeta não mente. Inventa o inexistente, traduz o impossível, delata o devir. Poeta não morre. Estréia no céu. Poeta padece fibra por fibra no ser-se de si mesmo
Artigo Décimo-Quarto

Aos Poetas serão abertas todas as portas, até as invisíveis aos olhos vesgos e comuns dos mortais anônimos, serão abertos todos os olhos, todas as almas, todos os caminhos, todas as chamas, todos os cântaros de lágrimas e desejos, todos os segredos dessa dimensão ou fora dela, num desespelho de matizes, feito insofrência do desmundo.


Artigo Décimo-Quinto

A primeira flor da primeira aurora de cada dia novo, será declarada de propriedade do Poeta da rua, do bairro, do país ou de qualquer próximo Poeta a confeitar como louco, como ermitão ou pioneiro, de vanguarda. Em caso de naufrágio ou incêndio, poetas e grávidas primeiro

Artigo Décimo-Sexto
Não existe Poeta moderno, clássico, quadrado, matemático como pelotão de isolamento, ou só aleijado por dentro, pois as flores e os rios não nascem nunca iguais aos outros, sósias, nem os poemas são tijolos formais de reboques arcaicos. Nenhum Poeta poderá produzir só por estética, rima ou lucro fóssil. Poesia não é para ser vendida, mas para ser dada de graça. Um troco, um soneto, uma gorjeta, um haikai, um fiado pago, uns versos brancos, um salário do pecado, um mantra-banzo-blues-lundu. E todo alumbramento é uma meia viagem pra Pasárgada.

Poeta é tudo a mesma coisa, com maior ou menor grau de sofrimento e lições de sabedoria dessas sofrências, portanto, com carga maior ou menor de visão, lucidez, sensoriedade canalizada entre o emocional e o racional, de acordo com a sua bagagem, seu vivenciar, seu prisma existencialista de bon vivant por atacado. Poeta há entre os que pensam e os que pensam que pensam. Entre os que são e os que pensam que são, pois se parecem. A todos é dado a estrada de tijolos amarelos para a empreita de uma caminhada que o madurará paulatinamente. Ou não. Todo poeta é aprendiz de si mesmo, em busca de uma pegada íntima, e escreve para oxigenar a alma. Afinal, são todos sementes, e sabem que precisam ser flores e frutos, para recriarem, para sempre, a eterna primavera cósmica.

Todo aquele que se disser Poeta, assim o será, ou assim haverá de ser

Parágrafo Um

O verdadeiro Poeta não acredita em Arte que não seja Libertação. Saravá, Manuel Bandeira!

Parágrafo Dois

Poeta bebe porque é líquido. Se fosse sólido comia.

Parágrafo Três

Poeta é como a cana. Mesmo cortado, ralado, amassado, ao ser posto na moenda dos dias, ainda assim tem que dar açúcar-poesia
Inciso Um

Poeta também bebe para tornar as pessoas mais interessantes.

Parágrafo quatro

Poeta não viaja. Poeta bebe. E todo Poeta sabe que o fígado faz mal à bebida.




Artigo Décimo-Sétimo

Poeta terá que ser rueiro como pétala de cristal sacro, frequentador de barzinhos como anjo notívago, freguês de saunas mistas como recolhedor de essências, plantador de trigais amarelos como iluminador de cenários, cevador de canteiros entre casebres de bosquíanos, entre o arado e a estrela, um arauto pós-moderno como declamador de salmos contemporâneos entre extraterrestres.

Parágrafo Único


Poeta rico deverá ainda mais amar o próximo como se a si mesmo, ajudando os fracos e oprimidos, os Sem Terra, Sem Teto, Sem Amor, para então se restar bem-aventurado e poder escrever cânticos sobre a condição humana no livro da vida. Poeta é antena da época. E o neoholocausto do liberalismo globalizador é o câncer que ergue e destrói coisas belas.

Artigo Décimo-Oitavo

A todo Poeta andarilho e peregrino como Cristo, São Francisco ou Gandhi, será dado seu quinhão de afeto, sua porção de Lar, seu travesseiro de pétalas de luz. Quem negar candeia, azeite e abrigo ao Poeta, nunca terá paz por séculos de gerações seguintes abandonadas entre o abismo e a ponte para a Terra do Nunca. Quem abrigar um Poeta, ganhará mais um anjo-da-guarda no coração do clã que então será abençoado até os fins dos tempos.

Parágrafo único
O sábio discute sabedoria com um outro sábio. Com um humilde o sábio aprende.

Artigo Décimo-Nono

Poeta poderá andar vestido como quiser, com chapéus de nuvens, pés de estrelas binárias ou mantras de ninhos de borboletas. Nenhum Poeta será criticado por fazer-se de louco pois os loucos herdarão a terra e são enviados dos deuses. “Deus deve amar os loucos/Criou-os tão poucos...” - Um Poeta poderá também andar nu, pois assim viemos e assim nos moldamos ao barro-olaria de nosso eio-Éden chamado Planeta Água. E a estética para o poeta não significa muito, somente o conteúdo é essência infinital.

Artigo Vigésimo

Poeta gosta de luxo também, mas deve lutar por uma paz social, sabendo a real grandeza bela de ser simples como vôo de pássaro, simples como pouso em hangar fantástico, simples como beira de rio ou vão de cerca de tabuínha verde. Só há pureza no simples.

Artigo Vigésimo-Primeiro

Nenhum Poeta, em tempo algum, por qualquer motivo deverá ser convocado para qualquer batalha, luta ou guerra. Mas poderá fazer revoluções sem violência. Poderá também ser solicitado para ser arauto da paz, enfermeiro de varizes da alma ou envernizador de cicatrizes no coração, oferecendo, confidente e solidário, um ombro amigo, um abraço de ternura, um adeus escondido feito recolhedor de aprendizados ou visitador de bençãos, ou até ser circunstancialmente um rascunhador clandestino de alguma ridícula carta de suicida por paixão impossível.


Artigo Vigésimo-Segundo

Mentira para o Poeta significa cruz certa. Aliás, poeta na verdade nunca mente, só inventa verdades tecnicamente inteiras e filosoficamente sistêmicas...

Artigo Vigésimo-Terceiro

Musa-Vítima do Poeta será enfermeira, psicóloga, amante, mulher-bandeira, berço esplêndido, Santa. Terá que ser acima de todas as convenções formais, pau para toda obra. No amor e na dor, na alegria e na tristeza, até num possível pacto de morte.

Artigo Vigésimo-Quarto

Poeta não paga pensão alimentícia. Ou se está com ele ou contra ele. Filhotes sobrevivente de uma relação qualquer, ficarão sob sua guarda direta e imediata. Ex-Mulheres serão para sempre águas passadas que não movem moinhos, como velas ao vento de uma Nau Catarineta qualquer, como exercícios de abstrações entre cismas, ou como aprendizados de dezelos íntimos de quem procura calma para se coçar.


Artigo Vigésimo-Quinto

Revogam-se todas as disposições em contrário

CUMPRA-SE - DIVULGUE-SE
Itararé, São Paulo, Brasil, Cinzas, 1998, Lua Cheia – Do jazz nasce a luz!

Poeta Silas Corrêa Leite, Educador e Jornalista – Membro da UBE-União Brasileira de Escritores - www.itarare.com.br/silas.htm

(Texto traduzido para o espanhol pela Poeta Dr. Antonio Everardo Glez, de Durango, México) - Breve tradução para o inglês, francês e italiano.


E-mail: poesilas@terra.com.br
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Comentários Sobre o Estatuto de Poeta


Por Mestra Dra. Alice Tomé*


Viver em Arte poética é entrar na dimensão do infinito sem procurar razões, e, como tudo tem um princípio e um começo a ideia deste prefácio para o Estatuto de Poeta nasceu das inter-relações via Internet do grupo «Cá Estamos Nós» criado por Carlos Leite Ribeiro, jornalista, poeta e ensaísta português.

Se toda a canção é um poema, - para quem nasceu quase a cantar, dizem – é uma honra muito grande esta solicitação de prefaciar a obra – Estatuto de Poeta - de Silas Corrêa Leite, poeta e professor, que como todos os Estatutos são o caminho que se deve seguir para atingir os fins; e, como ele próprio escreve «Ser poeta é minha maneira/De chorar escondido/Nessa existência estrangeira/Que me tenho havido».

Uma maior honra ainda porque não trilhando directamente os caminhos científicos de Artes e Letras mas, sim, de Ciências Sociais e Humanas, e mais precisamente da Sociologia da Educação, a questão poética é algo que brota naturalmente em mim, como o riacho que nasce na montanha e vai escalando os espaços até se tornar uma força corrente e se juntar a outras correntes que lhe dão ainda mais força, e onde tantas vidas vão beber, alimentar, refrescar, repousar, sonhar, criar (…), e, em terras de Beirãs, do rio Côa os antigos contavam: «Quantos moços…Quantas moças?/Lenços brancos aí lançaram?/A corrente os arrastou/E sua benção partilharam…(Alice Tomé, Café Literário3, Editores Associados & Blow-Up Comunicação, São Paulo, Brasil, 2002)»

O Poeta e Educador Silas Corrêa Leite já tem um longo caminho poético percorrido, feito de experiências vividas, aprendidas, interiorizadas e como ele diz: «Não somos brancos, vermelhos, pretos, ou amarelos/Somos a Raça Humana…». E, para melhorar esse caminho «humano» nasce o Estatuto de Poeta que, por certo, logo no artigo 1º não deixa dúvida da sua grandeza e ambição na procura da Felicidade: «Todo o Poeta tem direito de ser feliz para sempre,…». Essa procura da Felicidade – essência da pessoa – que cada Ser vive e procura à sua maneira, que se mostra e esconde e não tem retorno; ou se vive ou não existe, algo sem definição, como a própria poesia, existe, sem mais, e, diria Manuel Bandeira «O verdadeiro poeta não acredita em Arte que não seja Libertação».

Bebe-se a água cristalina da fonte, bebe-se o vinho de pura casta que sacralizado se transforma em vida…,e, pensa-se poesia no silêncio ou na celeuma, porque poeta está para além do tempo e da razão, «…Poeta bebe…(artº. Quarto)».

Todos os Artistas transgridem as normas sociais, todos saltaram barreiras, todos, no sentido da normalidade, fizeram loucuras porque a deificação da Arte e Poesia é cósmica, é mística, é dogmática, e, o seu criador é uma mistura/mélange disso tudo, onde a Estética criadora existe na «Sonsologia do Ser, do já vivido ou do já sentido, (Mario Perniola)», e, nesse cruzamento de Olhares, visões e sensações nasce a obra, criação sua, fruto seu e sempre único, mesmo que em algo se assemelhe à Escola de uma vida feita de «Retalhos e Colagens» que os Autores (re)criam dando-lhe outra dimensão, outra existência, outra roupagem, à maneira de Miguel D’Hera ou de Eduardo Barrox e tantos outros…O artigo décimo, deste Estatuto de Poeta, transporta-nos até essa dimensão natural : «Poeta poderá andar vestido como quiser…».

A poesia vive-se, dá-se, partilha-se entre amigos, e, nesse acto de solidão, de sensualidade, de saudade, de comunhão que nos transportam os versos de autores, pertencentes ao passado e ao presente, grandes vultos poéticos que marcaram a nossa identidade Luso-Afro-Brasileira, como: Luís de Camões, Gil Vicente, Almeida Garrett, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, Miguel Torga, António Gedeão, Vergílio Ferreira, Amália Rodrigues, Jorge Amado…, e, dando continuidade a essa veia poética estão Autores actuais: Flávio Alberoni, Ana Paula Bastos, Ângelo Rodrigues, Alice Tomé, Eduardo Barrox, João Sevivas, Manuel Alegre, Américo Rodrigues, Silas Corrêa Leite, Von Trina, José Ronaldo Corrêa, Valmir Flor da Silva…,e, tantos, tantos outros, são os testemunho universal e eternizante do poeticamente existindo e vivendo a dimensão Humana sempre aprendendo e criando.

«Sinto que algo se separa neste instante./É uma parte que se vai/ e já me deixa saudades…(Alberoni, Café Literário1, Editores Associados & Blow-Up Comunicação, SP, Brasil, 2002)»

Poeta luta pela paz mesmo no meio do “caos”, é irrequieto, irreverente, porque igual a si próprio na procura incessante do “Ser ou não Ser”, do “Estar ou não Estar”, “do Viver ou não Viver”, porque poeticamente sonhando e criando essa outra existência telúrica onde a Musa - da Arte poética – queima convenções formais e se torna «Pau para toda a obra…(artº vigésimo segundo)», e, aos que a saudade Lusa herdaram, ou a vivem, seja onde for, saia a POESIA do anonimato, divulgue-se este Estatuto de Poeta, viva-se em poesia e abra-se a porta do infinito…assim o esperamos.

*Mestra Doutora Alice Tomé – Portugal - Texto inédito criado para Estatuto de Poeta, de Silas Corrêa Leite de Itararé-SP/Brasil», aos 10 de Maio de 2002, Lisboa, Portugal.
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*Alice Tomé é Professora Universitária, Socióloga e Educóloga, Poeta, Ensaísta, e Doutora em Ciências da Educação, Directora da Revista ANAIS UNIVERSITÁRIOS – Ciências Sociais e Humanas, Editora da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã, Portugal, e Responsável das Relações Internacionais Sócrates/Erasmus do Departamento de Sociologia da UBI; <"http://atome.no.sapo.pt/index.htm>; . A autora, além das publicações poéticas nas Antologias: POIESIS IV, (2000), e, POIESIS VI, (2001), da Editorial Minerva, Lisboa, colabora, em várias «Revistas Electrónicas», (sites na WEB): «Andarilhos das Letras», «Café Literário» - São Paulo, SP; «A Arte da Palavra»; «Grupo Palavreiros»; «3D gate»; «Rio Total»; «Jornal de Poesia»; Brasil; e, em Portugal, nos sites «Cá Estamos Nós» - Marinha Grande; «terranatal» - O Portal de Portugal; e, «URBI ET ORBI» - jornal on-line da UBI, da Covilhã, da Região e do resto.
Tem vários livros publicados, sendo também Autora – Coordenadora da obras: «Éducation au Portugal et en France. Situations et Perspectives, Editions de L’Harmattan, Paris, 1998; «Terra Vida Alma. Valongo do Côa», Editorial Minerva, Lisboa, 2000. Recentemente publicou: «Sociologia da Educação. Escola et Mores», Editorial Minerva, Lisboa, 2001.
Alice Tomé é Beirã de gema, Portuguesa de «jus sanguinis», amante da vida...de Lisboa e Paris (e Covilhã onde trabalha).
Nasceu em Valongo do Côa, Sabugal, Guarda, Portugal.

Araken Vaz Galvão, Crônica de Viagem, Valença, Salvador, Bahia




Crônica de Viagem:


Bahia de Todos os Brasis

Eu nunca me senti tão no Brasil
Como no Estado da Bahia



-Quando você ouvia Caymmi, João Gilberto, Maria Bethânia ou mesmo Caetano Veloso cantando a Bahia, você ficava achando aquilo tudo meio que ocasional ufanismo artístico-musical. Pensado bem, era sim, uma louvação à terra mãe de todas as igrejas, todos os santos, de Caymmi, Jorge Amado, Glauber e outras feras, artistas de nosso Brasil de todos os sonhos e esperanças.
-Falando sério, sempre via aquilo como um xodó, dos cantares aos empolgados convites, tipo, se você não foi à Bahia, então vá; fica querendo voltar... fica querendo ficar... Será o impossível? Pois, oriundo do sul brasilis eu me imaginava na Bahia, entre coqueiros e os quetais da comida apimentada, ouvindo axés de Ivete a trios elétricos, e só sondava o devir, de cair na gandaia nesses pagos belíssimos do Brasil nordeste, tão cantado em verso e prosa, imagens, sons, poemas e historiais.
-Nessas minhas idas e vindas pelo maravilhoso e universal mundo da web, estando na net e fazendo amigos virtuais, de Portugal ao México, além de amigos nativos, de Florianópolis à Cabo Branco, eis que fiquei sabendo de um paladino da cultura, destemido ex-guerrilheiro que representando a brava gente brasileira lutou contra o que Millôr Fernandes tachou de a Canalha de 64. E mais um amigo virtual se tornou presencial. Sabendo-0 com promotor cultural, paladino das artes literais desses sertões dos brasis gerais, cineasta, historiador e escritor de mão cheia, um dia caí na lábia do Companheiro Araken Vaz Galvão, e pensei, citando o Caetano Veloso de “Alegria Alegria”, Por que não? Eu vou... Por que não?... Eu vou... Sem lenço e sem documento...
-Araken é um desses brasileiríssimos brasileirinhos que cantam a terra mãe, correm atrás de espaços públicos para que toda arte nativa seja valorada contra exóticas correntes emboabas, ele mesmo uma mente brilhante, um coração de ouro, e do alto de seu ser fora de série e mesmo currículo em trincheiras pela legalidade, um dia aportou em Valença, Costa do Dendê, interior praieiro da Bahia, e lá, com a musa vítima dele, Alzenir, fincou raízes, depositou bandeiras, e com amor pelo chão criou a Fundação Cultural que leva seu nome e da esposa, sendo o aconchegante local um point regional e marco de divulgação, agregamento e pousada de criadores em potencial, nacionais e da sulamérica latina em pó. Com um handicap desses, fiquei só sondando a estadia na pousada. Eu e a minha musa vítima também, Rosangela.
-Acertados os necessários e naturais dados viajosos, janeiro de chuvas em Peruíbe e mesmo em minha aldeia Santa Itararé das Artes, peguei o Gol e fui pousar em Salvador, Bahia, estadiando a principio no belo bairro de Pituba, guiado por um Taxista “gente mais maior de grande”, o Arnaldo, indicado pelo amigo Araken, e, de cara, sondando o devir, me senti em casa, muito bem tratado, comida da boa e da melhor qualidade, na verdade, eu, um capiau oriundo das plagas do chamado sul maravilha, nunca me senti tão dentro do meu próprio Brasil S/A, do que em São Salvador. E lá me fui, todo turista pimpão e curioso, conhecer o mar da Bahia, o mar que ainda ressoa e louva Caymmi nos entre-lugares das marés; fui ver o que a bahiana tem no Pelourinho, quando me vi, estava dentro do meu próprio coração, à vontade, tomando minhas cervejas e fotografando, um perfeito caipira paulista na primeiro Capital do Brasil; um jeca interiorano e metido a poeta nas horas etílicas, caindo de amores pela Bahia de todos os santos, anjos, mestiços, brasilindios, silvícolas, afrobrasilis, e vai por aí o bolero-blues, quero dizer, os sambas, axés, cariris e quetais. Saravá, São Jorge!
-Depois de devidamente batizado pelo calor, sol na crista das ondas, serelepe me caí fora e fui, pelo mesmo taxista Arnaldo, proseador de primeira, pegar o ferry-boat destino a Valença, terra de estadia de meu grande novo amigo que começou lítero-presencial e acabou, claro, etílico-presencial. Vão vendo. Saindo da balsa, peguei um ônibus e enfim, cheguei a Valença, cidade que tem praia, rio – maior e mais bonito que Paraty – e fui então muito bem recebido e até demais de muito bem acomodado pelo casal Araken Alzenir, pois, como eu sempre brinco, atrás de um grande homem tem sempre uma grande mulher que lhe dá estrutura funcional e sustentação afetiva. E falo também por mim, pela musa Rosangela que organizou a lógica de minha loucura criacional, e não é fácil, confesso.
-E lá conheci alguns membros da família do Araken, o genro Dr Flávio, médico de Vitória, esposa e filhos, amigos intelectuais da cidade, quando visitei o belo jornal da Valença, fui me aconchegando, me reconhecendo, andei pela cidade, a praia bem gostosa de Valença, até que, para ainda maior surpresa me senti em casa e afinado com as aconteças da Fundação e da gostosa Casagrande do Araken, quando dei-me com a presença de um dos maiores talentos do Brasil, o artista, músico, cantor, compositor, show-man, Xangai que lá aportou de violão mavioso, alma e voz plangente, para dar um show particular e caseiro, para mais ou menos vinte pessoas, e onde eu vi, ouvi e adorei escutar e curtir meu Brasil cantando pelos sertões das terras do sem fim, principado pelo criador de bodes e cantador Elomar e em louvações do Xangai, pontuando cada magna interpretação com graceza, talento e, show-man, dando voz ao povo, sim senhor... Axé Xangai! Cismando por lá, até fiz uma letra-poema em homenagem ao Xangai. Se ele me der a honra de musicar, vou sentir feliz e honrado:


Pássaro-Flor
(Poema Querendo ser Letra de Toada)

Para o Artista Xangai

1
O cantador é aquele que sai de si
E em lá e em sol e chuva vai
A sal; ou açúcar que aflora e ri
Ser composição que do coração sai

(Refrão)

A louvação é andor
E luar e sertão...
Entre praias desses brasis gerais de tez chão
Porque é afinação
E dá viço ao amor
Feito da música um lavrador... (BIS)

2
O cantador é alma nau a singrar
A alma do povo em esplendor
Daquilo que a natureza sola no ar
E louva no peito o voo do pássaro-flor
Canta a estrada em seu lamento
Violeiro e voz remando louvor
De tudo o que o povo tem dentro
Do ser de si sentimento aflorar

3
O cantador é o poeta da voz
Além da rima em seu sustento
E quando reina consigo a sós
Solta o espírito sinfonia do vento
Cantando é viajoso estradeiro
De si mesmo caminheiro e plantador
Evoca a alma do povo inteiro
E louva sons do palco brasileiro

Final (Para Acabar)

Canta a sua louvação canta
O cantador tem na garganta
O esmeril do pássaro-flor
E se mal se cabe em si de tanto amor e dor
Soa todos os brasis em seu louvor...

(Poema-letra de MPB feita em Valença, Janeiro 2011)

-Pois é isso, minha gentehumana, estradeiros, turistas e curiosos. Sete dias na Bahia, e tirei as cracas do coração, as tristices da alma, andei pelas ruas sem calçadas de Valença, sondei beiras de rios, ouvi as vozes e cantares das ruas, e pude beber da fonte lítero-cultural-historial que é o Companheiro Araken Vaz Galvão, uma sumidade em conhecimento de música, literatura, cultura norte-nordestina, e pudemos, então, trocar figurinhas sobre o Brasil que venceu o medo, da esperança que venceu o medo, e falamos de idéias e perspectivas, quando pude tomar lições do Mestre Aralen, a quem pedi "a bença", como se diz em minha terrinha, Itararé-SP, e pude desfrutar da carinhosa recepção que eles da fundação e da casa me proporcionaram, feito uma Bahia-livro-aberto; e pude receber abraços e gracezas das crianças que enfeitaram a casa, afinando com a carente Clarinha, neta do Araken, trocando impressões, tomando lições do que é que o Brasil tem e às vezes se enfronham pelos quintais, sertões a dentro, testemunhos de vidas, vilas, viços, bravezas, causos e acontecências desse país que amamos tanto, de tantas riquezas impunes, lucros injustos, propriedades-roubos, e históricos contrastes sociais. Sim, hermanos, a história do Brasil passa primeiramente pela Bahia, tudo começou ali, a verdadeira capital desse Brasil de todos os santos, dezelos, achados e misturanças.
-Para não dizer que não falei de flores, os projetos do Araken, as propostas. O referencial de cultura que ele muito bem representa para o estado da Bahia. “A luta com a palavra é uma luta vã”, cantou Drummond. Mas Araken está lá, permanece, com fibra, forte e rijo, luta, corre atrás, bravo guerreiro das artes, recebendo muito bem, a cara limpa e a coragem de acreditar da arte como libertação, pontuando sua vida de luta agora com palavras, com otimizadas bandeiras pela promoção cultural, dando voz aos personagens rueiros que afloram pelos sertões, praias e cantos de um povo, um lugar, um tempo novo.
-

Silas Correa Leite
Poeta, Mochileiro, Plantador de Sonhos, Recolhedor de Universos e Prosas
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

BOX DE VIAGEM

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

POEMA DE NATAL, ANJO DE NATAL, DE SILAS CORREA LEITE




*

Anjo de Natal



Perguntei bem tristinho

Ao meu Anjo de Natal:



-Por que é que eu sofri tanto?



E ele me respondeu “cerrindo”, feito uma criança encantada de amor:



-Você já se perguntou por que é um Vencedor?



-0-







Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras

E-mail: poesilas@terra.corm.br

www.portas-lapsos.zip.net

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Receita da Verdadeira Mulher

Silas Corrêa Leite

Receita da verdadeira mulher
Parafraseando Vinicius de Moraes (In Memoriam)
As mulheres belas que me perdoem, masInteligência é fundamental. É necessárioQue haja qualidade no amor e na florNão só a estética vazia, a beleza lambida e mais nada.Quero a mulher para antes, depois e duranteNão a elegantérrima vestida para consumo de nésciosOu para a inutilidade do efêmero ou rococóMulher porta-jóias que abre a boca e só sai confete de [frivolidades. É preciso que a mulher reflita por si mesmaSaiba de receitas e açúcares – De revoluções e ogivasDe lírios selvagens e livros – E de contentezas líricasPorque mulher inteligente tem alto astral e mulher infeliz tem focos mal resolvidos de baixa estima e depressão com neuras.Eu desejo a mulher-pássaro pelo vôo altivo delaNão pela cor do rouge de ki-suco com a alma vaziaQuero a mulher que seja ponte, asa e saibaDe Brecht a Bethoven, de Silvia Plath às Minas do Rei Salomão.Mulher sofisticada e boba com rímel? Deus-me-livre!Mulher que só tem nádegas e não tem cérebro?Não: quero mulher de paz e amor, de idéias e de curativos [sideraisQue tenha a temperatura sagracial de trilhas humanas, muito além das lágrimas de liquidificadores.As mais belas flores são colhidas primeiroSe a mulher for bonita no conjunto do kit básico alem do sangue [cênicoTerá volume de coxas mas não pode ser vazia de sonhos [impossíveisValerá mais pela pensão alimentícia do que pelo pacto secreto de amor e de morte.Que Vinicius me perdoa a pegajenta confissãoMas a inteligência no conjunto é essencialQuero a mulher turbinada na cotação guerrilhaNão a de axilas raspadas mas com pele gessy.Quero a mulher perfumada na sua essência naturalQue a faz mulher-bandeira, Rita Lee, Heloisa HelenaNão a boneca cobiçada que um brucutu faz andaimeMas a que tenha passaporte de vivências e grau de lucidez para o que der e vier.Quero a mulher Joana D´Arc, Leila Diniz, Hilda Hist, Clarice [LispectorNão a bonitinha mas ordináriaSe tiver ternura, encanto, inteligência e cultura entãoSerá a receita certa de musa inspiradora e dona do meu [coração.Beleza não põe a mesaInteligência você funda um casalE cria cósmica descendência.Mulher inteligente é a minha, naturalmenteSe não fosse minhaNão seria inteligente.
Até porque, certamente
Quem conquista a sedução da gente
É para sempre...
Silas Corrêa Leite